Dez são presos em operação contra loteamentos clandestinos no Paraná
Entre os alvos está vereador de Campo Magro apontado pelo MPPR como um dos líderes do esquema; três denunciados ainda não foram localizados e são considerados foragidos
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Dez pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por envolvimento em um esquema de loteamentos clandestinos rurais foram presas nesta semana. Entre os alvos da Operação Fundo Falso está o vereador de Campo Magro Márcio Bueno (MDB), apontado pelo MPPR como um dos líderes da organização investigada.
As prisões foram cumpridas na quarta-feira (16), durante uma operação coordenada pela 5ª Promotoria de Justiça de Almirante Tamandaré, com apoio do Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Dos dez alvos, três ainda não foram encontrados e são considerados foragidos. O Ministério Público apresentou a denúncia à Justiça em 25 de agosto e pediu a prisão preventiva dos investigados. As prisões foram determinadas judicialmente.
Segundo a investigação, o esquema estaria em funcionamento desde 2021 e teria como foco principalmente imóveis rurais de Campo Magro e Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.
Como funcionava o esquema
De acordo com o MPPR, os investigados procuravam propriedades com pouca movimentação dos donos, além de terrenos pertencentes a pessoas idosas ou envolvidos em processos de inventário.
Depois de identificar os imóveis, o grupo levantava informações sobre as propriedades e conseguia cópias de documentos. Em alguns casos, também eram obtidas certidões de óbito dos proprietários.
O Ministério Público afirma que os investigados simulavam a venda dos terrenos para intermediários e falsificavam documentos para dar aparência de legalidade às negociações.
A partir dessas transações, as propriedades rurais eram divididas e comercializadas de forma irregular como loteamentos.
A investigação também aponta o uso de ameaças e intimidações contra os verdadeiros proprietários ou pessoas que descobriam as supostas fraudes.
Até o momento, o MPPR identificou pelo menos quatro loteamentos clandestinos em Campo Magro e Almirante Tamandaré.
Vereador é apontado como um dos líderes
Segundo o Ministério Público, Márcio Bueno teria utilizado o cargo de vereador para favorecer o esquema em Campo Magro.
A investigação aponta que ele teria atuado para viabilizar obras públicas em áreas onde propriedades rurais eram divididas ilegalmente. O vereador também é suspeito de facilitar o acesso do grupo a informações relacionadas a fiscalizações municipais.
Ainda conforme o MPPR, os investigados teriam recebido informações antecipadas sobre operações de fiscalização e, em algumas situações, conseguido interferir para impedir a atuação dos fiscais.
As suspeitas foram identificadas a partir da análise de provas obtidas em etapas anteriores da operação. Entre os materiais analisados estão mensagens e áudios que, segundo o Ministério Público, registram as práticas investigadas.
Outros denunciados
Além das dez pessoas presas ou procuradas, outras duas foram denunciadas pelo MPPR por suposta participação no esquema.
Para esses dois investigados, a Justiça determinou medidas cautelares diferentes da prisão preventiva.
O Judiciário também autorizou o bloqueio de bens dos denunciados, conforme pedido apresentado pelo Ministério Público.
Defesa
A Gazeta do Paraná procurou a defesa do vereador Márcio Bueno, mas não recebeu manifestação até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.
