Créditos: Rafael Danielewicz
Funcionários denunciam falta de FGTS e consignados descontados sem repasse no Hospital Vita
Funcionários do Hospital Vita, em Curitiba, afirmam que a empresa não realiza depósitos do FGTS e desconta parcelas de empréstimos consignados sem repassar os valores às instituições financeiras
Funcionários do Hospital Vita, em Curitiba, denunciam supostas irregularidades relacionadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao repasse de valores descontados em folha de pagamento referentes a empréstimos consignados.
Segundo relatos encaminhados à reportagem, trabalhadores afirmam que enfrentam dificuldades para acessar valores do FGTS e que, em alguns casos, não há registros de depósitos realizados pela empresa há vários anos.
Uma das denúncias foi feita por uma colaboradora que atua na unidade há cerca de um ano. Ela afirma que descobriu a ausência de depósitos quando tentou utilizar o saldo do FGTS para financiar a compra de um imóvel.
"Eu só descobri que não tinha nenhum valor depositado quando fui fazer o financiamento da minha casa. Queria usar o FGTS como entrada, mas não consegui porque não havia saldo disponível", relatou.
De acordo com a funcionária, ao procurar esclarecimentos junto à empresa, recebeu a informação de que existiria um acordo com a Caixa Econômica Federal para regularização da situação. No entanto, ela afirma que até o momento não houve qualquer crédito em sua conta vinculada.
Além da questão envolvendo o FGTS, trabalhadores relatam problemas relacionados ao empréstimo consignado privado, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento.
A denunciante afirma que contratou um empréstimo consignado para complementar o valor necessário na aquisição do imóvel. Segundo ela, as parcelas vêm sendo descontadas mensalmente do salário, mas os valores não estariam sendo repassados à instituição financeira responsável pelo contrato.
"Hoje estou indo para a quarta parcela em atraso. O valor é descontado do meu contracheque, mas não chega ao banco. Por causa disso, meu nome foi incluído nos cadastros de inadimplentes", afirmou.
A trabalhadora relata que procurou o setor de Recursos Humanos em diversas ocasiões para obter esclarecimentos sobre a situação. Segundo ela, foram apresentadas previsões de regularização que não teriam sido cumpridas.
A funcionária também afirma que o problema não seria isolado. Segundo o relato, diversos colegas estariam enfrentando situações semelhantes tanto em relação ao FGTS quanto aos empréstimos consignados.
Há casos, segundo os trabalhadores, em que os últimos depósitos registrados no FGTS remontariam a períodos anteriores a 2015. Funcionários também relatam atrasos de várias parcelas dos empréstimos consignados, com registros de inadimplência junto a órgãos de proteção ao crédito.
Diante da situação, alguns empregados já teriam buscado medidas judiciais. A denunciante informou que ingressou com ação na Justiça alegando prejuízos decorrentes da inclusão de seu nome em cadastros de inadimplência e da ausência dos repasses descontados em folha.
Os trabalhadores cobram uma solução para os problemas relatados e pedem esclarecimentos da direção do hospital sobre os depósitos do FGTS e os repasses dos empréstimos consignados.
A reportagem procurará o Hospital Vita para esclarecer as denúncias, informar se existe acordo para regularização dos depósitos do FGTS, explicar a situação dos empréstimos consignados descontados em folha e detalhar quais medidas estão sendo adotadas para solucionar os casos relatados pelos funcionários.
