Boletins de urna revelam primeiros votos da eleição no exterior; veja onde Lula e Flávio estão à frente
Números disponíveis em países da Ásia e da Oceania mostram Lula à frente em mais localidades, enquanto Flávio Bolsonaro abre larga vantagem no Japão; dados são de boletins de urna e não representam a apuração oficial do TSE
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Os primeiros números das eleições presidenciais de 2026 começaram a aparecer ainda na manhã deste domingo (4), horas antes do encerramento da votação no Brasil. Boletins de urna disponibilizados após o fechamento das seções em países da Ásia e da Oceania permitem conhecer como votaram brasileiros em diferentes partes do mundo. Os dados, no entanto, não devem ser confundidos com a apuração ou a totalização oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A divulgação oficial dos resultados da eleição presidencial começa somente a partir das 17h, no horário de Brasília. Até lá, os números divulgados correspondem à soma de boletins de urna de seções que já encerraram a votação. O boletim de urna é o documento produzido pela própria urna eletrônica ao final da votação e informa quantos votos cada candidato recebeu naquela seção. Posteriormente, esses dados são transmitidos à Justiça Eleitoral e processados para compor a totalização oficial.
Japão concentra maior votação já divulgada
Entre os países cujos boletins já foram levantados, o resultado numericamente mais expressivo até o momento vem do Japão. A soma dos 119 boletins de urna disponibilizados pelo TSE nas jurisdições de Tóquio, Nagóia e Hamamatsu registra 24.601 votos para Flávio Bolsonaro (PL) e 5.234 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio recebeu 67,1% dos votos em relação ao total de eleitores que compareceram às seções consideradas. Foram registrados 36.627 comparecimentos. O levantamento dos boletins não substitui a totalização oficial da Justiça Eleitoral.
O tamanho da votação japonesa também exige cautela ao comparar simplesmente o número de países em que cada candidato aparece na frente. O Japão possui uma das maiores comunidades eleitorais brasileiras no exterior.
Lula à frente na Nova Zelândia
Na Nova Zelândia, Lula aparece com 234 votos, ou 70,48%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 64 votos, equivalentes a 19,28%, de acordo com os boletins divulgados. A Nova Zelândia esteve entre os primeiros países a encerrar a votação devido à diferença de fuso horário em relação ao Brasil.
Coreia do Sul e Singapura
Na Coreia do Sul, os boletins considerados no levantamento registram 123 votos para Lula e 72 para Flávio Bolsonaro. As seções consideradas já haviam encerrado a votação quando os dados foram compilados. Em Singapura, os dois boletins disponíveis registram 190 votos para Lula e 92 para Flávio Bolsonaro. Os números correspondem, respectivamente, a 54,60% e 26,44% dos 348 votos nominais registrados nos documentos. Na Malásia, os primeiros boletins também colocam Lula na frente, com 44 votos contra 27 de Flávio Bolsonaro.
China tem cenários diferentes
Os boletins da China mostram uma diferença entre as seções da China continental e Hong Kong. Nas seções de Pequim, Xangai e Cantão, Lula soma 268 votos, contra 98 de Flávio Bolsonaro. Em Hong Kong, porém, Flávio aparece à frente: 105 votos contra 99 de Lula.
Flávio fica à frente nas Filipinas
Nas Filipinas, o cenário registrado nos boletins é inverso ao observado em boa parte dos primeiros países da Ásia e da Oceania. Flávio Bolsonaro recebeu 33 votos, enquanto Lula teve 26. Os levantamentos publicados ao longo da manhã também registravam Flávio à frente em boletins de países como Tailândia e Indonésia. O quadro permanece sujeito a atualizações conforme novos documentos das seções encerradas forem disponibilizados.
Austrália exige cautela
Na Austrália, Lula também aparece à frente nos levantamentos feitos a partir dos boletins, mas os números publicados durante a manhã apresentaram atualizações conforme novas seções foram incorporadas. Levantamento divulgado após o encerramento da votação indicava vantagem do candidato do PT, mas ainda considerava 26 das 29 seções eleitorais. Por isso, o resultado australiano deve ser tratado como parcial até que todos os boletins considerados sejam disponibilizados.
Boletim não é resultado oficial
A distinção é fundamental: o fato de um boletim de urna estar disponível permite conhecer o resultado daquela seção, mas a soma feita por veículos de comunicação, partidos ou outras organizações não equivale à totalização oficial da Justiça Eleitoral. Depois do encerramento da votação, cada urna contabiliza os votos da respectiva seção e produz o boletim. Os dados são então enviados à Justiça Eleitoral. É a soma e o processamento desses boletins pelos sistemas eleitorais que formam o resultado oficial.
No caso da votação no exterior, a própria regulamentação do TSE determina o envio do Boletim de Urna Exterior à Justiça Eleitoral depois da conclusão da apuração da seção. Por isso, os números conhecidos durante a manhã deste domingo devem ser apresentados como resultados registrados em boletins de urna já disponíveis, e não como “apuração oficial do TSE”. A divulgação oficial da eleição presidencial começa a partir das 17h deste domingo, horário de Brasília.
Quase 919 mil eleitores no exterior
As eleições brasileiras de 2026 têm 918.876 eleitores aptos a votar no exterior, distribuídos por 186 cidades de 134 países. Fora do Brasil, o eleitor participa somente da escolha para presidente e vice-presidente. Os Estados Unidos concentram o maior eleitorado brasileiro no exterior, seguidos por Portugal, Japão, Canadá e Alemanha. Por causa dos fusos horários, a votação brasileira no exterior atravessa mais de um dia no relógio de Brasília. Isso explica por que boletins da Oceania e da Ásia ficam disponíveis enquanto milhões de brasileiros ainda estão votando dentro do país. À medida que as seções da Europa, África e, posteriormente, das Américas encerrarem a votação, novos boletins poderão ampliar o retrato do voto brasileiro no exterior. O resultado oficial, entretanto, será aquele divulgado pela Justiça Eleitoral após o processamento e a totalização dos dados.
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