Com dólar em queda, comércio brasileiro cresce 0,5% em março e bate novo recorde
Varejo registra terceira alta seguida impulsionado pela venda de produtos importados; setor acumula crescimento de 1,8% em 12 meses
Créditos: Valter Campanato/Agência Brasil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quarta-feira (13) que o comércio varejista brasileiro cresceu 0,5% em março na comparação com fevereiro, atingindo o maior nível da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio.
O resultado representa a terceira alta consecutiva do setor e foi impulsionado, principalmente, pela queda do dólar frente ao real, que favoreceu a venda de produtos importados e estimulou promoções no varejo.
Na comparação com março do ano passado, o comércio avançou 4%. Já no acumulado de 12 meses, o crescimento é de 1,8%.
Segundo o analista da pesquisa, Cristiano Santos, o setor mantém tendência positiva desde outubro de 2025, mesmo após a leve retração registrada em dezembro.
Entre os oito segmentos pesquisados pelo IBGE, cinco apresentaram crescimento em março. O maior avanço foi registrado no setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com alta de 5,7%.
De acordo com o instituto, o desempenho está diretamente ligado à valorização do real frente ao dólar, que reduziu os preços de produtos importados e incentivou promoções no setor de eletrônicos e informática.
Em março deste ano, a cotação média do dólar ficou em R$ 5,23, abaixo dos R$ 5,75 registrados no mesmo período do ano passado.
Outros segmentos que registraram crescimento foram combustíveis e lubrificantes, com alta de 2,9%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, também com 2,9%; livros, jornais, revistas e papelaria, com 0,7%; e produtos farmacêuticos e de perfumaria, com avanço de 0,1%.
Por outro lado, hiper e supermercados setor que representa mais da metade do comércio varejista brasileiro apresentaram queda de 1,4% em março. Segundo o IBGE, o recuo foi influenciado pela inflação dos alimentos, que reduziu o consumo no período.
O setor de móveis e eletrodomésticos caiu 0,9%, enquanto o segmento de tecidos, vestuário e calçados ficou estável.
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado alimentício, o crescimento foi de 0,3% entre fevereiro e março. No acumulado de 12 meses, a alta é de 0,2%.
Especialistas avaliam que a combinação entre mercado de trabalho aquecido, melhora da renda e dólar mais baixo continua sustentando o consumo e o desempenho positivo do comércio brasileiro, apesar das pressões inflacionárias em alguns setores da economia.
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