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Governo do Paraná firmou R$ 23 milhões em contratos com empresa envolvida em investigações

A empresa é uma das responsáveis pelo fornecimento de uniformes para estudantes da rede pública estadual

Governo do Paraná firmou R$ 23 milhões em contratos com empresa envolvida em investigações Créditos: Lucas Fermin/SEED

A empresa catarinense Nilcatex Têxtil, alvo de denúncias e investigações em diferentes estados brasileiros ao longo dos últimos anos, segue mantendo contratos milionários com o Governo do Paraná. Somente em 2026, constam no portal da transparência, ao menos nove contratos firmados entre o Paraná e a companhia, que juntos somam R$ 23.483.352,06.

A empresa é uma das responsáveis pelo fornecimento de uniformes para estudantes da rede pública estadual e já esteve no centro de controvérsias relacionadas à aquisição de uniformes escolares militares no Paraná, além de episódios envolvendo suspeitas de irregularidades em outros estados.

Os contratos mais recentes reforçam a presença da Nilcatex no fornecimento de vestuário escolar ao Estado, mesmo diante de um histórico marcado por denúncias de supostas fraudes em licitações, questionamentos sobre qualidade dos produtos e investigações envolvendo órgãos de controle.

A empresa ganhou notoriedade no Paraná durante a implantação dos colégios cívico-militares. Na época, a compra dos uniformes escolares se tornou alvo de denúncias feitas por parlamentares da oposição e motivou representações junto ao Ministério Público.

Uma das principais suspeitas envolvia a empresa Triunfo Comércio e Importação, apontada como vencedora de pregão milionário para fornecimento de uniformes escolares militares. Segundo denúncias apresentadas pelo deputado federal Gustavo Fruet e pelo deputado estadual Tadeu Veneri, a Triunfo teria ligação direta com a Nilcatex, compartilhando sócios e estrutura empresarial.

Os parlamentares afirmavam que a Triunfo funcionaria como uma suposta empresa de fachada utilizada para vencer licitações públicas. Os sócios aparecem vinculados tanto à Triunfo quanto à Nilcatex, além de outros CNPJs do mesmo ramo.

Na época, o Governo do Paraná já havia pago quase R$ 40 milhões relacionados à aquisição de uniformes dos colégios militarizados. As denúncias apontavam ainda possíveis direcionamentos no edital da licitação para favorecer a empresa vencedora.

Outro ponto que gerou repercussão foram reclamações sobre a qualidade dos uniformes entregues aos estudantes. Pais relataram que camisetas eram transparentes e apresentavam problemas de tamanho, especialmente para alunos obesos.

Gustavo Fruet chegou a afirmar que as peças distribuídas “expunham” estudantes devido à baixa qualidade do tecido. Segundo ele, além da transparência das camisetas, muitos kits não contemplavam tamanhos adequados para todos os alunos.

As críticas não se restringem ao Paraná. A Nilcatex possui um histórico de questionamentos em outros estados brasileiros. Em 2009, o Ministério Público de Roraima ingressou com ação civil pública pedindo o cancelamento de contrato firmado com a empresa. Entre os apontamentos estavam supostas irregularidades no processo licitatório, violação aos princípios da publicidade, moralidade e legalidade, além de suspeitas de superfaturamento.

No Amazonas, a empresa também foi alvo de críticas após contrato milionário para fornecimento de uniformes escolares firmado pela Secretaria de Educação. O caso repercutiu após denúncias feitas pelo deputado estadual Dermilson Carvalho.

Já em Santa Catarina, a Nilcatex foi citada em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou esquema de sonegação fiscal estimado em R$ 300 milhões entre os anos de 1997 e 2000. Segundo informações divulgadas à época, o proprietário foi condenado no fim de 2003.

Além disso, a empresa e um de seus proprietários também foram condenados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Na 179ª reunião do órgão, o processo administrativo nº 08700.008612/2012-5 resultou em multas milionárias. A Nilcatex recebeu penalidade superior a R$ 20 milhões, enquanto um dos proprietários foi multado em mais de R$ 4 milhões.

A companhia também apareceu citada em investigações relacionadas ao chamado escândalo da “Máfia dos Uniformes”, em São Paulo. Um ex-executivo ligado à empresa teria reconhecido pagamento de comissão sobre vendas de uniformes escolares.

Outros episódios envolvendo fornecimento de materiais também repercutiram nacionalmente. No Amazonas, houve críticas relacionadas à entrega de máscaras consideradas inadequadas durante a pandemia. Em municípios e estados de diferentes regiões do país, contratos ligados ao grupo empresarial já motivaram denúncias, ações judiciais e investigações administrativas.

No Paraná, as denúncias envolvendo os uniformes cívico-militares motivaram representações no Ministério Público por parte de parlamentares da oposição. Entre os questionamentos apresentados estava o fato de a Secretaria Estadual de Educação ter utilizado referências da própria Nilcatex para definição das especificações dos uniformes posteriormente licitados.

Em resposta às denúncias apresentadas na época, o Governo do Paraná afirmou que o processo ocorreu dentro da legalidade e seguiu todos os trâmites previstos para o pregão eletrônico realizado pelo Departamento de Logística para Contratações Públicas da Secretaria de Administração.

O Estado também declarou que houve economia de 34,63% em relação ao valor máximo inicialmente previsto para os contratos e afirmou acompanhar a execução contratual. Sobre os problemas relatados em outros estados, o governo disse que não comentaria casos externos ao processo paranaense.

Mesmo diante do histórico de controvérsias, os contratos continuam sendo firmados. Apenas em 2026, os nove contratos assinados pelo Governo do Paraná com a Nilcatex somam mais de R$ 23,4 milhões, reforçando a presença da empresa no fornecimento de uniformes para estudantes da rede pública estadual.

A Gazeta do Paraná procurou o Governo do Paraná para entender a contratação da empresa, mas até o momento o estado não respondeu as solicitações.

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