Hugo Motta reúne apoio de 15 partidos para tentar reeleição na Câmara
Aliança reúne partidos de esquerda e do Centrão, soma 361 deputados eleitos e supera maioria necessária
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já reúne o apoio de 15 partidos para tentar permanecer no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. As legendas elegeram, juntas, 361 dos 513 deputados federais da próxima legislatura, o equivalente a 70,4% das cadeiras.
A aliança reúne partidos do Centrão e siglas de esquerda, incluindo o PT. O número de parlamentares supera os 257 votos necessários para vencer a eleição em primeiro turno. Apesar da vantagem na articulação partidária, Motta ainda não tem os votos individuais garantidos, já que a votação é secreta.
O PL, que elegeu a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, ainda não decidiu se apoiará a reeleição do atual presidente ou lançará um candidato próprio.
O União Brasil confirmou apoio a Motta na quarta-feira (4). A sigla elegeu 46 deputados para a próxima legislatura. “O nosso campo político está aqui nas ideias que o Hugo Motta representa”, afirmou o líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA).
Motta também recebeu apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma reunião no Palácio da Alvorada, em 26 de outubro.
Aliança reúne Centrão e partidos de esquerda
A articulação pela reeleição começou em 14 de outubro, quando partidos de centro anunciaram apoio ao atual presidente da Câmara. Na sequência, PSB e PDT aderiram ao movimento.
Em 27 de outubro, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, oficializou a participação na aliança. As três siglas elegeram 88 deputados para a próxima legislatura.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), justificou o apoio como uma forma de ampliar a governabilidade do próximo mandato de Lula. Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que a articulação também busca impedir que o PL conquiste o comando da Câmara.
A aproximação entre Motta e o governo federal não começou com a disputa pela Mesa Diretora. Em agosto, o presidente da Câmara declarou apoio à reeleição de Lula, apesar de o Republicanos ter mantido posição de neutralidade na disputa presidencial.
PL decide posição na próxima semana
O PL ainda discute se participará da aliança ou apresentará um candidato próprio. A decisão foi marcada para quarta-feira (11), quando a bancada deverá ouvir os deputados atuais e os eleitos para a próxima legislatura.
O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, é apontado como um dos defensores de um acordo com Motta. O grupo favorável à negociação teme que o PL perca espaço na distribuição de cargos da Mesa Diretora e na escolha das presidências das comissões permanentes.
Sem integrar o bloco majoritário, o partido poderia ter menos influência na definição dos colegiados. Entre as comissões mais disputadas está a de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das principais da Câmara.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), por outro lado, defende o lançamento de uma candidatura própria. “Existem coisas maiores em jogo agora do que meras comissões”, afirmou.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), que desistiu de disputar a presidência da Casa, informou que a bancada discutirá o posicionamento na reunião do dia 11.
Novo terá candidato próprio
O partido Novo, que elegeu dez deputados federais, anunciou que não apoiará a reeleição de Motta e pretende lançar um candidato próprio. Entre os nomes cogitados estão Adriana Ventura (SP), Luiz Lima (RJ) e Jeffrey Chiquini (PR).
No PL, Altineu Côrtes (RJ) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP) também aparecem como possíveis candidatos. O deputado Zé Trovão (SC) admite disputar a eleição de forma avulsa caso o partido não apresente um nome.
A federação PSOL-Rede ainda não anunciou qual será sua posição na disputa.
Resistência do PL envolve divergências políticas
A resistência de parte do PL à reeleição de Motta está relacionada a divergências durante sua gestão. Um dos principais pontos de atrito foi a condução das discussões sobre a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Em agosto de 2025, deputados da oposição ocuparam por dois dias a Mesa Diretora da Câmara para pressionar pela votação de propostas relacionadas à anistia e ao fim do foro privilegiado. Motta resistiu à pressão e trabalhou para retomar o controle das sessões.
No mês seguinte, a Câmara aprovou, por 311 votos a 163, a urgência de um projeto sobre anistia.
O distanciamento também aumentou durante a campanha presidencial de 2026. Enquanto Motta declarou apoio a Lula, o PL esteve alinhado à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em fevereiro de 2025, porém, o partido havia integrado a aliança que elegeu Motta pela primeira vez para a presidência da Câmara.
Motta teve segunda maior votação do século
Motta foi eleito presidente da Câmara em fevereiro de 2025, com 444 votos. Foi a segunda maior votação para o cargo desde 2001, atrás apenas de Arthur Lira (PP-AL), que recebeu 464 votos em 2023.
A eleição para o comando da Câmara está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos, com a presença de pelo menos 257 deputados. Caso ninguém alcance esse resultado, os dois mais votados disputam o segundo turno.
Como a votação é secreta, os parlamentares podem contrariar a orientação de seus partidos sem que seus votos sejam identificados. Por isso, o apoio de legendas que representam 70,4% das cadeiras não significa que Motta tenha a mesma quantidade de votos assegurados.
A disputa na Câmara ocorre em um cenário diferente do Senado, onde a eleição para a presidência também deve envolver uma articulação entre partidos de diferentes campos políticos. No caso da Câmara, a indefinição do PL é um dos principais fatores que ainda podem alterar a composição das alianças.
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