Cantini fala em “traição” e sugere redistribuição de verbas na crise da base de Ratinho
Radialista da Rede Massa critica deputados que migraram para o grupo de Sérgio Moro, defende unidade governista e indica possível redirecionamento de convênios e recursos a aliados
Por Gazeta do Paraná
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A crise de alinhamento político no entorno do governo de Ratinho Júnior ganhou um novo capítulo após declarações do radialista Valdomiro Cantini, da Rede Massa, que classificou como “traição” a movimentação de parlamentares rumo ao grupo do senador Sérgio Moro e sugeriu que a permanência na base pode influenciar diretamente o acesso a recursos públicos.
Durante comentário no rádio, Cantini afirmou que deputados que deixaram o grupo governista, após terem sido beneficiados por convênios e verbas estaduais, estariam agindo por oportunismo político diante do crescimento de Moro nas pesquisas. Segundo ele, esses parlamentares teriam “usufruído do governo do Estado do Paraná” antes de migrar para um novo campo político.
“Até agora foi bom para mim. Daqui para frente eu vou garantir porque Sérgio Moro pode ser o governador. Eu vou com ele, vou pegar carona”, disse, ao descrever o comportamento que atribui aos dissidentes.
Pressão sobre deputados
O tom mais incisivo da fala aparece quando o radialista aborda a destinação de recursos públicos. Em um dos trechos, ele afirma que o governo pode redirecionar verbas vinculadas a parlamentares que deixaram a base.
“Está assinado o convênio? Está tudo pronto? Ou o governo vai pegar tudo que era do deputado para não penalizar o cidadão e vai passar para outro deputado da base para que ele faça as honras da casa”, declarou.
A fala não menciona casos concretos, mas sugere que obras e investimentos poderiam ser redistribuídos conforme o alinhamento político dos parlamentares.
Recado aos prefeitos
Cantini também direcionou o discurso a prefeitos, indicando que decisões políticas locais podem impactar a relação com o governo estadual.
“Pense bem, senhores prefeitos, na articulação política daqui pra frente”, afirmou.
A declaração é interpretada nos bastidores como um alerta sobre possíveis consequências administrativas para gestores que se afastarem da base governista.
Defesa do grupo político
Ao longo da fala, o radialista também buscou afastar rumores de divisão interna, especialmente em relação ao presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi.
“Há uma convergência política, há um grupo político”, disse, negando a existência de rompimento entre lideranças do governo.
Cantini ainda afirmou que o governador não definiu publicamente um candidato à sucessão porque estaria conduzindo articulações estratégicas. “Pode ter uma bala de prata”, declarou, em referência à escolha do nome que representará o grupo político.
Debate sobre uso de recursos
A fala reacende um debate recorrente na política brasileira: os critérios para distribuição de recursos públicos. Especialistas apontam que, embora governos tenham margem para definir prioridades administrativas, a destinação de verbas deve seguir princípios de interesse público, como impessoalidade e transparência.
A eventual vinculação entre liberação de recursos e alinhamento político, ainda que apenas sugerida no discurso, levanta questionamentos sobre o limite entre articulação política e uso da máquina pública.
Cenário em disputa
O pano de fundo das declarações é a reorganização das forças políticas no Paraná, com a aproximação de parlamentares ao grupo de Sérgio Moro e o esforço do governo para manter coesa sua base.
Ao classificar a movimentação como “traição” e indicar possíveis consequências na distribuição de recursos, a fala de Cantini expõe o grau de tensão na disputa e reforça a centralidade das emendas e convênios no jogo político estadual.
No fim do comentário, o radialista sintetizou a lógica que, segundo ele, rege o cenário: “Na política, a única coisa que é feio é perder”.
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