Michelle deixa comando do PL Mulher em meio a crise interna e amplia tensão no partido
Saída da ex-primeira-dama foi comunicada a Valdemar Costa Neto e ocorre após desgaste público com Flávio Bolsonaro; decisão expõe novo capítulo das disputas internas do PL em ano eleitoral
Por Gazeta do Paraná
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixará a presidência nacional do PL Mulher, encerrando um ciclo iniciado em 2023 e abrindo um novo capítulo na crise interna que atravessa o Partido Liberal em pleno ano eleitoral. A decisão foi comunicada ao presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, durante reunião realizada nesta terça-feira (30), em Brasília, e já provoca repercussão entre diferentes alas da sigla.
Segundo interlocutores do partido, a saída de Michelle foi acertada com Valdemar e também contou com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em nota divulgada após a reunião, a ex-primeira-dama afirmou que deixará o comando do PL Mulher para dedicar mais tempo à família, especialmente aos cuidados com o marido.
Nos bastidores, entretanto, a decisão é interpretada como consequência direta do desgaste provocado pelo embate público entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro. Nos últimos dias, a ex-primeira-dama tornou públicas críticas ao enteado, afirmando ter sido desrespeitada e humilhada dentro do ambiente político. A exposição do conflito familiar acabou atingindo também a estrutura partidária, aprofundando divisões entre aliados do grupo bolsonarista.
De acordo com informações divulgadas por veículos da imprensa nacional, integrantes de uma ala do PL receberam a decisão com alívio, avaliando que a permanência de Michelle à frente do segmento feminino poderia ampliar os conflitos internos e dificultar a coordenação política da legenda durante a campanha eleitoral.
A saída ocorre justamente quando Michelle era considerada uma das principais lideranças femininas do partido. Desde que assumiu o comando do PL Mulher, ela percorreu diversos estados promovendo eventos, filiações e mobilizações voltadas ao eleitorado conservador, tornando-se um dos principais ativos políticos da legenda junto ao público feminino.
Além do impacto organizacional, a mudança também alimenta especulações sobre o futuro político da ex-primeira-dama. Embora continue filiada ao PL, pessoas próximas afirmam que Michelle demonstra menor entusiasmo com uma eventual candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, cenário que vinha sendo tratado como uma das prioridades eleitorais da legenda.
A crise evidencia um momento delicado para o PL, que tenta administrar disputas internas enquanto organiza sua estratégia para as eleições de 2026. O rompimento público entre Michelle e Flávio Bolsonaro, somado à saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher, reforça a percepção de que as divergências extrapolaram o ambiente familiar e passaram a influenciar diretamente a condução política do maior partido do Congresso Nacional.
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