Bets notificam clubes sobre possível rescisão de contratos no Brasileirão
Superbet e Esportes da Sorte alertaram clubes sobre possível rompimento dos acordos caso haja restrições ao setor; Betano também prevê rescisão em caso de proibição geral das apostas
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Casas de apostas começaram a notificar clubes do Campeonato Brasileiro sobre a possibilidade de rescindir contratos de patrocínio caso o governo federal proíba ou restrinja a atuação do setor. A informação foi divulgada pelo UOL nesta quarta-feira (23).
Os avisos ocorrem enquanto o governo prepara uma Medida Provisória (MP) com novas regras para jogos on-line e apostas esportivas. O texto da medida ainda está em discussão e o alcance das possíveis restrições não foi definido.
A Superbet, patrocinadora master de São Paulo e Fluminense, notificou os dois clubes sobre a possibilidade de encerramento dos contratos caso haja veto às apostas esportivas. Os clubes não confirmaram se receberam oficialmente os avisos.
A Esportes da Sorte, patrocinadora do Corinthians e de outras equipes, também enviou uma notificação alertando para a possibilidade de rescisão diante de uma eventual mudança na legislação. O Corinthians confirmou o recebimento.
Segundo o UOL, o clube considera a notificação uma medida protocolar, já que o acordo não poderia ser mantido caso as apostas fossem proibidas.
Betano prevê diferentes cenários
A Betano, patrocinadora master do Flamengo e dona do maior contrato de patrocínio do tipo no Brasileirão, não notificou oficialmente o clube sobre uma possível rescisão.
A empresa, porém, comunicou à diretoria do Flamengo que o contrato prevê diferentes consequências conforme o tipo de mudança na legislação.
Segundo a apuração, uma alteração na tributação teria um impacto diferente de uma eventual suspensão dos jogos on-line. Já uma proibição geral das apostas levaria à rescisão do acordo.
Bets são presença forte nos clubes
As casas de apostas ocupam atualmente boa parte dos principais espaços de patrocínio dos clubes da Série A. Levantamento publicado pelo Meio & Mensagem aponta que 13 dos 20 times da primeira divisão têm empresas do setor como patrocinadoras master. A soma dos contratos vigentes ultrapassa R$ 1 bilhão por temporada.
A presença das bets também alcança competições. A Betano, por exemplo, detém os naming rights do Campeonato Brasileiro desde 2024.
A possível mudança nas regras preocupa dirigentes justamente pelo impacto que uma redução na atuação das empresas poderia provocar nos contratos de publicidade e patrocínio.
Clubes se posicionaram contra possíveis restrições
Em 17 de setembro, clubes e entidades do futebol divulgaram um manifesto em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas e contra possíveis restrições ao setor.
Os dirigentes afirmaram que uma mudança ampla poderia afetar receitas importantes para o futebol brasileiro. Desde então, representantes dos clubes buscam diálogo com o governo federal sobre o conteúdo da MP.
O governo, por outro lado, ainda discute o formato da medida. Informações divulgadas nas últimas semanas apontam que a proposta pode atingir principalmente os jogos de cassino on-line, enquanto as apostas esportivas podem ficar fora de uma eventual proibição.
No mercado de apostas, a avaliação relatada pelo jornalista Rodrigo Mattos, do UOL, é de que uma eventual aprovação de restrições mais amplas poderia provocar o rompimento de contratos de patrocínio.
Empresas que ainda não fizeram notificações formais também avaliam medidas judiciais para deixar os acordos, segundo a apuração.
Até o momento, porém, não há uma decisão definitiva do governo sobre o conteúdo da Medida Provisória.
