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Candidato do Podemos pede investigação sobre recursos do partido

Candidato questiona distribuição de recursos públicos pelo partido e pede análise de contas, transferências e critérios adotados nas campanhas de 2026

Gabriel Porta · · 7 min de leitura
Candidato do Podemos leva ao MPF denúncia sobre Fundo Eleitoral
Candidato do Podemos leva ao MPF denúncia sobre Fundo Eleitoral — Crédito: Reprodução / Redes sociais

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O candidato a deputado estadual pelo Podemos no Paraná, Evandro Cruz, apresentou ao Ministério Público Federal (MPF) uma denúncia com questionamentos sobre a distribuição de recursos públicos destinados às campanhas eleitorais de 2026. A representação pede a análise dos critérios utilizados pelo partido para distribuir o Fundo Eleitoral e de movimentações financeiras envolvendo candidaturas da legenda.

Segundo Evandro Cruz, os questionamentos envolvem a concentração de recursos em determinados candidatos, possíveis mudanças nos critérios de distribuição, transferências entre candidaturas e eventuais pagamentos relacionados a apoio político. Ele pede que documentos, prestações de contas e movimentações financeiras sejam analisados pelos órgãos competentes.

Quase R$ 5 bilhões

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, disponibiliza aproximadamente R$ 4,96 bilhões em recursos públicos para as eleições de 2026.

É justamente a utilização e a distribuição desse dinheiro que estão entre os principais pontos questionados na representação apresentada ao MPF.

No caso do Podemos no Paraná, os dados citados na denúncia apontam aproximadamente R$ 3,375 milhões em recursos partidários destinados a candidaturas estaduais.

De acordo com os números apresentados por Cruz, Lu Bonatto teria recebido aproximadamente R$ 1,12 milhão, enquanto o deputado Do Carmo teria recebido cerca de R$ 1,2 milhão. Juntos, os valores correspondem a aproximadamente 68,74% dos recursos partidários estaduais considerados na denúncia.

Outro nome citado é o deputado Felipe Francischini, que aparece com aproximadamente R$ 1,55 milhão em recursos do Fundo Eleitoral, além de cerca de R$ 34,6 mil em recursos partidários, totalizando aproximadamente R$ 1,58 milhão.

A representação pede que sejam esclarecidos os critérios utilizados para a distribuição e se as mesmas regras foram aplicadas às demais candidaturas.

Candidatos com pouco ou nenhum recurso

Outro questionamento apresentado ao MPF envolve candidatos que teriam recebido valores menores ou nenhum recurso partidário direto.

Segundo Cruz, alguns candidatos teriam organizado suas campanhas considerando a expectativa de receber repasses do partido. Ele afirma que, em determinados casos, os valores não teriam sido disponibilizados e que candidatos teriam assumido compromissos financeiros com base nas promessas de recursos.

A representação pede esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo partido e sobre eventual tratamento diferente entre as candidaturas.

Distribuição entre homens e mulheres

A denúncia também questiona a distribuição dos recursos de acordo com o gênero das candidaturas.

Dos 51 candidatos considerados na análise apresentada por Cruz, 35 seriam homens e 16 mulheres. Segundo os dados citados na representação, as candidaturas femininas teriam recebido aproximadamente R$ 1,54 milhão, sendo que cerca de R$ 1,12 milhão estaria concentrado em Lu Bonatto.

O documento também aponta que aproximadamente 21 dos 35 candidatos homens não teriam recebido recursos partidários diretos.

Cruz pede que a distribuição seja analisada de acordo com as regras eleitorais aplicáveis às candidaturas femininas, negras e indígenas.

Mudança nos critérios

Outro ponto levantado é uma possível alteração nos critérios utilizados pelo Podemos para distribuir os recursos durante o período de liberação das verbas.

A representação solicita que sejam esclarecidos quais critérios foram estabelecidos inicialmente, se houve mudanças, quando elas teriam ocorrido, quem participou das decisões e quais candidaturas foram afetadas.

O objetivo, segundo o documento, é verificar se os critérios foram objetivos, transparentes e aplicados de maneira uniforme.

Transferências entre candidaturas

A denúncia também cita transferências de recursos entre candidatos.

Entre as operações mencionadas estão uma transferência de R$ 50 mil de Ana Paula Pavelski para Professora Lurdinha, de R$ 15 mil para Waldirene Budal e de R$ 6 mil para Socorro Moriya. Também aparece uma transferência de R$ 23 mil de Gustavo Silveira da Costa para Allax Siqueira.

As operações somam aproximadamente R$ 94 mil.

A própria representação ressalta que as transferências, isoladamente, não são apontadas como ilegais. O pedido é para que sejam verificadas a origem dos recursos, a finalidade das operações, a contabilização e a compatibilidade com a legislação eleitoral.

Possíveis pagamentos por apoio político

Outro ponto levado ao MPF envolve possíveis pagamentos ou vantagens relacionados a apoio político.

A denúncia pede que sejam analisadas eventuais movimentações envolvendo vereadores, ex-prefeitos, prefeitos e outros agentes políticos, além de contratos, transferências bancárias, notas fiscais, fornecedores e serviços declarados nas prestações de contas.

A intenção, segundo Cruz, é identificar a natureza dessas operações e, caso sejam encontradas irregularidades, verificar a origem dos recursos, os beneficiários e a finalidade dos pagamentos.

Relação com Sérgio Moro

A representação também menciona a aliança política formada em torno da candidatura de Sérgio Moro ao Governo do Paraná, com Hugo Napole e Felipe Francischini.

Cruz pede que sejam analisadas eventuais relações políticas e financeiras entre os grupos envolvidos, especialmente quando houver distribuição de recursos públicos entre diferentes candidaturas e estruturas partidárias.

A denúncia também recupera episódios relacionados ao financiamento eleitoral de Moro e do Podemos em 2022.

Naquele ano, o Podemos fez acusações públicas contra Moro envolvendo supostos pedidos de recursos partidários para despesas pessoais, incluindo personal stylist, alfaiataria, roupas, sapatos e óculos. Moro contestou as acusações.

O episódio aparece na representação como antecedente para os questionamentos apresentados agora, e não como prova de irregularidades nas eleições de 2026.

Contas de Rosângela Moro

A prestação de contas de Rosângela Moro nas eleições de 2022 também é citada.

Segundo os dados apresentados na denúncia, valores relacionados à prestação de contas foram objeto de determinação de recolhimento aos cofres públicos. O documento menciona aproximadamente R$ 9,8 mil relacionados a recursos de origem não identificada e outros R$ 21,6 mil destinados ao Tesouro Nacional.

O total citado é de aproximadamente R$ 31,4 mil.

A representação pede que os registros sejam considerados na análise das circunstâncias envolvendo despesas e recursos utilizados na campanha.

Promessas de recursos

Cruz afirma ainda que candidatos do Podemos teriam recebido promessas de repasses do Fundo Eleitoral que não teriam sido cumpridas.

Segundo ele, as informações teriam levado alguns candidatos a assumir compromissos financeiros acreditando que os recursos seriam disponibilizados pelo partido.

O candidato afirma possuir prints de conversas que, segundo ele, demonstrariam as promessas e comunicações feitas aos candidatos.

A partir disso, a representação pede que sejam analisados os documentos e esclarecida a responsabilidade pelas despesas assumidas por candidatos que esperavam receber os recursos.

Cruz utiliza a expressão “estelionato eleitoral” para descrever, em sua avaliação, uma eventual situação em que candidatos tenham sido levados a assumir compromissos financeiros com base em promessas de recursos que já não seriam disponibilizados.

A expressão, porém, faz parte da manifestação do próprio denunciante e não representa uma conclusão do MPF ou da Justiça.

O que Cruz pede ao MPF

Entre os pedidos apresentados está a análise das prestações de contas, movimentações financeiras e documentos relacionados aos candidatos mencionados na denúncia, além das contas e operações dos partidos envolvidos.

Cruz afirma que o objetivo é permitir uma investigação independente sobre a utilização dos recursos públicos destinados às campanhas.

O candidato também questiona a concentração dos recursos em determinadas candidaturas e pede que sejam verificadas eventuais relações pessoais, políticas ou partidárias que possam ter influenciado a distribuição das verbas.

A representação não aponta culpados de forma definitiva. O pedido é para que os órgãos competentes analisem os documentos e, caso sejam identificadas irregularidades, adotem as medidas previstas na legislação.

Outro lado

O Podemos e os candidatos citados na representação devem ser procurados para se manifestar sobre os questionamentos apresentados por Evandro Cruz.

O MPF também deve ser consultado sobre o recebimento da denúncia e sobre eventual procedimento aberto a partir da representação.

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