Ex-candidato em Cascavel aparece em denúncia sobre financiamento de Milei a bolsonaristas foragidos
Léo Índio, que disputou vaga na Câmara Municipal em 2024, vive na Argentina e foi entrevistado em reportagem que aponta supostos pagamentos milionários a brasileiros procurados pela Justiça
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O ex-candidato a vereador de Cascavel Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio ou Léo Bolsonaro, voltou ao centro de uma controvérsia internacional envolvendo brasileiros foragidos da Justiça. Atualmente vivendo na Argentina, ele foi entrevistado pelo jornalista Enrique Ortiz em uma reportagem que denuncia supostos pagamentos mensais do governo de Javier Milei a bolsonaristas que deixaram o Brasil após os atos de 8 de janeiro de 2023. A acusação ganhou repercussão nesta sexta-feira (6) e envolve aproximadamente 336 brasileiros, dos quais cerca de 110 estariam instalados em Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná.
Léo Índio disputou uma vaga na Câmara Municipal de Cascavel nas eleições de 2024 pelo Progressistas (PP), utilizando o nome Léo Bolsonaro nas urnas. Recebeu 739 votos e não conseguiu se eleger. Na ocasião, sua candidatura foi apresentada como uma aproximação entre a família Bolsonaro e o grupo político do então candidato a prefeito Marcio Pacheco, também do PP. O político havia se estabelecido em Cascavel em novembro de 2023 e possui vínculos familiares com o Paraná.
Denúncia milionária
Segundo as informações apresentadas por Enrique Ortiz no programa argentino Telenueve Denuncia, cada brasileiro supostamente beneficiado receberia aproximadamente 2 milhões de pesos argentinos por mês, equivalentes a cerca de R$ 7,1 mil. Considerando os 336 brasileiros mencionados, os repasses alcançariam 672 milhões de pesos mensais, aproximadamente R$ 2,4 milhões.
A denúncia aponta que o dinheiro seria utilizado para despesas com hospedagem e manutenção dos brasileiros em território argentino. De acordo com relatos atribuídos a fontes próximas ao grupo, os valores seriam entregues pessoalmente, em espécie, por intermediários que visitariam os locais onde os brasileiros estão hospedados.
Até o momento, entretanto, não foram apresentados comprovantes financeiros, registros orçamentários ou documentos que confirmem os pagamentos. Também não há confirmação oficial da Comissão Nacional para os Refugiados (Conare) ou do Ministério do Interior argentino sobre a existência de um programa de assistência financeira destinado aos brasileiros.
O próprio Léo Índio, entrevistado por Ortiz, afirmou desconhecer os supostos repasses. Sua presença na reportagem não significa que tenha recebido dinheiro do governo argentino, tampouco há comprovação de que todos os brasileiros mencionados sejam beneficiários dos pagamentos denunciados.
De Cascavel à Argentina
A trajetória de Léo Índio já havia sido noticiada pela Gazeta do Paraná em janeiro de 2025, quando a Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia contra ele por sua suposta participação nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Primo de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, Léo Índio é acusado de crimes como associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A denúncia foi recebida pelo Supremo Tribunal Federal, tornando-o réu no processo relacionado aos acontecimentos de 8 de janeiro.
Em abril de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva após a saída do país e o descumprimento de medidas cautelares. Desde então, Léo Índio permanece na Argentina, onde busca regularizar sua situação migratória e obter proteção das autoridades locais.
A ligação com Cascavel acrescenta um componente regional à controvérsia. O brasileiro que agora aparece em uma investigação jornalística internacional participou diretamente da disputa eleitoral no município, utilizando o sobrenome Bolsonaro como identificação política, antes de deixar o país e se estabelecer do outro lado da fronteira paranaense.
Fronteira sob atenção
Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha a Foz do Iguaçu, tornou-se um dos locais de concentração de brasileiros que deixaram o país após serem investigados ou condenados por participação nos atos de 8 de janeiro. Segundo a denúncia apresentada na televisão argentina, aproximadamente 110 integrantes desse grupo estariam vivendo na cidade.
A região voltou a ganhar destaque depois da passagem de Flávio Bolsonaro pela fronteira, em 27 de outubro, quando o senador deixou o território brasileiro e seguiu viagem ao exterior a partir da Argentina. O episódio provocou questionamentos sobre as circunstâncias de sua saída e a eventual participação de autoridades argentinas.
Em 5 de novembro, a promotora federal argentina Paloma Ochoa solicitou a abertura de investigação para verificar se recursos públicos foram empregados na operação relacionada à passagem de Flávio Bolsonaro pelo país. O procedimento foi encaminhado à Justiça federal argentina, em Buenos Aires.
Apesar da proximidade temporal e geográfica, não há comprovação de que os supostos pagamentos mensais aos brasileiros e a operação envolvendo Flávio Bolsonaro estejam relacionados. São episódios distintos, cuja eventual conexão dependerá de informações documentais ou conclusões das autoridades competentes.
Relações diplomáticas
A denúncia surge em um momento de diferenças políticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. Embora os dois países mantenham relações econômicas e compromissos internacionais de cooperação judicial, a presença de brasileiros procurados pela Justiça em território argentino já vinha provocando discussões sobre pedidos de refúgio e extradição.
Caso seja comprovada a utilização de recursos públicos argentinos para custear a permanência dessas pessoas, a situação poderá ampliar os questionamentos sobre a política adotada pelo governo Milei e a destinação de verbas públicas.
Por enquanto, a acusação permanece baseada em relatos de fontes não identificadas, sem comprovação documental pública. A presença de Léo Índio entre os brasileiros instalados na Argentina, entretanto, estabelece uma conexão direta entre a denúncia internacional e Cascavel, município onde ele tentou iniciar uma carreira política nas eleições de 2024, antes de se tornar foragido da Justiça brasileira.
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