TCE investiga aplicação de R$ 4,7 milhões do fundo previdenciário de Palmeira
Auditoria identificou possível aumento indevido de risco em investimento realizado pelo RPPS pouco antes da entrada em vigor de regras mais rígidas do Conselho Monetário Nacional
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O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades em investimentos realizados pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do município de Palmeira, nos Campos Gerais. A análise foi motivada por uma auditoria da Coordenadoria de Acompanhamento de Atos de Gestão (CAGE), que identificou aportes de aproximadamente R$ 4,7 milhões em um fundo administrado por uma instituição financeira fora das categorias mais seguras previstas pelo Banco Central.
Segundo o levantamento, o valor investido representa cerca de 8,8% de toda a carteira do RPPS de Palmeira. Os recursos foram aplicados em janeiro deste ano, poucos dias antes da entrada em vigor da Resolução nº 5.272/2025 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que passou a restringir investimentos previdenciários a instituições enquadradas nos segmentos S1 e S2 do sistema financeiro nacional.
Os auditores apontaram uma série de inconsistências no processo de decisão do investimento. Entre elas, a ausência de justificativa técnica, análise de risco, comparação com outras opções de aplicação, estimativa de rentabilidade e identificação dos responsáveis pela tomada de decisão. De acordo com o relatório, diferentemente de outras operações realizadas pelo RPPS, não foram encontrados documentos que comprovassem estudos prévios para embasar o aporte.
A auditoria também levantou suspeitas sobre a possível formalização posterior de atos administrativos, além de questionamentos relacionados à atuação do Comitê de Investimentos da autarquia previdenciária. Para os técnicos do Tribunal, a operação pode ter representado uma elevação injustificada do risco da carteira e uma decisão inoportuna diante da iminente mudança das regras nacionais para aplicações de recursos previdenciários.
Apesar dos apontamentos, o TCE ressalta que, até o momento, não foi identificado prejuízo financeiro ao fundo previdenciário dos servidores municipais. Ainda assim, os auditores avaliam a possibilidade de ocorrência de ato antieconômico, caracterizado pela adoção de medidas que não atendam ao melhor interesse financeiro da administração pública.
O presidente do TCE-PR, conselheiro Ivens Linhares, determinou a autuação da Representação e o encaminhamento do processo para análise. A relatoria ficou sob responsabilidade do conselheiro Durval Amaral, após sorteio realizado em maio.
Com a admissão da Representação, o Tribunal buscará apurar eventuais responsabilidades dos gestores envolvidos, avaliar a aplicação de sanções e propor medidas para aprimorar a governança e a segurança dos investimentos realizados pelo RPPS de Palmeira.
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