O beijo do diabo: O preço da traição — Soraya Thronicke pode ficar fora do Senado, diz pesquisa
Quando o vento mudou, Soraya mudou junto. O alinhamento com o governo Lula não foi acidente, não foi evolução de pensamento — foi escolha.
Créditos: Reprodução — TV SENADO
O dia do benefício é a véspera da ingratidão, já dizia Bertolt Brecht. Foi exatamente assim que Soraya Thronicke agradeceu a Bolsonaro pelo mandato de oito anos de senadora. Com um beijo de traição, de um poder que ela achou que duraria para sempre, mas que hoje sente nos aeroportos do Brasil — a rejeição que ela mesma buscou. Ela representa um arquétipo de muitos que usaram o nome do Capitão para se eleger e agora celebram sua prisão.
Oito anos passam rápido. Especialmente quando você os desperdiça trocando de lado.
Soraya foi eleita senadora em 2018 com os votos daqueles que acreditavam em mudança. Subiu no palanque conservador, usou o capital político da onda que varreria o PT do poder e se beneficiou de um eleitor que estava farto de mais do mesmo. O eleitorado de Mato Grosso do Sul a mandou para Brasília com uma missão clara.
Ela tinha outra.
Quando o vento mudou, Soraya mudou junto. O alinhamento com o governo Lula não foi acidente, não foi evolução de pensamento — foi escolha. Fria, calculada e, como toda traição política, revestida de justificativas nobres para consumo público.
Agora as pesquisas cobram a fatura.
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-07535/2026 e MS-02139/2026, a pesquisa não deixa margem para interpretação: Reinaldo Azambuja lidera com 38,7%. O Capitão Contar, fiel às suas raízes, aparece logo atrás. Soraya? Quarto lugar. Distante. Irrelevante na disputa por uma cadeira que um dia foi dela.
O eleitor conservador tem memória. Pode demorar, mas não esquece.
Esse é o Brasil real, que nenhuma pesquisa captura do alto dos gabinetes climatizados de Brasília: quem abandona o povo que o elegeu, o povo abandona nas urnas. Sem drama. Sem discurso. Só com o voto.
Oito anos de mandato. Uma vida política desperdiçada numa aposta equivocada.
O preço da traição, senhoras e senhores, é exatamente esse: chegar ao fim do mandato precisando do eleitor que você abandonou — e descobrir que ele já foi embora.
Aqui o jornalista Oswaldo Eustáquio, do alto do meu segundo exílio.
