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El Niño bate recorde histórico de aquecimento e aumenta risco de temporais no Paraná

Temperatura do Oceano Pacífico ficou 2,47°C acima da média em outubro, maior marca já registrada para o mês; Oeste, Sudoeste, Sul e Centro-Sul do Paraná estão entre as regiões com previsão de chuvas mais intensas

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
El Niño bate recorde histórico de aquecimento e aumenta risco de temporais no Paraná
— Crédito: Defesa civil

O fenômeno El Niño atingiu um novo recorde histórico de aquecimento em outubro de 2026, ampliando a preocupação com os impactos climáticos previstos para os próximos meses no Brasil. Dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ficou 2,47°C acima da média na região conhecida como Niño 3.4, o maior desvio já registrado para outubro na série histórica de monitoramento. No Paraná, as projeções indicam chuvas acima da média até o início de 2027, com maior atenção para as regiões Oeste, Sudoeste, Sul e Centro-Sul.

O novo índice confirma a intensificação do fenômeno, que já vinha apresentando temperaturas excepcionalmente elevadas desde o primeiro semestre. Em setembro, a anomalia havia alcançado 2,08°C, a segunda maior para aquele mês desde 1950. O avanço registrado em outubro reforça as projeções de que o El Niño poderá atingir intensidade muito forte entre novembro e janeiro.

O aquecimento ocorre em uma extensa faixa do Pacífico Equatorial e interfere na circulação atmosférica, alterando a distribuição de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do planeta. No Brasil, um dos efeitos mais conhecidos é o aumento da precipitação na Região Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais prolongados de estiagem.

Paraná sob atenção

No Paraná, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) prevê acumulados de chuva acima da média histórica durante a primavera e o início do verão. As regiões Oeste, Sudoeste, Sul e Centro-Sul aparecem entre as áreas com maior possibilidade de desvios positivos de precipitação, segundo as projeções divulgadas pelo órgão estadual.

A principal preocupação não está apenas no volume total de chuva, mas também na possibilidade de concentração de grandes quantidades de água em intervalos curtos. Esse comportamento pode favorecer a ocorrência de temporais severos, descargas elétricas, granizo, enxurradas e elevação rápida do nível de rios e córregos.

O Simepar ressalta, entretanto, que o El Niño não determina isoladamente a ocorrência de eventos extremos. A intensidade e a localização das chuvas dependem da atuação de frentes frias, sistemas de baixa pressão e outras condições atmosféricas, o que exige acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas.

A perspectiva de precipitações elevadas também representa um ponto de atenção para municípios que apresentam histórico de alagamentos, problemas de drenagem urbana e ocupações em áreas suscetíveis a inundações.

Fenômeno pode continuar até março

O boletim mais recente do Painel El Niño, divulgado em 29 de outubro por instituições federais, aponta que o fenômeno deverá permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. As projeções indicam intensidade forte a muito forte, com possibilidade de que o episódio atual esteja entre os mais intensos registrados desde 1950.

Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, o Inmet e os demais órgãos responsáveis pelo monitoramento climático apontam maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste. Em contrapartida, grande parte do Norte e áreas do Nordeste apresentam tendência de precipitações abaixo dos padrões históricos.

As temperaturas também deverão permanecer acima da média em praticamente todo o território nacional, embora o Rio Grande do Sul apresente tendência de temperaturas inferiores ao normal no período analisado.

A intensidade do fenômeno, no entanto, não significa que todas as localidades enfrentarão necessariamente desastres climáticos. Os órgãos de monitoramento destacam que episódios mais fortes aumentam a probabilidade de determinados padrões meteorológicos, mas seus efeitos variam conforme as características regionais.

Agricultura também pode ser afetada

O excesso de umidade representa outro desafio para o Paraná, especialmente em um período importante para o calendário agrícola. A concentração de chuvas pode dificultar o trabalho de máquinas, atrasar operações de plantio e colheita e comprometer a qualidade de determinadas culturas.

O Inmet já havia alertado, em outubro, que a umidade excessiva poderia prejudicar operações agrícolas na Região Sul. Entre os principais pontos de atenção estão a colheita das culturas de inverno e a implantação das lavouras de verão, especialmente quando os períodos de chuva reduzem as oportunidades de trabalho no campo.

Por outro lado, a disponibilidade de água também pode beneficiar culturas em desenvolvimento, desde que as precipitações ocorram de maneira bem distribuída. Os efeitos sobre a produção dependem, portanto, do volume, da frequência e da intensidade das chuvas em cada região.

Municípios reforçam prevenção

Diante das previsões, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil intensificou as orientações aos municípios paranaenses. Segundo levantamento divulgado pelo Governo do Estado em outubro, 278 prefeituras já haviam realizado pelo menos uma ação preventiva relacionada aos riscos associados ao El Niño.

Entre as medidas estão limpeza de bueiros e galerias pluviais, desassoreamento de rios e canais, atualização de planos de contingência e realização de exercícios de preparação para situações de emergência.

A rede estadual de ensino também iniciou ações de orientação para possíveis ocorrências de vendavais, granizo, inundações e alagamentos. O trabalho envolve protocolos de segurança e exercícios simulados em unidades escolares.

O monitoramento permanece sob responsabilidade dos órgãos meteorológicos e de Defesa Civil, que acompanham a evolução das condições atmosféricas e hidrológicas. A população pode receber alertas gratuitos por SMS, mediante o envio do CEP para o número 40199.

Com o novo recorde de aquecimento registrado em outubro e a previsão de manutenção do El Niño durante o verão, a recomendação dos órgãos oficiais é acompanhar os boletins meteorológicos e os avisos de risco, especialmente nas localidades mais vulneráveis a eventos de chuva intensa.

 

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