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Após seis mandatos, Giacobo deve deixar o Congresso e avalia assumir secretaria no Paraná

Deputado federal sinaliza saída da reeleição após mais de duas décadas em Brasília e rompe com o PL após crise interna

Por Eliane Alexandrino

Após seis mandatos, Giacobo deve deixar o Congresso e avalia assumir secretaria no Paraná Créditos: Divulgação

Após seis mandatos consecutivos, o deputado federal Fernando Giacobo deve encerrar seu ciclo na Câmara dos Deputados e não disputar a reeleição em 2026. A decisão ainda não foi oficializada, mas, nos bastidores, é tratada como praticamente definida e marca o fim de uma trajetória de mais de duas décadas em Brasília.

No Congresso desde 2003, Giacobo construiu uma carreira consolidada, com votações crescentes ao longo dos anos (152.342 votos em 2022) e forte atuação junto aos municípios do interior do Paraná. No entanto, o parlamentar tem demonstrado desgaste com o ambiente político nacional e sinalizado uma mudança de rumo em seu projeto pessoal.

A tendência, segundo interlocutores, é que ele aceite o convite do governador Ratinho Junior para assumir a Secretaria das Cidades, pasta estratégica do governo estadual, anteriormente ocupada por Guto Silva. Caso confirme a decisão, Giacobo deve permanecer no cargo até o fim de 2026, conduzindo convênios e projetos em andamento nos municípios paranaenses.

Após esse período, o deputado avalia se se afasta definitivamente da vida pública ou se mantém algum tipo de atuação política, ainda indefinida.

A saída de Giacobo da disputa eleitoral está diretamente ligada à crise interna enfrentada no Partido Liberal (PL), sigla na qual construiu a maior parte de sua carreira política e onde chegou a presidir o diretório estadual no Paraná.

Nos bastidores, aliados relatam que o deputado se sentiu “traído” pela condução das articulações partidárias, especialmente após mudanças de estratégia definidas pela cúpula nacional sem sua participação direta. O episódio que marcou a ruptura foi a filiação do ex-juiz Sergio Moro ao partido antes do prazo acordado para definição de alianças no estado.

Segundo relatos, havia um entendimento prévio envolvendo lideranças do partido e atores políticos no Paraná, incluindo alinhamentos com o governo estadual. No entanto, a antecipação da filiação e a redefinição de estratégias eleitorais teriam desconsiderado esses acordos, isolando Giacobo dentro da legenda.

A condução do processo, atribuída a lideranças nacionais ligadas ao grupo bolsonarista, gerou insatisfação e culminou na desfiliação do parlamentar em março de 2026. O episódio é apontado como determinante para o desgaste político que pode levar à decisão de não disputar um novo mandato, mas por telefone, Giacobo disse à Gazeta do Paraná, que a decisão poderá ser tomada até quarta-feira da próxima semana. 

Desgaste e mudança de projeto

Além da crise partidária, o próprio deputado já manifestou publicamente desânimo com a rotina política em Brasília. Após mais de 20 anos no Congresso, Giacobo indicou que não pretende seguir com o mesmo projeto político, abrindo espaço para uma possível transição de carreira.

Apesar do cenário, interlocutores destacam que o parlamentar ainda mantém forte capital político e potencial eleitoral. Estimativas apontam que, caso decidisse disputar, teria condições de alcançar votação expressiva, independentemente da legenda.

Ainda assim, a avaliação predominante é de que há mais de 90% de chance de ele não concorrer nas próximas eleições, salvo uma mudança significativa no cenário político.

Espaço para renovação

A eventual saída de Giacobo da disputa abre espaço para uma reconfiguração do cenário político no Oeste e Sudoeste do Paraná. Com a vacância de uma das principais lideranças da região na Câmara Federal, novos nomes devem disputar o eleitorado, ampliando a concorrência por vagas no Congresso.

Trajetória política

Fernando Lúcio Giacobo é empresário e iniciou sua carreira política pelo antigo PPS (Partido Popular Socialista). Em 2003, ingressou no PL, onde construiu sua base eleitoral e consolidou sua trajetória como deputado federal.

Ao longo dos mandatos, destacou-se pelo perfil municipalista, com atuação voltada principalmente às áreas de agricultura, infraestrutura e transporte. Na Câmara dos Deputados, ocupou funções de liderança, como vice-líder de blocos parlamentares, além de presidir a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

No Paraná, teve papel de protagonismo ao comandar o diretório estadual do PL, ampliando a influência da sigla no interior do estado.

A possível saída do Congresso marca, portanto, o encerramento de um ciclo político relevante e abre um novo capítulo na trajetória de Giacobo, ainda em definição.

Conheça possíveis nomes ao congresso

Os pré-candidatos a deputado federal somam, até o momento, 22 nomes, com possibilidade de ampliação desse número, já que ainda restam vagas a serem preenchidas.

Entre os atuais deputados federais, devem disputar a reeleição Aliel Machado (PV), Carol Dartora (PT), Elton Welter (PT), Tadeu Veneri (PT) e Zeca Dirceu (PT).

Já na Assembleia Legislativa do Paraná, quatro parlamentares sinalizam candidatura à Câmara Federal: Ana Júlia (PT), Arilson Chiorato (PT), Luciana Rafagnin (PT) e Renato Freitas (PT).

A lista também inclui nomes que já tiveram mandato e buscam retorno ao Congresso, como a ex-deputada Rosane Ferreira (PV) e o ex-deputado André Vargas (PT).

Outros pré-candidatos que pretendem disputar uma vaga na Câmara dos Deputados são Carol Silva (PT), Célio Rodrigues (PT), Marcio Kieller (PT), presidente da CUT, Professora Marlei (PT), Professora Terezinha (PT), Ualid Rabah (PT), presidente da Fepal, Vera Nogueira (PT), Professora Michele (PT), André Saliba (PV), Amabile Marchi (PCdoB) e Tiago Bagatin (PCdoB).

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Foto: Divulgação

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