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Itaipu diz não ter dinheiro no Ueno, mas fundo de pensão paraguaio tem R$ 90 milhões no banco

Cajubi informou que aplicações representam 2,8% de seu patrimônio; Itaipu brasileira afirma que a crise não afeta a produção nem o fornecimento de energia

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Ueno Bank
Ueno Bank — Crédito: Divulgação

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A Itaipu Binacional informou que não tem recursos financeiros sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados no Ueno Bank, instituição paraguaia submetida a um processo de resolução pelo Banco Central do país. A empresa também afirmou que a crise não interfere na operação da usina, que mantém normalmente a produção e o fornecimento de energia.

A situação, porém, é diferente no lado paraguaio. A Caixa de Aposentadorias e Pensões dos funcionários de Itaipu no Paraguai, conhecida pela sigla Cajubi, confirmou ter aproximadamente 100,7 bilhões de guaranis investidos no Ueno. O valor corresponde a cerca de R$ 89,9 milhões e representa 2,8% do patrimônio da entidade, segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color. 

A informação amplia o alcance da crise financeira do banco, que atingiu não apenas clientes e empresas, mas também recursos destinados à previdência de trabalhadores da usina binacional.

Em nota, a Itaipu brasileira afirmou que suas aplicações financeiras seguem normas e procedimentos internos, com critérios de segurança, liquidez e rentabilidade. A empresa também declarou que a administração dos recursos respeita as competências de cada margem.

Questionada sobre os valores administrados pelo lado paraguaio, a comunicação brasileira da usina orientou a reportagem a procurar a assessoria da outra margem. Até o momento, não houve resposta.

Fundo paraguaio tinha valor maior do que o registrado em 2025

O montante informado pela Cajubi chama a atenção quando comparado aos dados do balanço anterior. Na memória institucional de 2025, o fundo registrava 41,3 bilhões de guaranis aplicados no Ueno Bank. O novo valor, de 100,7 bilhões de guaranis, é aproximadamente 2,4 vezes maior.

A diferença levanta questionamentos sobre quando os novos investimentos foram realizados e quais critérios foram utilizados para aprovar as aplicações. Até a divulgação das informações pelo ABC Color, a Cajubi não havia detalhado as datas de cada operação nem identificado os responsáveis pelas decisões de investimento. 

O fundo informou que mantém uma exposição limitada ao banco, equivalente a 2,8% de seus ativos, e afirmou que continuará trabalhando para recuperar os recursos dos participantes. Em comunicado anterior, a entidade também assegurou que o pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios seguirá normalmente, conforme o calendário previsto.

No Brasil, a previdência dos empregados da Itaipu é administrada pela Fundação Itaipu Binacional de Previdência e Assistência Social (Fibra). A Cajubi, portanto, é uma entidade distinta, responsável pelos benefícios dos trabalhadores vinculados à margem paraguaia.

Por que o Ueno Bank foi atingido

O Banco Central do Paraguai determinou, em 2 de novembro, o início do procedimento de resolução do Ueno Bank. A decisão ocorreu depois que a autoridade identificou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação, após ajustes realizados nos demonstrativos financeiros durante um processo de regularização.

O procedimento prevê a atuação de interventores para verificar a situação patrimonial do banco, preservar os ativos e conduzir uma solução ordenada. O objetivo declarado pelo Banco Central é proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro paraguaio.

A autoridade monetária também afirmou que o caso é específico e não representa uma crise generalizada entre os bancos do país. 

A intervenção provocou restrições de acesso aos recursos de clientes e empresas. O Ueno Bank tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, segundo informações divulgadas pela agência Associated Press.

A crise também ganhou dimensão política no Paraguai. O banco tinha ligações empresariais com o Grupo Vázquez, do qual o presidente Santiago Peña foi acionista até março de 2025. A relação passou a ser alvo de questionamentos da oposição, que levantou suspeitas de conflito de interesses. Peña nega irregularidades e afirma que não tinha investimento direto no Ueno. 

A situação dos recursos da Cajubi ainda depende de esclarecimentos sobre as aplicações e os procedimentos para eventual recuperação dos valores. Até agora, não há informação pública detalhada sobre quando cada investimento foi feito ou quais medidas serão adotadas para reaver o dinheiro.

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