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Paraná usa IA do Google no SUS para acelerar tratamento do câncer e reduzir diagnósticos complexos

Tecnologia inédita no Brasil já está em operação em hospitais de Londrina e Guarapuava, reduzindo de uma semana para uma hora o tempo de pesquisa científica para definição de terapias personalizadas

Por Eliane Alexandrino

Paraná usa IA do Google no SUS para acelerar tratamento do câncer e reduzir diagnósticos complexos Créditos: Divulgação

O Paraná se tornou o primeiro estado brasileiro a utilizar uma ferramenta de Inteligência Artificial do Google para auxiliar médicos na definição de tratamentos oncológicos personalizados dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Implantada em abril no Hospital do Câncer de Londrina e no Hospital São Vicente, em Guarapuava, a tecnologia já começa a apresentar resultados que podem transformar o atendimento a pacientes com câncer no Estado.

Batizada de Capricórnio, a plataforma foi desenvolvida pelo Google em parceria com o Princess Máxima Center, da Holanda, considerado o maior centro de oncologia pediátrica da Europa. A ferramenta utiliza inteligência artificial para cruzar informações clínicas dos pacientes com milhões de artigos científicos publicados em todo o mundo, ajudando os médicos a identificar terapias mais adequadas para cada caso.

Segundo profissionais envolvidos no projeto, a principal mudança está na velocidade de análise das informações. Antes da implantação da tecnologia, a pesquisa de estudos científicos e evidências médicas podia levar cerca de uma semana. Agora, o mesmo processo é realizado em aproximadamente uma hora.

A plataforma reúne dados do histórico clínico do paciente, mutações genéticas, exames laboratoriais, sensibilidade a medicamentos e respostas anteriores aos tratamentos. Em seguida, realiza uma busca avançada em bases científicas internacionais e apresenta possibilidades terapêuticas personalizadas para avaliação da equipe médica.

Apesar do uso da inteligência artificial, a decisão final continua sendo dos profissionais de saúde. As informações geradas pela plataforma servem como suporte para discussões realizadas por equipes multidisciplinares, envolvendo oncologistas, radioterapeutas, fisioterapeutas e outros especialistas.

Um dos casos analisados com apoio da tecnologia foi o de uma paciente diagnosticada com tumor neuroendócrino. Após o cruzamento de dados clínicos e evidências científicas, a equipe médica optou por manter o tratamento principal e realizar a retirada de novas lesões identificadas no fígado, decisão baseada em estudos específicos para o perfil da paciente.

Em Guarapuava, a ferramenta também auxiliou no atendimento de um paciente com câncer de origem desconhecida e múltiplas metástases. A análise realizada pela inteligência artificial identificou padrões associados à instabilidade genômica, permitindo aos médicos direcionar novos exames e abrir caminho para possíveis tratamentos com imunoterapia.

A tecnologia faz parte do programa Transforma IA, criado pelo Governo do Paraná para ampliar o uso da inteligência artificial em áreas estratégicas da administração pública. A iniciativa prevê aplicações em setores como saúde, educação, agricultura, habitação e segurança pública.

De acordo com a Secretaria Estadual da Inovação e Inteligência Artificial, a expectativa é ampliar o uso da plataforma para outras unidades hospitalares do Paraná. O objetivo é acelerar diagnósticos, reduzir o tempo entre descobertas científicas e sua aplicação prática nos tratamentos e ampliar o acesso da população a terapias mais precisas e personalizadas.

Além do pioneirismo nacional, o projeto coloca o Paraná entre os estados que apostam na integração entre inteligência artificial, medicina de precisão e análise de grandes volumes de dados para aprimorar os serviços públicos de saúde. A ferramenta opera com dados anonimizados e segue protocolos de segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Foto: Divulgação

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