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PF diz ao STF que PM não entregou imagens da operação mais letal do país Créditos: Tomaz Silva/Agência Brasil

PF diz ao STF que PM não entregou imagens da operação mais letal do país

Corporação afirma que só teve acesso a 400 horas de vídeos da Polícia Civil; relatório da OEA aponta indícios de execuções extrajudiciais e racismo estrutural

A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal que ainda não teve acesso às imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na operação que resultou em 122 mortes, em outubro de 2025, no Rio de Janeiro. O caso é considerado a ação policial mais letal já registrada no país.

A determinação para o envio das gravações foi feita em março pelo ministro Alexandre de Moraes, que ordenou ao governo estadual o encaminhamento do material em mídia física à Polícia Federal. No entanto, de acordo com ofício assinado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, até o momento foram entregues apenas imagens captadas por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil.

No documento, a corporação destaca que não recebeu qualquer material audiovisual relacionado às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que tiveram participação mais ampla na operação e utilizavam um número maior de câmeras corporais.

A PF informou ainda que já recebeu cerca de 400 horas de gravações da Polícia Civil. Para analisar o conteúdo, foi montada uma equipe com dez peritos federais, com prazo estimado de até 90 dias para conclusão dos trabalhos. O diretor-geral solicitou ao STF a ampliação do prazo inicialmente previsto, de 15 dias, alegando inviabilidade técnica diante do volume de material. Segundo ele, a eventual entrega das imagens da Polícia Militar pode prolongar ainda mais o processo de perícia.

Relatório internacional aponta irregularidades

Um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos, identificou indícios de execuções extrajudiciais, uso excessivo da força e presença de racismo estrutural durante a operação.

O documento foi elaborado após missão realizada no Brasil entre os dias 1º e 5 de dezembro de 2025. Durante a visita, a comissão ouviu autoridades públicas, especialistas, representantes da sociedade civil e familiares das vítimas, além de inspecionar os locais onde ocorreram os confrontos.

O relatório também registra denúncias de tratamento inadequado aos corpos das vítimas, falhas na preservação das cenas de crime e possíveis violações de direitos fundamentais.

Segundo a comissão, houve divergência significativa entre os objetivos oficiais da operação e seus resultados. Embora a ação tivesse como finalidade o cumprimento de mandados judiciais, apenas 15 das 117 pessoas mortas eram alvos diretos das ordens judiciais, conforme aponta o documento.

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