Moro, Sandro Alex e Requião Filho participam de debate da RPC; veja como foi
Primeiro e único debate da campanha ao Governo do Paraná teve confrontos sobre Flávio Dino, obras, Copel, Credcesta e relação com Bolsonaro e o governo Ratinho Junior
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O primeiro e único debate da campanha de 2026 com os três principais candidatos ao Governo do Paraná foi marcado por confrontos entre Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD), além de discussões sobre obras, segurança, Copel, Credcesta e as relações dos candidatos com Jair Bolsonaro e o governo Ratinho Junior.
O debate foi realizado pela RPC na noite desta terça-feira (29) e avançou pela madrugada desta quarta-feira (30). Requião Filho (PDT) também participou do encontro.
Nos primeiros minutos, a audiência em Curitiba e na Região Metropolitana chegou a registrar picos de 27 pontos, segundo dados citados na análise sobre o debate. Após a meia-noite, a audiência ficou na casa dos 10 pontos.
O confronto entre Moro e Sandro concentrou boa parte dos momentos de maior tensão. Requião Filho adotou uma postura mais distante dos ataques diretos e aproveitou parte dos embates para apresentar suas próprias posições.
Moro e Sandro disputam eleitorado de Bolsonaro
Sergio Moro e Sandro Alex abriram o debate discutindo o eleitorado ligado a Jair Bolsonaro.
Moro afirmou que recebeu apoio de Flávio Bolsonaro (PL) para a disputa pelo Governo do Paraná e criticou o nível dos ataques feitos pelos adversários durante a campanha. O senador também associou os partidos que integram a aliança de Sandro Alex ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Sandro Alex, por sua vez, questionou a relação de Moro com o grupo político de Bolsonaro e afirmou que sua atuação ao lado do ex-presidente resultou em obras para o Paraná.
Os dois também discutiram a atuação de Moro no Senado e a decisão do senador de disputar o Governo do Paraná antes do fim do mandato.
Sandro afirmou ainda que Moro havia procurado Rafael Greca (MDB) para compor sua chapa como vice. O senador negou a afirmação.
Voto em Flávio Dino volta ao centro do debate
Um dos principais confrontos ocorreu em torno da indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Sandro Alex afirmou repetidamente que Moro havia votado a favor da indicação de Dino para a Corte. O senador negou a acusação e disse que votou contra.
Moro também lembrou que a votação para a indicação de ministros do STF é secreta. Por isso, não é possível verificar publicamente o voto individual de cada senador.
O tema foi retomado em diferentes momentos do debate. Sandro também relacionou a questão à atuação de Moro no Senado e defendeu que o candidato permanecesse no cargo para atuar nas discussões envolvendo o STF.
Moro, por outro lado, afirmou que já assinou um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.
Obras no Paraná entram no confronto
As obras de infraestrutura também provocaram um dos confrontos entre Moro e Sandro.
Moro questionou a prioridade dada por Sandro Alex, quando ocupava a Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná, a uma intervenção na PR-415, rodovia que dá acesso ao complexo turístico Tayayá, em Ribeirão Claro.
O senador comparou a obra com a situação da Ponte de Guaratuba e questionou as prioridades adotadas pelo governo estadual.
Sandro defendeu sua atuação na área de infraestrutura e afirmou que a Ponte de Guaratuba enfrentou obstáculos judiciais. Também destacou obras realizadas em diferentes municípios do Estado.
A discussão sobre a PR-415 levou o resort Tayayá ao centro do debate. O empreendimento passou a ser citado em reportagens nacionais por causa de transações financeiras e societárias envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Dias Toffoli.
Durante o confronto, porém, não houve menção à sociedade temporária do apresentador Ratinho com a marca Tayayá.
Credcesta também foi alvo de questionamentos
Outro tema usado nos ataques contra Sandro Alex foi o Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos e vinculado a salário e benefícios.
Moro questionou Sandro sobre a contratação do serviço pelo governo estadual e relacionou o tema às operações envolvendo o Banco Master, instituição que posteriormente foi liquidada.
Sandro respondeu aos questionamentos e defendeu a atuação do governo estadual.
No terceiro bloco, os dois voltaram a discutir os assuntos de forma cruzada. Enquanto Sandro questionava Moro sobre obras de infraestrutura na região central do Paraná, o senador retomava questões relacionadas ao Credcesta.
Copel divide Sandro e Requião Filho
A Copel foi outro dos principais temas do debate, principalmente no confronto entre Requião Filho e Sandro Alex.
Os candidatos discutiram o aumento da tarifa de energia elétrica no Paraná e divergiram sobre a responsabilidade pelo reajuste.
Requião Filho afirmou que a Copel solicitou o aumento e que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o reajuste.
Sandro Alex respondeu que caberia à Aneel conceder o aumento.
A privatização da Copel também apareceu nas discussões entre os candidatos, assim como temas relacionados ao combate à corrupção e ao feminicídio.
Requião Filho busca espaço no confronto
Requião Filho participou dos principais momentos do debate sem concentrar sua participação em confrontos diretos com Moro.
O candidato do PDT criticou Sandro Alex em diferentes momentos e questionou a relação do adversário com o governo Ratinho Junior.
Entre as provocações, afirmou que Sandro teria sido a terceira opção de Ratinho Junior para disputar o Governo do Paraná. A afirmação foi apresentada como crítica política durante o debate.
Requião Filho também aproveitou os confrontos entre Moro e Sandro para apresentar suas próprias posições e buscar espaço na disputa pelo segundo turno.
Debate termina com troca de acusações
O último bloco voltou a concentrar críticas entre Moro e Sandro Alex. Os dois discutiram novamente infraestrutura, atuação no Senado, STF, Bolsonaro e governo estadual.
Moro buscou se apresentar como candidato capaz de representar o eleitorado ligado a Bolsonaro e, ao mesmo tempo, como oposição ao governo estadual.
Sandro Alex defendeu a continuidade da atual administração e tentou associar Moro às decisões tomadas no Senado, principalmente em relação ao STF.
O debate terminou sem consenso entre os candidatos sobre os principais temas apresentados. As discussões deixaram expostas diferenças sobre infraestrutura, segurança, energia, relação com o governo federal e posicionamento em relação ao grupo político de Jair Bolsonaro.
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