Créditos: Roberto Dziura/AEN
Estado renova calamidade em Rio Bonito do Iguaçu após 6 meses de tornado devastador
Novo decreto de 180 dias permite a continuidade de obras e repasses emergenciais; cidade teve 90% da área urbana destruída e ainda recupera serviços de saúde, educação e infraestrutura
Seis meses após o tornado que devastou grande parte de Rio Bonito do Iguaçu, o Governo do Paraná homologou um novo decreto de estado de calamidade pública para o município. A medida foi oficializada nesta quinta-feira (7) e permite a continuidade das ações de reconstrução da cidade, que teve cerca de 90% da área urbana atingida pelo desastre climático.
O novo decreto substitui a medida anterior, que havia perdido validade após 180 dias. O reconhecimento teve parecer favorável da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil e aval da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Com validade também de 180 dias, o decreto facilita contratações emergenciais e amplia a possibilidade de acesso a recursos estaduais e federais para obras e atendimento à população afetada.
Segundo o governo estadual, a prefeitura não possui capacidade financeira para arcar sozinha com os custos da recuperação da cidade.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, afirmou que o decreto também evita entraves relacionados ao período eleitoral.
“A legislação eleitoral traz muitas restrições administrativas à União e ao Estado, que não podem implementar ações que envolvam transferência de recursos. A lei eleitoral, porém, não impede auxílio em situações emergenciais”, explicou.
Cidade ainda enfrenta impactos do desastre
De acordo com parecer técnico da Defesa Civil, mesmo após meses de trabalho e mobilização de recursos, os impactos do tornado ainda permanecem em diferentes áreas do município.
O relatório aponta danos em prédios públicos essenciais, residências e estruturas de atendimento à população.
Também há comprometimento de serviços nas áreas de assistência social, educação e saúde, além de prejuízos econômicos nos setores da agricultura, pecuária, comércio, indústria e prestação de serviços.
A Defesa Civil cita ainda danos ambientais relevantes, incluindo destruição de vegetação, áreas de preservação permanente e degradação de ecossistemas.
Em algumas regiões rurais, comunidades ainda enfrentam dificuldades de acesso.
Tornado matou cinco pessoas
O tornado atingiu Rio Bonito do Iguaçu em 7 de novembro de 2025 e foi classificado como F3 na escala Fujita, utilizada para medir intensidade de tornados.
Segundo o governo estadual, os ventos ultrapassaram 250 km/h.
O fenômeno destruiu residências, comércios e prédios públicos e deixou cinco mortos.
Mais de R$ 60 milhões já foram investidos
Desde o desastre, o Governo do Paraná afirma ter investido mais de R$ 60 milhões em ações de recuperação da cidade.
Parte dos recursos veio do Fundo Estadual para Calamidades Públicas, que repassou R$ 11,5 milhões para compra de materiais de construção e ônibus escolares.
Outros R$ 18,6 milhões foram liberados pela Fomento Paraná para empresas atingidas pelo tornado.
O governo também encaminhou projetos à Assembleia Legislativa do Paraná
para alterar regras do Fecap e permitir repasses diretos a famílias e empresas afetadas por desastres naturais.
Além disso, o fundo recebeu aporte extra de R$ 50 milhões para auxiliar na reconstrução do município.
Famílias receberam auxílio financeiro
Entre os programas criados após o tornado está o Reconstrução, que liberou valores entre R$ 20 mil e R$ 50 mil para mais de 830 famílias que tiveram casas destruídas ou danificadas.
Os recursos podem ser usados na reconstrução das moradias e compra de materiais de construção.
Outro programa implantado foi o Superação, que prevê pagamento de R$ 1 mil mensais durante seis meses para famílias atingidas.
Segundo o governo estadual, até maio, o programa já havia destinado R$ 10,9 milhões a 1.983 famílias.
Empresas e obras públicas também recebem apoio
Empresas afetadas pelo tornado também serão contempladas com recursos estaduais. O governo prevê a destinação de R$ 10 milhões para cerca de 300 empreendimentos dos setores de comércio, serviços e indústria.
As ações de reconstrução incluem ainda recuperação de unidades de saúde, escolas, ginásios, centros de educação infantil e do Pronto Atendimento Municipal.
O Estado também iniciou a construção de moradias pré-fabricadas por meio da Companhia de Habitação do Paraná.
Além das casas já entregues, foi firmado convênio de R$ 10,4 milhões para construção de outras 80 moradias no município.
