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Ratinho nomeia para a 7ª Regional de Saúde ex-secretário alvo de ações, denúncia por peculato e condenação judicial

Novo chefe da Regional de Pato Branco comandará 15 municípios mesmo acumulando processos por improbidade administrativa, investigação criminal por peculato e condenação relacionada ao caso Ozempic

Por Gazeta do Paraná

Ratinho nomeia para a 7ª Regional de Saúde ex-secretário alvo de ações, denúncia por peculato e condenação judicial Créditos: Divulgação

Uma nomeação publicada pelo Governo do Paraná no último dia 22 de maio está gerando questionamentos nos bastidores da política estadual. Por meio do Decreto nº 13.790/2026, o governador Ratinho Junior nomeou Ivoliciano Leonarchik, conhecido politicamente como "Ivo da Saúde", para assumir o cargo de diretor da 7ª Regional de Saúde, sediada em Pato Branco e responsável pelo atendimento de 15 municípios do Sudoeste paranaense.

A decisão chama atenção porque ocorre em meio a uma série de processos judiciais, investigações e condenações envolvendo o novo dirigente regional. O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado e estabelece a nomeação de “Ivo da Saúde” para um cargo estratégico dentro da estrutura estadual da saúde. A regional é responsável por coordenar ações, programas e políticas públicas que impactam milhares de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em toda a região.

Nos bastidores do governo, fontes ouvidas pela reportagem afirmam que Ivo da Saúde é considerado um dos principais aliados políticos e administrativos do ex-secretário estadual de Saúde, Beto Preto. Integrantes do meio político regional chegam a classificá-lo como um dos "pupilos" do ex-chefe da pasta, que permanece como uma das figuras mais influentes da área da saúde no Paraná.

O que chama atenção é que, nas três principais cidades por onde sua trajetória administrativa deixou registros judiciais: Pato Branco, Chopinzinho e Mangueirinha, há processos ou investigações relacionados ao seu nome.
Documentos obtidos pela reportagem mostram que Leonarchik responde a diversas ações civis de improbidade administrativa. Somente na Comarca de Mangueirinha existem quatro ações em tramitação, algumas delas envolvendo valores milionários. Os processos somam mais de R$ 2,9 milhões em causas relacionadas a supostos prejuízos ao patrimônio público.

Na Comarca de Chopinzinho, há registro de ação de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público do Paraná desde 2021.
Já em Pato Branco, uma certidão judicial aponta a existência de um Procedimento Investigatório Criminal por peculato. O documento registra que a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi recebida pela Justiça em abril de 2025.

Caso Ozempic

O caso de maior repercussão envolve uma ação penal relacionada ao desaparecimento de ampolas do medicamento semaglutida, conhecido comercialmente como Ozempic. Segundo a denúncia do Ministério Público, o então gestor teria utilizado a estrutura pública para retirar medicamentos adquiridos por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde (Conims). A acusação aponta que ao menos 13 ampolas foram retiradas entre 2022 e 2023, gerando prejuízo superior a R$ 10 mil aos cofres públicos.

O processo tramitou na Vara Criminal e resultou em sentença proferida em maio deste ano. A ação foi julgada parcialmente procedente pela Justiça.
Além dos processos por improbidade e das investigações por peculato, o nome de Leonarchik aparece em diferentes procedimentos judiciais ligados à sua atuação como gestor público, situação que levanta questionamentos sobre os critérios adotados pelo governo estadual para a escolha de ocupantes de cargos estratégicos.

A nomeação ganha ainda mais relevância pelo alcance da função. Como diretor da 7ª Regional de Saúde, Ivo da Saúde passa a ser responsável pela articulação de políticas públicas, distribuição de recursos, programas e ações que envolvem 15 municípios do Sudoeste do Paraná.
Enquanto os processos seguem tramitando na Justiça, a decisão do governador Ratinho Junior de promover Leonarchik para um cargo de comando regional já provoca reações nos meios político e jurídico, especialmente diante do histórico de investigações e ações que acompanham sua trajetória administrativa.

Questionamentos sobre a gestão

A sequência de processos judiciais coloca em evidência a atuação administrativa do ex-secretário e levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle adotados na gestão da saúde pública municipal.
Somente os documentos consultados pela reportagem apontam ações por improbidade administrativa em três comarcas diferentes, além de investigações criminais relacionadas ao exercício da função pública.

Os processos ainda podem gerar novos desdobramentos judiciais, tanto na esfera criminal quanto na cível. Enquanto isso, as investigações seguem alimentando debates sobre transparência, fiscalização e responsabilidade na gestão de recursos públicos da saúde.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação de Ivoliciano Leonarchik, do Governo do Paraná e dos demais citados.

Foto: Divulgação

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp