Créditos: Pedro Ribas/SECOM
El Niño tem 98% de chance de atingir força máxima em 2026, alerta Senado
Modelos climáticos apontam 92% de probabilidade de o fenômeno começar até julho; pico de intensidade extrema deve ocorrer entre outubro e dezembro, ameaçando o Sul e o Nordeste
Especialistas, parlamentares e representantes do governo defenderam nesta quinta-feira (28), durante sessão temática no Senado Federal, que o Brasil intensifique as medidas de prevenção para enfrentar os possíveis efeitos do fenômeno El Niño. As projeções indicam que o evento climático pode ganhar força nos próximos meses e provocar impactos significativos em diferentes regiões do país.
O debate foi conduzido pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) e reuniu pesquisadores e autoridades para discutir estratégias de preparação diante de um cenário que pode incluir chuvas acima da média na Região Sul e períodos prolongados de seca no Norte e Nordeste.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno que altera os padrões atmosféricos e influencia o clima em diversas partes do mundo. Segundo especialistas, há elevada probabilidade de que um novo ciclo do fenômeno se desenvolva ainda neste ano, com efeitos mais intensos a partir do segundo semestre.
Durante a sessão, o senador Hermes Klann (PL-SC), que participou de forma remota, destacou que o país já dispõe de sistemas capazes de prever eventos climáticos extremos, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar essas informações em políticas efetivas de prevenção.
Para o parlamentar, os desastres relacionados ao clima deixaram de ser situações excepcionais e passaram a fazer parte de uma nova realidade enfrentada pelos brasileiros.
“O Brasil não está mais diante de eventos isolados. Estamos vivendo uma nova realidade climática. Hoje sabemos com antecedência o que pode acontecer. O desafio é transformar essa informação em ações concretas de prevenção”, afirmou.
O senador Esperidião Amin ressaltou que o objetivo da discussão foi justamente reunir informações técnicas para orientar medidas capazes de reduzir prejuízos em setores estratégicos, como agricultura, abastecimento de água e proteção de populações que vivem em áreas de risco.
Segundo ele, é necessário planejar tanto as ações preventivas quanto as respostas que deverão ser adotadas caso ocorram eventos extremos associados ao fenômeno.
A discussão também deu continuidade aos debates realizados na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, que na quarta-feira (27) promoveu uma audiência pública sobre o uso da ciência e da tecnologia para diminuir a vulnerabilidade das regiões mais expostas aos efeitos climáticos.
Outro tema que chamou atenção durante o encontro foi a relação entre o El Niño e o aquecimento global. O pesquisador Carlos Nobre alertou que o fenômeno poderá ocorrer em um contexto de temperaturas globais cada vez mais elevadas, fator que tende a potencializar seus efeitos.
Segundo ele, 2024 registrou um recorde histórico de aquecimento, com a temperatura média global alcançando 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.
“O aumento da temperatura do planeta amplia a energia disponível na atmosfera e faz com que os eventos climáticos se tornem mais intensos. Fenômenos que já ocorrem naturalmente acabam superando recordes anteriores em razão desse aquecimento”, explicou.
Nobre afirmou que os modelos climáticos apontam elevada probabilidade de formação do El Niño ainda nos próximos meses. De acordo com ele, as estimativas indicam 92% de chance de início do fenômeno entre maio e julho e até 98% de probabilidade de que ele atinja intensidade forte ou muito forte entre outubro e dezembro.
Diante desse cenário, o pesquisador reforçou a necessidade de planejamento por parte dos governos e da sociedade para minimizar os impactos que poderão atingir áreas urbanas, produção agrícola, infraestrutura e recursos hídricos em diversas regiões do país.
As projeções reforçam o alerta de especialistas de que a preparação antecipada será fundamental para reduzir danos econômicos e sociais causados pelos eventos climáticos extremos associados ao fenômeno.
