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Gaeco prende suspeitos e descobre plano para ameaçar promotor e atacar fórum em esquema de loteamentos clandestinos

Segunda fase da Operação Miragem aponta fraude processual, lavagem de dinheiro, intimidação de autoridades e prejuízo a dezenas de famílias em Ibiporã

Por Eliane Alexandrino

Gaeco prende suspeitos e descobre plano para ameaçar promotor e atacar fórum em esquema de loteamentos clandestinos Créditos: Divulgação

O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou nesta terça-feira (2) a segunda fase da Operação Miragem e cumpriu mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e busca pessoal contra investigados por integrar uma suposta organização criminosa envolvida na exploração de loteamentos clandestinos em Ibiporã, no Norte do Paraná. A operação, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina e pela 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã, também revelou ameaças de morte contra um promotor de Justiça e planos de violência contra agentes públicos.

Segundo as investigações, o grupo continuava atuando mesmo após decisões judiciais que proibiam a comercialização dos terrenos e o recebimento de pagamentos dos compradores. Para burlar as restrições impostas pela Justiça, os investigados teriam criado uma empresa de fachada em nome da irmã de um dos líderes do esquema, utilizando novas contas bancárias para receber os valores pagos pelas vítimas. O rastreamento financeiro apontou que os recursos eram posteriormente transferidos para contas pessoais dos envolvidos.

As apurações também identificaram uma suposta fraude processual. Após determinação judicial para apresentação de todos os contratos firmados com os compradores dos lotes, os investigados teriam escondido documentos físicos em uma propriedade rural e apagado arquivos digitais armazenados em nuvem. Posteriormente, informaram à Justiça que os contratos teriam sido perdidos devido a uma suposta falha em equipamentos de informática.

Um dos pontos mais graves da investigação envolve ameaças direcionadas a autoridades responsáveis pela fiscalização do caso. De acordo com o Ministério Público, o principal investigado gravou áudios nos quais afirmava que faria o promotor responsável pelo processo “sumir, literalmente”. Os investigadores também identificaram monitoramento de familiares da autoridade por meio das redes sociais e conversas em que os suspeitos discutiam possíveis atos de violência contra fiscais municipais.

As investigações apontam ainda que integrantes do grupo chegaram a cogitar o sequestro e a morte de fiscais de Ibiporã, além de discutir um possível atentado contra o Fórum da cidade. Entre as hipóteses mencionadas estava a realização de disparos contra o transformador de energia do prédio para interromper uma audiência pública relacionada aos loteamentos irregulares.

O esquema investigado envolve pelo menos dois empreendimentos clandestinos. O loteamento Recanto Água Bonita teria sido implantado em uma área rural de 68,1 mil metros quadrados, dividida ilegalmente em 62 lotes de aproximadamente mil metros quadrados cada. Já o Recanto dos Sonhos ocupava uma área de 36,3 mil metros quadrados, subdividida em 23 lotes. Ambos eram comercializados sem licença ambiental e sem autorização urbanística.

Além das prisões preventivas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, investimentos e bens móveis e imóveis dos investigados até o limite de R$ 3,5 milhões. O valor corresponde ao montante que teria sido obtido com o esquema criminoso e deverá ser utilizado para garantir o ressarcimento dos prejuízos causados às 62 famílias lesadas, além do pagamento de multas e custas processuais.

A Operação Miragem teve sua primeira fase em janeiro deste ano, quando o MPPR cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Londrina. Na ocasião, foram recolhidos celulares, documentos e equipamentos eletrônicos, além da prisão em flagrante de um dos investigados por porte ilegal de munição. Desde então, as investigações avançaram e revelaram um esquema mais amplo, envolvendo lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, ocultação de provas e intimidação de agentes públicos.

Operação começou em janeiro

A Operação Miragem teve sua primeira fase em 8 de janeiro deste ano, quando o Ministério Público do Paraná cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Londrina contra o principal investigado pelo loteamento clandestino Recanto Água Bonita. Na ocasião, foram apreendidos celulares, documentos e equipamentos eletrônicos, além da prisão em flagrante do suspeito por porte ilegal de munição.

As investigações apontavam a comercialização irregular de 62 lotes em uma área rural de 68,1 mil metros quadrados em Ibiporã, sem as autorizações exigidas por lei. Segundo o MPPR, mesmo após uma decisão judicial que proibiu o recebimento de valores dos compradores, o investigado teria criado uma nova empresa em nome da irmã para continuar recebendo pagamentos via Pix, alegando aos clientes uma suposta instabilidade bancária.

Na época, o Ministério Público também apurava possíveis tentativas de ocultação de provas. O investigado descumpriu ordem judicial para apresentar todos os contratos de compra e venda dos terrenos e alegou inicialmente sigilo de dados. Posteriormente, informou que os documentos teriam sido perdidos em razão de uma suposta "corrosão do disco rígido" do computador da empresa, justificativa que passou a ser investigada como possível fraude processual e que deu origem a novos desdobramentos da Operação Miragem.

Foto: Divulgação

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