Créditos: Carlos Moura/Agência Senado
Jaques Wagner diz que reclamou com Lula após foto da PF e nega irregularidades no caso Banco Master
Senador Jaques Wagner afirmou que reclamou com o presidente Lula após a divulgação de uma foto feita pela Polícia Federal e voltou a negar irregularidades na investigação sobre o Banco Master
O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou a divulgação da imagem das cédulas de dinheiro apreendidas pela Polícia Federal durante a operação que investiga supostas vantagens concedidas ao Banco Master. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o parlamentar classificou a exposição da fotografia como uma "patacoada" e afirmou que levou a reclamação diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Wagner, a divulgação da imagem contrariou a determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, que havia determinado o cumprimento dos mandados de busca e apreensão de forma discreta, em razão do sigilo da investigação.
"Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", declarou.
A operação foi deflagrada no último dia 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal investiga se o senador atuou no Congresso Nacional para defender interesses do Banco Master em troca de benefícios financeiros.
Entre os fatos apurados estão a suposta articulação em favor de propostas legislativas de interesse da instituição financeira, como a ampliação do crédito consignado e a chamada "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também é investigado.
De acordo com a Polícia Federal, Wagner teria sido beneficiado com um apartamento de luxo em Salvador e repasses financeiros destinados à empresa de familiares.
Senador diz que valores pagos à empresa da família foram legais
Na entrevista, Jaques Wagner reconheceu que os pagamentos feitos pelo Banco Master à empresa da qual sua nora é sócia superam os R$ 3,5 milhões mencionados na investigação.
Segundo ele, o valor divulgado pela Polícia Federal corresponde apenas à rescisão contratual firmada entre as partes.
"Três milhões e meio foi o valor pago pela quebra do contrato. Antes disso, eles recebiam mensalmente. Tomei um susto porque não é pouca coisa, é muita coisa. Mas é muita coisa legalmente, tem contrato", afirmou.
O senador também declarou que nunca recebeu parte desses recursos e negou qualquer relação entre os pagamentos e sua atuação política.
"Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: 'terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?' Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca", disse.
Apartamento citado pela PF é tratado como presente para a filha
Outro ponto da investigação envolve um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões, que, segundo a Polícia Federal, teria sido adquirido pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
Na entrevista, Wagner admitiu que sua explicação sobre a negociação pode parecer "nebulosa", mas insistiu que não houve ilegalidade.
Segundo o senador, o imóvel seria um presente destinado à filha. Como não possuía recursos suficientes para efetuar a compra naquele momento, pediu que Augusto Lima garantisse a aquisição da unidade até que a família pudesse concluir o negócio.
"Eu sei que é nebuloso, que todo mundo vai questionar. Mas objetivamente, está no meu nome? Foi doado para mim alguma coisa? Nada. O caminho dos corruptos não é esse", declarou.
Saída da liderança do governo
Na última quarta-feira (24), Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada.
Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada em comum acordo com o presidente para evitar desgaste ao governo e permitir que ele concentre esforços na própria defesa.
"Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha própria campanha ao Senado", afirmou em publicação nas redes sociais.
Com a saída de Wagner, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumiu a liderança do governo na Casa.
Investigação continua
A Operação Compliance Zero apura um suposto esquema de favorecimento político ao Banco Master em troca de vantagens financeiras e patrimoniais. A Polícia Federal investiga se parlamentares receberam pagamentos, imóveis e outros benefícios para atuar em favor de projetos de interesse da instituição financeira no Congresso Nacional.
Jaques Wagner nega todas as acusações e afirma que os contratos firmados entre o Banco Master e a empresa ligada à sua família têm origem lícita e podem ser comprovados documentalmente.
