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Eleições nos EUA: democratas conquistam cadeira republicana no Senado e disputam controle do Congresso

Americanos votam nesta terça-feira para renovar a Câmara, parte do Senado e escolher governadores; primeiros resultados apontam vitórias democratas, mas definição das maiorias ainda depende da apuração

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Congresso dos Estados Unidos, em Washington, nesta segunda-feira (2), véspera das eleições que definirão o controle da Câmara dos Representantes e do Senado durante os dois últimos anos do mandato de Donald Trump.
Congresso dos Estados Unidos, em Washington, nesta segunda-feira (2), véspera das eleições que definirão o controle da Câmara dos Representantes e do Senado durante os dois últimos anos do mandato de Donald Trump. — Crédito: J. Scott Applewhite/Associated Press (AP)

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), começaram a redesenhar o cenário político americano, com vitórias do Partido Democrata em disputas importantes para o Senado e governos estaduais. Entre os resultados anunciados está a conquista, pelo democrata Roy Cooper, de uma cadeira anteriormente ocupada pelo Partido Republicano na Carolina do Norte. A votação ocorre na metade do segundo mandato do presidente Donald Trump e definirá a composição do Congresso responsável por analisar projetos, aprovar recursos federais e fiscalizar o governo nos próximos dois anos.

Os eleitores americanos foram às urnas para escolher os 435 integrantes da Câmara dos Representantes, renovar 35 das 100 cadeiras do Senado e eleger governadores em 36 estados. Antes da votação, os republicanos controlavam as duas casas do Congresso, condição que permitia ao partido conduzir a agenda legislativa em conjunto com a Casa Branca.

A apuração ainda não permite determinar qual partido terá maioria na Câmara ou no Senado. O resultado depende especialmente de disputas em estados onde a diferença entre os candidatos é pequena e onde a contagem de votos pode prosseguir após o fechamento das urnas.

Democratas conquistam espaço no Senado

Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper, do Partido Democrata, venceu a disputa por uma cadeira do Senado anteriormente controlada pelos republicanos. A conquista representa uma mudança na distribuição partidária da representação estadual e integra o esforço democrata para ampliar sua bancada na Casa.

Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff conquistou a reeleição. O resultado mantém a cadeira sob controle do partido em um estado que tem protagonizado disputas eleitorais acirradas nos últimos anos.

Em New Hampshire, o democrata Chris Pappas também venceu a eleição para o Senado, superando o republicano John Sununu. A vitória mantém a representação da cadeira com os democratas.

Apesar desses resultados, a definição da maioria no Senado depende de outras disputas, incluindo estados como Michigan, Maine, Iowa, Ohio, Alasca e Texas. Como os senadores possuem mandatos de seis anos, apenas parte das cadeiras é renovada a cada eleição de meio de mandato.

Câmara pode alterar relação com Trump

A disputa pela Câmara dos Representantes é igualmente importante para o governo Trump. Todos os 435 deputados federais são eleitos a cada dois anos, e o partido que alcançar pelo menos 218 cadeiras terá maioria na Casa, considerando sua composição completa.

A Câmara exerce funções centrais na elaboração de leis, na aprovação de despesas federais e na fiscalização do Executivo. Uma mudança de maioria poderia alterar o ritmo de votação de propostas defendidas pelo presidente, além de ampliar a atuação das comissões parlamentares na investigação de decisões e políticas do governo.

O Senado, por sua vez, participa da aprovação de nomeações para cargos federais e do Judiciário, além de votar projetos legislativos e exercer outras competências previstas na Constituição americana.

Mesmo que os partidos dividam o controle das duas casas, a configuração resultante poderá exigir negociações entre a Casa Branca e parlamentares da oposição para a aprovação de medidas orçamentárias e legislativas.

Governadores também são escolhidos

As eleições desta terça-feira também definem governos estaduais. Em Illinois, o democrata JB Pritzker conquistou a reeleição, mantendo o comando do estado.

Os governadores possuem atribuições importantes sobre políticas públicas estaduais, segurança, educação, infraestrutura e administração de recursos. Também participam de debates nacionais sobre imigração, direitos civis e relações entre os estados e o governo federal.

Embora não integrem o Congresso, os resultados estaduais ajudam a demonstrar a distribuição territorial do apoio aos partidos e podem influenciar a organização das campanhas presidenciais futuras.

Economia e imigração no centro da disputa

O custo de vida aparece entre as principais preocupações dos eleitores americanos. Pesquisas realizadas durante o processo eleitoral apontam que inflação, preços de produtos e serviços, assistência à saúde e condições econômicas das famílias tiveram destaque nas decisões de voto.

A política migratória também ocupa posição central no debate. O governo Trump adotou medidas de endurecimento da fiscalização e do controle da imigração, tema que mobiliza diferentes segmentos do eleitorado e provoca divergências entre republicanos e democratas.

Questões relacionadas à política externa e à atuação militar americana também estiveram presentes na campanha. Os candidatos apresentaram posições distintas sobre prioridades de segurança nacional, gastos públicos e o papel dos Estados Unidos em conflitos internacionais.

A eleição ocorre em um momento no qual o desempenho econômico e as decisões da Casa Branca são avaliados pelos eleitores, mas os resultados também refletem disputas locais, características dos candidatos e temas específicos de cada estado.

Resultado terá efeitos até 2028

O novo Congresso assumirá suas funções em janeiro de 2027 e permanecerá em atividade durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.

Caso os republicanos mantenham o controle das duas casas, o governo continuará contando com maiorias partidárias para encaminhar sua agenda, embora a aprovação de projetos também dependa de negociações internas e das regras de votação do Senado.

Se os democratas conquistarem uma ou ambas as casas, poderão assumir o comando de comissões, ampliar a fiscalização parlamentar e interferir na tramitação de propostas do Executivo.

Os resultados definitivos também ajudarão a estabelecer o cenário político para a eleição presidencial de 2028, quando os americanos voltarão às urnas para escolher o próximo presidente.

Até a conclusão da contagem, o principal ponto em aberto permanece o controle do Congresso. As vitórias já anunciadas mostram mudanças na distribuição de cadeiras, mas ainda não são suficientes para definir a composição final do Legislativo americano.

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