Prefeitos pressionam Ratinho por Curi ao governo
Movimento de lideranças municipais ganha força no interior, cobra definição para 2026 e ameaça debandada da base caso o governador não indique um nome para a sucessão estadual
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Divulgação
Uma articulação política que vinha sendo construída de forma silenciosa começa a ganhar contornos mais definidos no Paraná e já produz efeitos concretos no tabuleiro eleitoral de 2026. Prefeitos de diferentes regiões do estado intensificaram a mobilização em torno do nome do deputado estadual Alexandre Curi, movimento que, mais do que uma simples sinalização de apoio, se transforma em instrumento de pressão direta sobre o governador Ratinho Júnior.
Reportagens publicadas pelo jornal O Diário de Maringá mostram que a articulação deixou o campo das especulações e passou a ser verbalizada por lideranças municipais, com um objetivo claro: forçar a definição antecipada do projeto político do grupo governista para a sucessão estadual. A leitura entre prefeitos é de que o vácuo de liderança abre espaço para disputas internas desordenadas e enfraquece a base antes mesmo do início oficial da corrida eleitoral.
Nos bastidores, a insatisfação tem múltiplas camadas. Há queixas sobre a dificuldade de interlocução direta com o núcleo do governo, percepção de centralização de decisões e, principalmente, incerteza sobre quem herdará o capital político da atual gestão. Prefeitos avaliam que a indefinição compromete alianças regionais, trava composições locais e dificulta o planejamento eleitoral já em andamento nos municípios.
É nesse cenário que o nome de Alexandre Curi ganha tração. Com longa trajetória na Assembleia Legislativa e trânsito consolidado entre diferentes grupos políticos, o deputado passa a ser visto como uma alternativa capaz de oferecer previsibilidade e articulação. Mais do que um candidato em potencial, ele surge como ponto de convergência para prefeitos que buscam reorganizar a base governista a partir de baixo, invertendo a lógica tradicional de construção de candidaturas.
A segunda frente dessa movimentação eleva ainda mais a temperatura política. Prefeitos avançaram de uma posição de apoio para uma postura de cobrança explícita. Nos bastidores, já se fala em um ultimato ao governador. A mensagem é direta: sem uma definição clara sobre o projeto para 2026, haverá reconfiguração de alianças.
Esse movimento tem peso estratégico. Prefeitos controlam estruturas locais, influenciam diretamente a formação de chapas proporcionais e são peças-chave na mobilização eleitoral. Ao sinalizarem a possibilidade de debandada, eles colocam em risco a capilaridade política do grupo governista, elemento essencial para qualquer candidatura estadual competitiva.
A pressão também revela uma disputa mais profunda dentro do campo governista. Diferentes alas trabalham com projetos próprios e aguardam o momento de definição para se posicionar. A ausência de um nome oficial prolonga esse equilíbrio instável, mas também amplia o espaço para iniciativas paralelas como a que agora se consolida em torno de Alexandre Curi.
Outro fator relevante é o timing da articulação. Ao antecipar o debate sucessório, prefeitos tentam evitar o cenário de imposição de candidatura de última hora, prática comum em grupos políticos centralizados. A estratégia busca garantir participação ativa na escolha do nome e, ao mesmo tempo, assegurar compromissos políticos que atendam às demandas regionais.
A movimentação também funciona como recado político. Ao tornar pública a insatisfação, prefeitos elevam o custo da indefinição para o governador. A pressão deixa de ser restrita aos bastidores e passa a influenciar a narrativa pública sobre a sucessão estadual.
Por ora, o Palácio Iguaçu não apresentou resposta concreta à articulação. A estratégia de manter o debate em aberto pode preservar margem de manobra, mas também amplia o risco de fragmentação da base. Em política, o tempo da decisão costuma ser tão determinante quanto a decisão em si.
O avanço do movimento pró-Alexandre Curi indica que a disputa de 2026 começa a ser desenhada antes do previsto e, principalmente, fora do eixo tradicional de definição. Se antes a sucessão dependia exclusivamente da condução do governador, agora passa a ser influenciada por uma base que demonstra disposição para intervir no processo.
O que está em jogo não é apenas a escolha de um candidato, mas o controle da narrativa e da estrutura política que sustentará a próxima eleição. E, nesse cenário, prefeitos deixam de ser coadjuvantes para assumir papel central na disputa pelo futuro do governo do Paraná.
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