Trump diz que acordo provisório com o Irã "acabou" após novos ataques e tensão faz petróleo disparar
Presidente dos EUA afirma que não pretende mais negociar com Teerã; escalada militar aumenta temor por bloqueios no Estreito de Ormuz e pressiona mercados
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o acordo provisório firmado com o Irã para interromper a guerra entre os dois países. A declaração foi feita após Teerã lançar novos ataques contra bases militares norte-americanas no Barein e no Kuwait, intensificando novamente o conflito no Oriente Médio.
A nova escalada de hostilidades provocou forte alta nos preços internacionais do petróleo e aumentou as preocupações com a segurança no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo.
O conflito voltou a se intensificar depois que forças norte-americanas realizaram novos ataques contra alvos iranianos em resposta a ofensivas contra navios-tanque que navegavam pelo estreito.
Os confrontos enfraquecem ainda mais o cessar-fogo já considerado frágil e reduzem as perspectivas de transformar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho em um acordo definitivo de paz. A guerra teve início em 28 de fevereiro, após ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano.
Antes de participar da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia, Trump foi questionado se o memorando ainda estava em vigor.
"É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles", afirmou.
O presidente norte-americano também fez duras críticas ao governo iraniano.
"Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes", declarou a jornalistas. "Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles."
Embora Trump tenha recuado de ameaças em ocasiões anteriores, as declarações desta quarta-feira repercutiram imediatamente no mercado financeiro. Os preços do petróleo dispararam, enquanto bolsas de valores registraram queda.
Ataques ampliam tensão no Estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Barein e no Kuwait e afirmou ainda ter derrubado um drone norte-americano MQ-9 que, segundo Teerã, tentava interferir na operação.
Os ataques ocorreram depois de uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos e da revogação da licença que permitia ao Irã vender petróleo no mercado internacional, medida adotada em resposta aos ataques contra três navios-tanque no Estreito de Ormuz.
O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) informou que mais de 60 pequenas embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária estavam entre os alvos atingidos pela operação militar. Segundo o governo americano, a ação buscou impor custos elevados ao Irã pelos ataques contra embarcações comerciais.
"A agressão injustificada das forças iranianas é uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação", afirmou o Centcom em comunicado.
Dados de monitoramento marítimo mostram que pelo menos quatro navios-tanque de petróleo e gás desistiram de cruzar o Estreito de Ormuz após o agravamento da situação.
Otan e União Europeia condenam ataques
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que os novos ataques norte-americanos eram "absolutamente necessários".
Já a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, criticou os ataques iranianos contra o Barein e o Kuwait.
"As trocas de disparos entre os EUA e o Irã complicam ainda mais as negociações, que já estavam tensas, para encerrar a guerra. Os ataques do Irã ao Barein e ao Kuwait são inaceitáveis", publicou na rede social X.
Irã acusa EUA de violarem cessar-fogo
O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, responsável pelo comando militar conjunto iraniano, classificou a ofensiva americana como um "ato flagrante de agressão" e prometeu uma "resposta esmagadora". O comando também afirmou que não permitirá interferências dos Estados Unidos na administração do Estreito de Ormuz.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou Washington de romper o acordo de cessar-fogo ao promover novos ataques militares e renovar as sanções contra o petróleo iraniano.
"A era da intimidação e da extorsão acabou", escreveu Qalibaf no X. "Não cederemos."
A imprensa iraniana informou ainda que explosões foram registradas na Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do país, além da Ilha de Qeshm e das cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas.
Segundo uma autoridade americana ouvida pela Reuters, os ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea, radares costeiros, mísseis terra-ar, mísseis antinavio e bases de lançamento de drones.
As autoridades informaram que não houve mortes de civis, mas pessoas ficaram feridas após estilhaços atingirem um cais comercial em Sirik. Também foram registrados danos em estruturas portuárias de pesca em Sirik e Bandar Abbas.
Petróleo sobe após novas sanções
A tensão também aumentou depois que os Estados Unidos revogaram, na terça-feira (7), a licença que permitia ao Irã exportar petróleo bruto e derivados até agosto.
Com a decisão, Teerã terá até 17 de julho para encerrar as operações comerciais autorizadas anteriormente.
A medida provocou alta superior a 3% no preço internacional do petróleo.
O governo iraniano classificou a revogação da licença como uma violação do acordo preliminar de paz e afirmou que tomará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses e sua segurança nacional.
Acusações sobre ataques a navios
Embora negue envolvimento nos recentes ataques a navios comerciais, o Irã foi responsabilizado pelo Catar pelos ataques contra embarcações que navegavam pelo Estreito de Ormuz.
Entre elas está o navio de gás natural liquefeito Al Rekayyat, que, segundo Doha, foi atingido por um drone, provocando incêndio na casa de máquinas. A tripulação foi evacuada em segurança.
Um petroleiro de bandeira saudita, identificado como o superpetroleiro Wedyan, também sofreu danos próximo ao litoral de Omã. As causas ainda são investigadas.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as acusações do Catar são infundadas e reiterou que o país cumpre seus compromissos internacionais. Apesar disso, alertou que embarcações comerciais correm riscos caso utilizem rotas não coordenadas com as autoridades iranianas.
Segundo uma autoridade norte-americana, as primeiras informações indicam que o Irã disparou contra três embarcações comerciais.
Analistas avaliam que Teerã utiliza a pressão sobre o Estreito de Ormuz como instrumento de negociação, tentando ampliar seu poder de barganha em futuras conversações com Washington.
O cessar-fogo previa um período de 60 dias para negociações sobre um acordo permanente, mas as conversas indiretas realizadas no Catar foram encerradas na semana passada sem avanços.
Nos últimos dias, Trump voltou a ameaçar retomar os bombardeios caso o Irã não aceite um acordo definitivo.
Já o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que as negociações somente poderão ser retomadas quando cessarem as ameaças militares dos Estados Unidos.
