Quem é Pedro Alliana, vice que deve assumir a Presidência do Paraguai
Vice de Santiago Peña deve assumir o governo após renúncia do presidente, em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank
Pedro Alliana, de 52 anos, deve assumir a Presidência do Paraguai após a renúncia de Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. Integrante do Partido Colorado, o vice-presidente tem trajetória política no Executivo e no Legislativo e já se prepara para disputar a eleição presidencial de 2028.
A sucessão está prevista na Constituição paraguaia. Com a saída de Peña, Alliana deverá assumir o comando do país e concluir o mandato, que termina em agosto de 2028. A formalização da renúncia depende dos procedimentos institucionais no Congresso.
Nascido em Pilar, no departamento de Ñeembucú, Alliana é casado e pai de quatro filhos. Antes de ingressar na política, trabalhou no comércio e chegou a integrar a seleção paraguaia de basquete, participando de competições nacionais.
Ele também é formado em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián.
Trajetória política
Alliana iniciou sua trajetória política em 2006, quando disputou a prefeitura de Pilar. Em 2008, foi eleito governador do departamento de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012.
No ano seguinte, chegou à Câmara dos Deputados, onde permaneceu por dez anos, entre 2013 e 2023. Durante esse período, ocupou a presidência da Casa em diferentes momentos e ganhou espaço na estrutura do Partido Colorado, legenda que presidiu entre 2015 e 2023.
O partido, também conhecido como Associação Nacional Republicana (ANR), é uma das principais forças políticas do Paraguai e historicamente domina o cenário político do país. Alliana integra a mesma sigla de Peña e do ex-presidente Horacio Cartes.
Em abril de 2026, o vice-presidente anunciou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições de 2028. A iniciativa recebeu apoio de Peña e de Cartes.
Crise no Paraguai
A mudança no comando do governo ocorre após a crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que teve as atividades interrompidas por determinação do Banco Central do Paraguai na terça-feira (3).
O banco, controlado pelo Grupo Vázquez, tinha cerca de 3 milhões de clientes. A autoridade monetária identificou problemas nos índices de solvência da instituição, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
A situação deixou milhares de correntistas sem acesso aos próprios recursos e provocou protestos no país. O caso também passou a atingir o governo porque Peña foi acionista do grupo proprietário do banco até março de 2025.
A oposição acusa o presidente de conflito de interesses e levanta suspeitas sobre possíveis irregularidades na gestão da instituição e na atuação do Banco Central. As acusações também contribuíram para a abertura de um processo de impeachment contra Peña.
O pedido de afastamento de Alliana também foi discutido na Câmara dos Deputados, mas acabou rejeitado. Com isso, o vice-presidente fica livre para assumir a Presidência, caso a renúncia de Peña seja formalizada pelo Congresso.
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