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Comissão de prevenção à violência contra médicos debate segurança de profissionais da saúde

Comissão discutiu o aumento dos casos de agressões contra profissionais da saúde e os impactos da sobrecarga no sistema público

Por Julia Maraschi

Comissão de prevenção à violência contra médicos debate segurança de profissionais da saúde Créditos: Divulgação

A violência contra médicos e profissionais da saúde esteve no centro das discussões da Comissão de Prevenção à Violência Contra Médicos, realizada nesta quinta-feira (28), em Ponta Grossa. O encontro reuniu representantes da classe médica para debater o aumento de agressões físicas, verbais e psicológicas registradas dentro das unidades de saúde no Paraná, especialmente na rede pública, e teve como objetivo reforçar a importância do respeito ao profissional médico, da denúncia de casos de violência e da garantia de condições seguras para o exercício da Medicina. 

Dados divulgados pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) no ano de 2025 concluem que o Paraná ocupa atualmente a segunda maior posição entre os estados brasileiros com maior número de agressão contra médicos, registrando cerca de 767 denúncias anuais, o estado de São Paulo conta com o maior número de violência. Segundo a Comissão de Prevenção à Violência Contra Médicos do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), aproximadamente 87% dos casos acontecem no setor público. 

Durante a reunião, profissionais relataram que a sobrecarga do sistema de saúde, o longo tempo de espera por atendimento, a falta de estrutura nas unidades e o déficit de equipes têm contribuído diretamente para o aumento da tensão entre pacientes e médicos. 

Valorização dos profissionais 

A campanha também ressaltou a importância dos médicos generalistas que atuam na linha de frente na rede pública, e lidam diretamente com os serviços de maior demandas do sistema, enfrentando diariamente com diferentes tipos de emergências e atendimentos de alta pressão assistencial.
A iniciativa integra as ações institucionais do CRM-PR em defesa do exercício ético e seguro da Medicina, da valorização profissional e da proteção da sociedade.

Casos de violência

As situações mais frequentes envolvem agressões verbais, ameaças, assédio moral e intimidações motivadas, principalmente, pela frustração de pacientes e familiares diante da demora no atendimento, falta de estrutura e sobrecarga nas unidades de saúde. As mulheres médicas são as principais vítimas, respondendo a 46% das denúncias em 2025, enquanto 37% foram feitas por homens. 
“Existe uma resistência maior com profissionais jovens. Muitas pessoas associam a experiência apenas ao tempo de formação, então o médico recém-formado acaba precisando provar sua capacidade técnica mais vezes”, relata a médica Brenda Lembi, recém-formada e atuante como generalista na rede pública de saúde do Paraná.
A profissional afirma que a situação se intensifica quando o atendimento é realizado por mulheres. “Além da idade, sinto que o fato de ser mulher também influencia na forma como alguns pacientes se comportam. Já me senti acuada em determinados atendimentos, principalmente por pacientes homens”, afirma.
Segundo Brenda, médicos em início de carreira acabam ficando mais vulneráveis a situações de violência verbal e desrespeito justamente por serem vistos como menos experientes. “Muitas vezes precisamos nos posicionar com mais firmeza para sermos ouvidos da mesma forma”, destaca.
Como proceder e canais de denúncia
O encontro também reforçou a importância da formalização das denúncias e da criação de medidas de proteção aos profissionais da saúde. Atualmente, o CRM-PR orienta que médicos vítimas de ameaças ou agressões registrem boletim de ocorrência e comuniquem imediatamente as diretorias clínicas e técnicas das unidades onde atuam.  
O CRM-PR também disponibiliza canais de atendimentos, recebimentos e encaminhamentos de denúncias relacionadas a violência contra médicos:
E-mail: medicodenuncia@crmpr.org.br
Telefone: (41) 3240-7800
Endereço: Rua Victorio Viezzer, 84, Vista Alegre – Curitiba/PR.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp