Makunfest transforma Curitiba em palco de celebração da cultura afro-brasileira
Festival de samba de terreiro chega à terceira edição neste fim de semana, com dois dias de programação, dez atrações musicais e artistas de diferentes regiões do Brasil
O samba de terreiro, expressão musical profundamente ligada à ancestralidade africana e às tradições religiosas afro-brasileiras, ganha destaque em Curitiba neste fim de semana. Nos dias 10 e 11 de outubro, a terceira edição da Makunfest reúne artistas, grupos de percussão e representantes da cultura de terreiro em uma programação que combina música, identidade, espiritualidade e valorização das manifestações culturais negras.
Pela primeira vez, o festival terá dois dias de duração e será realizado em uma casa dedicada ao samba, a RJOTA, localizada no bairro Parolin. A edição de 2026 contará com dez atrações musicais, quatro delas inéditas, além de um palco em formato 360 graus, concebido para aproximar artistas e público.
Criada em 2024, a Makunfest surgiu com a proposta de ampliar a visibilidade da música produzida nas comunidades de terreiro, historicamente responsáveis pela preservação de ritmos, cantos e saberes que influenciaram profundamente a formação da cultura brasileira. Em sua terceira edição, o evento busca consolidar esse espaço de encontro e reconhecimento.
Música e ancestralidade
A programação reúne artistas de diferentes estados, promovendo o intercâmbio entre expressões regionais do samba de terreiro. Entre as novidades estão Ogan Vinicius, de Ribeirão Preto, Emmano, do Rio de Janeiro, Gui do Axé, do Rio Grande do Sul, e Isa de Mulambo, de Goiás.
Também retornam ao festival artistas que participaram de edições anteriores, como Vitorinha de Oxum, Yamay, Thuan, Janine Mathias e Nego Chandi. A cantora Juliana D Passos, um dos nomes reconhecidos na valorização da musicalidade afro-brasileira, apresenta novamente seu espetáculo completo.
O encontro terá ainda participações especiais de Bela de Oyá, Rhuan do Axé, Dinho, Jess Amarante e Ber Domingues. A proposta é reunir artistas consolidados e representantes de uma nova geração que encontra na música de terreiro um espaço de expressão cultural e afirmação de identidade.
Mais do que um gênero musical, o samba de terreiro está relacionado às tradições transmitidas entre gerações nas comunidades de matriz africana. Seus ritmos, instrumentos e cantos preservam referências históricas e religiosas que resistiram a séculos de discriminação e perseguição.
Ao levar essas manifestações para um espaço cultural aberto ao público, a Makunfest contribui para ampliar o reconhecimento de uma produção artística que nem sempre encontra a mesma visibilidade de outros estilos musicais.
Tambores em destaque
Uma das particularidades da programação é a presença das curimbas, grupos responsáveis pela execução de cantos e instrumentos de percussão utilizados nas tradições religiosas de matriz africana, especialmente na Umbanda.
Os grupos participantes foram selecionados em uma etapa anterior ao festival, que reuniu representantes de diferentes localidades. A escolha considerou avaliações do público e de um júri artístico.
No sábado (10), a abertura ficará por conta da Curimba de Ogum do Tucasol, enquanto a Curimba do Caboclo Aymoré, escolhida pela votação popular, será responsável pelo encerramento.
No domingo (11), a programação começa com a Curimba Aldeia de Arranca Toco e termina com a apresentação da Curimba Mãos de Ouro, vencedora da avaliação do júri artístico.
A participação desses grupos reforça a proposta de valorizar não apenas artistas individuais, mas também práticas musicais coletivas ligadas à preservação dos conhecimentos tradicionais.
Cultura contra o preconceito
Idealizadora da Makunfest, Leslei Camargo defende que o festival representa uma oportunidade de levar a música e a cultura das comunidades de terreiro para além dos espaços religiosos.
A iniciativa também se apresenta como instrumento de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa. Ao reunir pessoas de diferentes origens e crenças, o evento procura ampliar o conhecimento sobre tradições que integram a identidade cultural brasileira, mas ainda são frequentemente alvo de estigmatização.
O festival não se restringe às apresentações musicais. A programação também contempla gastronomia, empreendedorismo, manifestações artísticas e atividades voltadas ao intercâmbio de experiências e conhecimentos.
A realização da terceira edição evidencia o crescimento de iniciativas culturais dedicadas às tradições afro-brasileiras no Paraná. Ao mesmo tempo, reforça a importância de espaços que permitam aos próprios artistas e integrantes dessas comunidades apresentar suas produções e narrativas.
Ingressos populares
A organização disponibilizou diferentes modalidades de acesso, incluindo pista, mesas e camarotes. Os ingressos partem de R$ 35, mais taxas da plataforma de vendas.
O festival também mantém a modalidade de ingresso solidário, com desconto de 50% sobre o valor da entrada inteira mediante a entrega de um quilo de alimento não perecível ou de ração animal na entrada.
Com apresentações de artistas de diferentes regiões do país, a Makunfest pretende transformar o fim de semana em uma celebração da diversidade cultural brasileira, colocando no centro do palco ritmos e tradições que ajudaram a construir a história da música nacional.
Serviço
Evento: 3ª Makunfest – Festival de Samba de Terreiro
Datas: 10 e 11 de outubro de 2026
Local: RJOTA, Rua Desembargador Westphalen, 3140, bairro Parolin, Curitiba
Horários: abertura dos portões às 12h e início das apresentações às 14h
Ingressos: a partir de R$ 35, mais taxas, pelo Disk Ingressos
Organização: LAM Produções
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