Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Paraguai revive crise de 2012 após Câmara aprovar impeachment de Santiago Peña

Câmara aprovou o processo por 78 votos a zero; caso segue ao Senado e relembra a destituição de Fernando Lugo, em 2012

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Fernando Lugo
Fernando Lugo — Crédito: Reprodução / Redes sociais

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5), por 78 votos a zero, a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A iniciativa ocorre em meio à crise provocada pelo fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso às contas. O caso agora segue para o Senado, responsável pelo julgamento e pela decisão sobre a destituição do chefe de Estado.

Peña anunciou que vai renunciar ao cargo horas antes da votação, mas os deputados deram continuidade ao processo. O presidente é acusado pela oposição de conflito de interesses, manipulação regulatória, uso indevido de recursos previdenciários e encobrimento institucional de irregularidades relacionadas ao banco. As acusações ainda precisam ser analisadas no processo político.

No Senado, a aprovação da destituição exige 30 votos favoráveis entre os 45 integrantes da Casa. Até lá, o processo não representa uma remoção definitiva do presidente.

A rapidez da crise política também trouxe à memória o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, em junho de 2012. Na ocasião, o processo foi concluído em menos de 36 horas e provocou questionamentos de organismos internacionais sobre o direito de defesa do então chefe de Estado.

O impeachment de Fernando Lugo

Em junho de 2012, o Congresso paraguaio afastou Fernando Lugo após um processo de impeachment iniciado na Câmara dos Deputados e concluído no Senado em aproximadamente 24 horas.

A crise que levou à destituição começou em 15 de junho daquele ano, quando um confronto entre policiais e camponeses sem-terra em Curuguaty, no leste do Paraguai, terminou com 17 mortos. O episódio provocou forte reação política e aumentou a pressão sobre o governo.

Lugo substituiu o chefe da Polícia Nacional e o ministro do Interior após o confronto. A decisão desagradou integrantes do Partido Liberal, que fazia parte da base de apoio ao presidente. A legenda retirou o apoio ao governo, abrindo caminho para o avanço do impeachment.

Em 21 de junho, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo por 76 votos a favor e um contrário. Três parlamentares estavam ausentes. No dia seguinte, o Senado julgou Lugo e aprovou sua destituição por 39 votos a quatro.

A defesa do presidente teve apenas duas horas para apresentar seus argumentos. Lugo contestou o processo e pediu à Suprema Corte paraguaia que anulasse a decisão. Também afirmou que a democracia do país havia sido profundamente ferida pelo afastamento.

A rapidez da votação provocou críticas internacionais. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), manifestou preocupação com o tempo concedido para a defesa e questionou se o procedimento havia respeitado as garantias necessárias a um julgamento imparcial.

Na época, países como Brasil, Chile, Venezuela e Uruguai retiraram seus embaixadores do Paraguai em reação à destituição.

O então secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, reconheceu que o procedimento estava previsto na Constituição paraguaia, mas criticou a rapidez da tramitação. Segundo ele, o tempo reduzido para a defesa criou questionamentos sobre a legitimidade do processo.

Crise do Ueno colocou Peña sob pressão

A crise atual começou após o Banco Central do Paraguai determinar a liquidação do Ueno Bank, na terça-feira (3). A autoridade monetária identificou problemas nos índices de solvência da instituição, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A interrupção das atividades deixou correntistas sem acesso ao dinheiro e provocou protestos no país.

Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025. A ligação anterior com o banco passou a ser explorada pela oposição, que também questiona a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição.

A crise deixou de ser apenas financeira e atingiu diretamente o governo. Além do processo de impeachment, o episódio provocou a saída de autoridades e a abertura de investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo executivos do banco.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.