Frangogate avança: Homero cobra transparência sobre incentivos fiscais e pressiona Fazenda do Paraná
Apuração mira programa Paraná Competitivo e questiona ausência de dados sobre empresas beneficiadas e valores concedidos pelo governo estadual
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Reprodução
A apuração do chamado “Frangogate” ganhou um novo desdobramento e passou a mirar diretamente a política de incentivos fiscais do governo de Ratinho Júnior. O ex-deputado estadual Homero Marquese afirma que há falta de transparência no programa Paraná Competitivo, operado pela Secretaria de Estado da Fazenda, responsável pela concessão de benefícios fiscais a empresas no Estado.
Segundo ele, informações essenciais seguem indisponíveis ao público, mesmo tratando-se de recursos que impactam diretamente a arrecadação estadual. “O site da Secretaria de Estado da Fazenda, por exemplo, não divulgou até hoje a lista das empresas beneficiadas por esse programa em 2025”, afirma.
A crítica se estende à ausência de dados sobre os valores concedidos. “A Secretaria também não informa quais são os valores dos benefícios fiscais. Uma informação que, do meu ponto de vista, deveria ser pública, uma vez que são poucas as empresas que recebem esses benefícios e são suportados pelo resto da população”, diz.
Falta de transparência
O novo foco da apuração amplia o alcance das suspeitas iniciais, que relacionavam operações imobiliárias envolvendo pessoas ligadas ao governo a decisões administrativas. Agora, o questionamento recai sobre a própria estrutura de concessão dos incentivos.
Ao apontar a ausência de transparência, Marquese sustenta que os dados necessários para aprofundar a investigação são acessíveis e poderiam ser analisados por órgãos de controle. “Se trata de algo simples de fazer. Há uma semana eu comecei apurando essa história a partir de ferramentas públicas. Estou divulgando dados públicos e, portanto, o Ministério Público perfeitamente conseguiria fazer isso também”, afirma.
Pressão sobre o MP
Além de cobrar explicações do governo, o ex-deputado também direciona críticas ao Ministério Público, ao relembrar um episódio anterior envolvendo investigação na Assembleia Legislativa do Paraná.
“Fui até ao Conselho Nacional do Ministério Público pedir providências por duas vezes. Fiz um protesto bem-humorado na frente da sede do Ministério Público aqui no Estado e aparentemente nada aconteceu”, afirma.
Segundo ele, posteriormente vieram à tona informações sobre um acordo no caso citado. “A imprensa acabou revelando que o Ministério Público havia feito um acordo no qual houve admissão de recebimento de propina, mas o agente foi mantido no cargo”, diz.
Sinal de alerta
A fala amplia o alcance político das críticas ao sugerir que o governador teria conhecimento prévio de situações controversas no ambiente político estadual. “Aquilo me acendeu uma grande red flag em relação ao governador Ratinho Júnior, que provavelmente sabia de tudo isso e, mesmo assim, manteve apoio político”, afirma.
Créditos: Redação
