Terremoto na Venezuela: número de mortos sobe para 1.430; mais de 50 mil seguem desaparecidos
Novo balanço do governo venezuelano aponta 1.430 mortes, mais de 3,3 mil feridos e cerca de 50 mil desaparecidos. Equipes de 17 países seguem nas buscas por sobreviventes
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O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 1.430, segundo balanço divulgado neste sábado (27) pelo governo venezuelano. As autoridades também confirmaram 3.328 pessoas feridas desde a tragédia provocada pelos dois fortes tremores registrados na última quarta-feira (24).
Os dados foram apresentados durante entrevista coletiva transmitida pela emissora estatal VTV. No levantamento anterior, divulgado na sexta-feira (26), o país contabilizava 920 mortes.
Além das vítimas já confirmadas, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. Segundo o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, a operação de resgate é considerada extremamente complexa devido à dimensão da destruição.
Desde os primeiros abalos sísmicos, a Venezuela registrou outros 432 tremores de menor intensidade. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, alertou que o território permanece vulnerável e pediu que a população siga as orientações das autoridades.
Buscas continuam em áreas destruídas
Equipes de resgate formadas por militares, bombeiros e voluntários seguem trabalhando em diversas cidades atingidas para localizar sobreviventes sob os escombros.
Em Catia La Mar, uma das localidades mais afetadas, moradores acompanham as operações na esperança de encontrar familiares desaparecidos. Entre eles está Jorge Luis Guerra, que procura pelo sobrinho Ezequiel Misael. Segundo familiares, o jovem conseguiu retirar parentes de um prédio antes do desabamento, mas desapareceu logo depois.
A cidade de La Guaira, na região costeira próxima a Caracas, foi uma das mais castigadas pelos terremotos. Pelo menos 100 edifícios desabaram completamente, incluindo prédios residenciais. Apesar dos danos, o fornecimento de energia elétrica já foi restabelecido em cerca de 60% da cidade após uma operação emergencial conduzida pelas autoridades.
Estimativas indicam possibilidade de aumento no número de vítimas
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) avalia que ainda existe alto risco de crescimento no número de mortos. Segundo a agência, há 44% de probabilidade de a tragédia superar 10 mil vítimas fatais e 30% de chance de ultrapassar 100 mil mortes, considerando fatores como a intensidade dos tremores, a densidade populacional das áreas atingidas e a vulnerabilidade das construções.
Especialistas destacam que a extensão da destruição pode fazer com que o número real de vítimas seja significativamente maior do que o registrado até agora.
Missão internacional reforça operações
A ONU informou que equipes humanitárias de pelo menos 17 países desembarcaram na Venezuela para auxiliar nas operações de resgate e atendimento às vítimas.
Entre elas está a missão brasileira, que chegou ao país na noite de sexta-feira (26) com bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de integrantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Entenda a sequência dos terremotos
Os terremotos ocorreram na quarta-feira (24). O primeiro abalo, de magnitude 7,2, atingiu a região de San Felipe, a oeste de Caracas.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, esse primeiro tremor aumentou a tensão em uma falha geológica próxima, desencadeando um segundo terremoto de magnitude 7,5 apenas 39 segundos depois.
O segundo abalo ocorreu em baixa profundidade e foi sentido em diversas regiões da Venezuela e também no norte do Brasil.
Segundo especialistas, o primeiro terremoto comprometeu estruturas e fundações de edifícios, enquanto o segundo provocou o colapso imediato de inúmeras construções, principalmente na capital Caracas.
