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Ameaças nazistas e de bomba contra estudantes da UEL são investigadas pela Polícia Civil

Mensagens circularam em grupo de WhatsApp com cerca de 700 integrantes; universidade mobilizou segurança, câmeras e drones para proteger manifestação em Londrina

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
UEL
UEL — Crédito: Divulgação

A Polícia Civil do Paraná instaurou um inquérito para investigar mensagens com símbolos nazistas e ameaças de violência contra estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O conteúdo circulou em um grupo de WhatsApp denominado “Nós da UEL com Flávio Bolsonaro”, que chegou a reunir aproximadamente 700 participantes. Entre as publicações denunciadas estavam manifestações de apoio ao nazismo, ataques a estudantes e referências à possibilidade de lançar bombas durante um ato político realizado na quinta-feira (8).

A gravidade das mensagens levou a universidade a adotar, pela primeira vez, um plano de contingência específico para garantir a segurança de uma manifestação no campus. A mobilização ocorreu em defesa da democracia, da educação pública e da ciência, em meio à polarização política após o primeiro turno das eleições presidenciais.

O inquérito foi instaurado pela 10ª Subdivisão Policial de Londrina após comunicações da 24ª Promotoria de Justiça, de gabinetes parlamentares e da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. A investigação busca verificar a autenticidade das mensagens, identificar seus responsáveis e apurar eventuais crimes de incitação à violência, discriminação e divulgação de símbolos nazistas.

Até a última atualização pública consultada, não havia investigados formalmente identificados. As diligências tramitam sob sigilo.

 

Grupo surgiu entre estudantes

A origem do grupo de WhatsApp também passou a integrar a repercussão do episódio. Segundo reportagem do Portal Bonde, que teve acesso às mensagens, o espaço teria surgido inicialmente entre estudantes de Agronomia e ganhou grandes proporções depois que seu link de acesso começou a circular.

Um dos administradores, ouvido pelo veículo, afirmou que o grupo havia sido criado para conversas informais e negou que existisse uma organização política estruturada ou apoio coletivo ao nazismo. Ele declarou que excluiu uma publicação de conteúdo nazista ao identificá-la e posteriormente deixou a administração.

O veículo também localizou pessoas responsáveis por compartilhar mensagens investigadas. Um dos participantes alegou que a referência a um possível ataque com bombas tinha caráter de brincadeira e negou qualquer intenção de organizar violência. Outro afirmou que a publicação com referências nazistas seria uma provocação política.

As explicações não afastam a necessidade de investigação. A Polícia Civil deverá apurar a autoria, o contexto e a eventual responsabilidade criminal individual de cada participante.

Na sexta-feira (9), após a repercussão das denúncias, os administradores deixaram o grupo, que também perdeu aproximadamente metade de seus integrantes, segundo levantamento publicado pelo Portal Bonde.

 

Universidade mobilizou segurança

Em nota oficial divulgada na sexta-feira (9), às 16h24, a Reitoria da UEL confirmou que acompanha o inquérito por meio de sua Procuradoria Jurídica e está colaborando com as autoridades.

A instituição informou que as primeiras informações apontam que o autor das imagens discriminatórias não pertence à comunidade universitária. Essa informação, entretanto, ainda depende da conclusão das investigações.

Diante das ameaças, a UEL mobilizou todo o efetivo da Divisão de Segurança da Prefeitura do Campus. A manifestação foi acompanhada por câmeras de monitoramento e drones, enquanto equipes da Polícia Civil permaneceram no local durante parte do evento, seguindo orientações do Ministério Público.

Apesar do clima de tensão, o ato ocorreu pacificamente no pátio do Restaurante Universitário, sem registro de incidentes. Segundo os organizadores, a mobilização reuniu cerca de 3 mil participantes.

A universidade reiterou que a liberdade de manifestação e o pluralismo político são princípios assegurados pela Constituição e pelo seu regimento interno, mas destacou que não admite condutas que provoquem danos físicos ou psicológicos à comunidade acadêmica.

 

Crimes sob investigação

A Polícia Civil examina a possível ocorrência de crimes previstos na legislação brasileira. O artigo 20 da Lei nº 7.716/1989 prevê punição para a divulgação do nazismo mediante utilização de símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda com essa finalidade.

A incitação pública à prática de crime também é punida pelo artigo 286 do Código Penal. Dependendo do conteúdo e das circunstâncias identificadas, outras infrações poderão ser examinadas durante o inquérito.

A existência de mensagens em um grupo com referência a um candidato não permite atribuir responsabilidade à campanha eleitoral ou aos demais participantes. A investigação deverá individualizar as condutas e esclarecer se houve efetivamente planejamento de atos violentos ou outras práticas criminosas.

O episódio também levanta questionamentos sobre a segurança das universidades públicas diante da radicalização política. No caso da UEL, a circulação das ameaças foi suficiente para exigir uma operação extraordinária de proteção aos estudantes, mesmo sem a ocorrência de violência durante a manifestação.

A Polícia Civil ainda não divulgou prazo para a conclusão do inquérito.

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