Dia de Nossa Senhora Aparecida é marcado por manifestações políticas e debate sobre intolerância religiosa
Alckmin defende liberdade de crença durante visita ao Santuário Nacional, enquanto Flávio Bolsonaro participa de missa em Brasília; episódios de vandalismo contra imagens religiosas também repercutem no país
As celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nesta segunda-feira (12), foram marcadas por manifestações políticas, declarações em defesa da liberdade religiosa e repercussões de episódios de vandalismo contra imagens sagradas em diferentes regiões do país.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), participou das celebrações no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, onde defendeu o respeito às diferentes crenças e a liberdade religiosa.
A chegada do vice-presidente provocou reações distintas entre os presentes. Enquanto parte do público o recebeu com aplausos e manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), outras pessoas fizeram críticas ao governo federal e gritaram palavras de ordem contrárias ao presidente.
A visita ocorreu em meio à intensificação do debate sobre religião na campanha eleitoral. Nas últimas semanas, o tema ganhou espaço nas manifestações de candidatos e aliados, especialmente diante de informações falsas relacionadas à condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
Durante a reta final do primeiro turno, a campanha de Lula destacou o respeito às tradições católicas e a importância da preservação da liberdade de crença. O assunto continua presente na disputa presidencial, que terá segundo turno no dia 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro participa de missa em Brasília
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) também participou, nesta segunda-feira (12), de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, realizada na Catedral Metropolitana de Brasília.
A participação ocorreu após a repercussão de publicações nas redes sociais que associavam o parlamentar a uma suposta proposta legislativa destinada a retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A informação é falsa. O projeto citado nas publicações foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli e arquivado em 2008, sem participação de Flávio Bolsonaro em sua autoria. O candidato negou qualquer intenção de alterar o reconhecimento da santa, classificou a acusação como notícia falsa e reafirmou seu respeito às diferentes religiões.
A circulação das informações provocou discussões nas redes sociais, ampliando o debate sobre o uso de símbolos religiosos durante as eleições e a importância de combater a desinformação.
Casos de vandalismo contra imagens religiosas geram preocupação
Além das discussões políticas, episódios de vandalismo registrados em igrejas e espaços religiosos também provocaram manifestações de repúdio nas últimas semanas.
Em Monte Alegre, no estado de Sergipe, imagens de uma igreja católica vandalizada voltaram a circular nas redes sociais, acompanhadas de alegações sobre uma suposta motivação político-eleitoral.
Entretanto, uma checagem da Agência Lupa identificou que o episódio ocorreu em junho de 2026, e não em outubro. A paróquia informou que o responsável apresentava transtornos mentais, e não foram identificadas evidências de motivação política.
Já em Minas Gerais, um jovem de 20 anos foi preso na quarta-feira (7) após invadir a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no município de Resende Costa, e chutar uma imagem religiosa do século XVIII.
Segundo a Polícia Militar, o homem atingiu a escultura, provocando sua queda e danificando a peça, que havia passado recentemente por restauração e integra o patrimônio cultural do município.
Testemunhas relataram que o suspeito também proferiu ofensas de cunho religioso durante a ação. A Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante pela suspeita de intolerância religiosa.
Outro episódio foi registrado em Cuiabá, no Mato Grosso. Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada sem a cabeça na Cruz do Chilão, localizada no bairro Santa Helena, no dia 25 de setembro. O caso foi divulgado pela imprensa em 30 de setembro e provocou manifestações de repúdio da comunidade católica.
Nas redes sociais, fiéis também manifestaram indignação diante dos episódios de vandalismo e das ofensas contra símbolos religiosos. A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de crença, além de proteger os locais de culto e suas liturgias. Atos de discriminação, violência ou destruição de patrimônio religioso podem resultar em responsabilização criminal, conforme as circunstâncias de cada caso.
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