Só 1 em cada 5 motociclistas de aplicativo tem cobertura previdenciária no Brasil
Número de trabalhadores por plataformas quase dobrou desde 2022; apesar de jornada maior, categoria tem baixa proteção social
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O Brasil tem cerca de 405 mil pessoas que trabalham como motociclistas por meio de aplicativos de transporte de passageiros e de entrega de produtos. Desse total, apenas 79 mil possuem cobertura previdenciária, o equivalente a 19,4% ou aproximadamente um em cada cinco trabalhadores.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações coletadas ao longo de 2025.
O índice de proteção previdenciária entre os motociclistas que trabalham por aplicativos está muito abaixo da média registrada entre todos os trabalhadores ocupados no setor privado. Nesse grupo, 62,4% possuem cobertura.
Considerando todos os motociclistas do país, independentemente de trabalharem ou não por plataformas digitais, a cobertura previdenciária chega a 31%.
RISCO MAIOR, PROTEÇÃO MENOR
A baixa cobertura chama atenção porque a atividade envolve exposição a acidentes e outros riscos relacionados ao trabalho.
Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE, a pequena parcela dos motociclistas plataformizados protegida pela Previdência contrasta justamente com as características da ocupação.
Os benefícios previdenciários podem garantir ao trabalhador acesso a aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte, desde que cumpridos os requisitos previstos na legislação.
QUASE DOBROU EM TRÊS ANOS
O número de motociclistas que trabalham por aplicativos vem crescendo rapidamente.
Entre 2024 e 2025, houve aumento de 15,4%. Já na comparação com 2022, primeiro ano em que a pesquisa levantou esse tipo de informação, o contingente praticamente dobrou: passou de 211 mil para 405 mil trabalhadores.
A pesquisa do IBGE é considerada experimental e ainda está em fase de avaliação. Em 2023, não houve coleta dessas informações.
MAIOR RENDA POR HORA
Apesar da baixa cobertura previdenciária, os motociclistas de aplicativos apresentaram rendimento médio por hora superior ao dos demais motociclistas.
Em 2025, o rendimento médio por hora dos trabalhadores ligados às plataformas foi de R$ 11,40, contra R$ 10,10 entre os motociclistas que não trabalhavam por aplicativos — uma diferença de 12,9%.
A jornada também foi maior. Os motociclistas plataformizados trabalharam, em média, 44,9 horas por semana, enquanto os demais tiveram jornada semanal de 41,1 horas.
O rendimento mensal efetivamente retirado pelos motociclistas de aplicativos ficou em R$ 2.221, valor que já considera despesas como combustível.
MOTORISTAS TAMBÉM TÊM BAIXA COBERTURA
A situação não é exclusiva dos motociclistas.
Em 2025, o Brasil tinha cerca de 905 mil motoristas que trabalhavam por meio de aplicativos, número 9,8% maior que o registrado no ano anterior. Em três anos, o crescimento foi de 26%.
Entre esses trabalhadores, apenas 25,5% tinham cobertura previdenciária — ou seja, aproximadamente um em cada quatro.
O índice também é inferior ao registrado entre todos os motoristas do país, considerando trabalhadores de aplicativos e os que não atuam por plataformas, cuja cobertura chega a 43,8%.
No caso dos motoristas de aplicativos, a pesquisa mostra ainda uma diferença em relação aos motociclistas: o rendimento por hora é menor que o dos profissionais que não trabalham por plataformas.
Em 2025, os motoristas de aplicativos tinham jornada média de 45,9 horas semanais e rendimento de R$ 14,40 por hora. Os demais motoristas trabalhavam 40,4 horas por semana e recebiam R$ 16 por hora.
Mesmo assim, o rendimento mensal dos motoristas de aplicativos ficou em R$ 2.873, 2,4% acima do registrado entre os motoristas não plataformizados.
O levantamento do IBGE expõe, portanto, um dos principais desafios do trabalho por plataformas: o crescimento acelerado desse mercado não foi acompanhado pelo mesmo nível de proteção previdenciária. Entre motociclistas e motoristas, a maioria ainda trabalha sem cobertura que assegure benefícios em situações como incapacidade, aposentadoria ou morte.
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