Créditos: Reprodução / FAEP
Sete meses após tornado no Paraná, produtores ainda aguardam apoio para reconstruir propriedades
Sete meses após o tornado no Paraná, agricultores de cinco municípios afirmam que seguem sem acesso às linhas especiais de crédito e cobram apoio para reconstruir propriedades
Sete meses após o tornado que atingiu a região Central do Paraná, produtores rurais de Laranjeiras do Sul, Virmond, Porto Barreiro, Candói e Guarapuava ainda enfrentam dificuldades para reconstruir as propriedades atingidas. Segundo representantes do setor, agricultores desses municípios não tiveram acesso às medidas emergenciais disponibilizadas pelo Governo do Estado após o desastre climático.
Embora Rio Bonito do Iguaçu tenha concentrado os maiores danos e recebido ações específicas de apoio, produtores de cidades vizinhas afirmam que também registraram prejuízos significativos em lavouras, silos, barracões, moradias e outras estruturas essenciais para a produção.
Diante desse cenário, o Sistema FAEP encaminhou, em maio, um ofício à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) pedindo a ampliação das medidas de apoio aos agricultores afetados. Em resposta, a pasta informou que não é possível estender administrativamente os benefícios devido aos critérios legais e orçamentários em vigor.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, é preciso encontrar alternativas para atender também os produtores que sofreram perdas expressivas fora do município que decretou estado de calamidade pública.
"Esses produtores também foram atingidos pelo tornado, registraram prejuízos milionários e enfrentam dificuldades para reconstruir suas propriedades. É importante que haja sensibilidade para buscar mecanismos que permitam oferecer condições compatíveis com a dimensão das perdas", afirma.
Produtores aguardam linhas especiais de crédito
O presidente do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, Eliseu Fernando Telli, afirma que a expectativa era de que os agricultores dos municípios vizinhos recebessem o mesmo tratamento concedido aos produtores de Rio Bonito do Iguaçu.
"Nossa expectativa era que os produtores dos demais municípios atingidos pelo tornado recebessem o mesmo apoio concedido pelo Governo do Estado aos agricultores de Rio Bonito do Iguaçu. No entanto, essas famílias não receberam nenhum tipo de suporte. A linha de financiamento com juros subsidiados que havia sido anunciada também não chegou aos produtores dessas cidades", diz.
Em Guarapuava, o presidente do Sindicato Rural, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, afirma que muitos produtores ainda tentam recuperar estruturas financiadas antes do desastre.
"Muitos perderam barracões, silos e pocilgas construídos com financiamento. O que eles pedem agora é a liberação de linhas de crédito em condições diferenciadas, porque essa possibilidade foi apresentada na época, mas acabou não se concretizando", afirma.
Segundo ele, alguns prejuízos ultrapassaram R$ 20 milhões.
"Quem fez investimentos maiores é justamente quem mais precisa desse apoio para reconstruir a estrutura e voltar a produzir", completa.
Agricultor estima perdas de R$ 12 milhões
Em Candói, o produtor rural Rodrigo Queiroz calcula prejuízo de aproximadamente R$ 12 milhões. Proprietário de uma área de 1,5 mil hectares, onde cultiva soja, milho, trigo, cevada e aveia, além de atuar na pecuária, ele afirma que precisou reconstruir parte da estrutura por conta própria para manter a atividade.
"Não tivemos ajuda do poder público. Conversamos diversas vezes com o BRDE porque esperávamos uma linha de crédito específica. Mas, com as taxas atuais, é inviável fazer um investimento desse porte. Foi uma situação totalmente fora do nosso controle", relata.
Segundo o agricultor, o tornado destruiu barracões, telhados, silos e casas destinadas aos funcionários.
"Fomos obrigados a reconstruir a parte mais urgente para manter a produção funcionando. Hoje, o maior problema continua sendo os silos, que sofreram danos muito expressivos", afirma.
Ele lembra ainda que a propriedade ficou sem energia elétrica e registrou perdas de fertilizantes, sementes e outros insumos armazenados.
"Nossos funcionários também passaram pelo tornado. Foi uma situação muito difícil e qualquer apoio faz diferença", diz.
Governo diz que benefícios seguiram critérios legais
Em resposta aos pedidos, o Governo do Paraná informou que apenas Rio Bonito do Iguaçu decretou estado de calamidade pública após o tornado. Por esse motivo, as linhas especiais de financiamento atenderam exclusivamente produtores do município.
Segundo o Estado, os demais municípios não decretaram calamidade nem apresentaram solicitações formais para acesso aos recursos.
"As linhas especiais atendem a Rio Bonito do Iguaçu, mas o Estado tem programas regulares para os demais municípios com recursos da Defesa Civil. As prefeituras não solicitaram nem apresentaram demandas. As outras cidades não receberam porque não decretaram estado de calamidade", informou.
BRDE afirma que crédito existia, mas sem juros subsidiados
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) informou que as linhas de financiamento permaneceram disponíveis para produtores atingidos, mas reconheceu que não houve a criação de uma subvenção estadual para reduzir os juros das operações.
Segundo o banco, alguns projetos chegaram a ser aprovados, porém muitos agricultores desistiram da contratação por considerarem as taxas de financiamento elevadas diante dos prejuízos provocados pelo tornado.
"O banco possui as linhas para atender às demandas. O que não aconteceu foi a criação de uma subvenção das taxas por parte do Governo do Estado. O BRDE não deixou de atender aos pedidos que recebeu. Inclusive há projetos com crédito aprovado, porém os produtores preferiram não contratar com as taxas atuais", informou a instituição.
