Polícia Civil prende 4 em operação contra fraude em licitação no transporte escolar de Santa Helena
Investigação aponta uso de empresas de fachada, manipulação de preços e participação de agente público no esquema
Por Gazeta do Paraná
Créditos: PCPR
A Polícia Civil do Paraná deflagrou nesta quarta-feira (18) uma operação para apurar um suposto esquema de fraude em licitações do transporte escolar em Santa Helena, no Oeste do Estado. A ação foi coordenada pela Divisão Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR) e resultou no cumprimento de 27 mandados de busca e apreensão em residências e empresas ligadas aos investigados.
Nos endereços dos alvos, foram apreendidos celulares, computadores e documentos que serão analisados. Ao todo, quatro pessoas foram presas em flagrante, sendo três por posse ilegal de arma de fogo e uma por posse de arma e tráfico de drogas.
As investigações tiveram início a partir de denúncias recebidas pela Polícia Civil sobre possíveis irregularidades em contratos de transporte escolar municipal e intermunicipal. Segundo o delegado Rogerson Luiz Ribas Salgado, responsável pelo caso, a apuração revelou indícios de um esquema estruturado para direcionar licitações e eliminar a concorrência.
De acordo com a polícia, diversas empresas participantes dos certames estavam registradas em nome de terceiros, conhecidos popularmente como “laranjas”, mas seriam controladas por um mesmo grupo de pessoas. A estratégia teria sido utilizada para simular concorrência e garantir que os contratos permanecessem sob domínio dos investigados.
“Maioria dessas empresas estavam em nome de laranjas. Houve essa articulação para afastar concorrentes e manipular os preços das licitações, dando poucos descontos e é possível ver que os preços pagos hoje em Santa Helena são bem superiores dos demais municípios ao redor”, afirmou o delegado Rogerson Salgado.
As suspeitas ganharam força após o cruzamento de informações obtidas durante a Operação Conluio 1, que investigou fraudes em contratos de prestação de cursos. Conforme a DECCOR, um dos investigados naquela operação também aparece como personagem central nas apurações relacionadas ao transporte escolar, especialmente em uma licitação realizada entre 2023 e 2024.
Entre os alvos da operação está um agente público que, segundo a polícia, seria o verdadeiro proprietário de uma das empresas investigadas. Embora o nome dele não conste oficialmente nos documentos da empresa, os investigadores afirmam ter reunido elementos que indicam sua participação e controle sobre o negócio.
Outro aspecto que chamou a atenção da polícia diz respeito às regras adotadas pelo município para a prestação do serviço. Conforme a investigação, Santa Helena permitiu a utilização de veículos com até 20 anos de fabricação no transporte escolar. O limite é considerado elevado quando comparado ao adotado por outros municípios da região, onde normalmente são exigidos veículos com até 10 anos de uso.
Além da questão relacionada à frota, a polícia aponta que os valores pagos pelos serviços estariam acima dos praticados em cidades vizinhas, o que reforçou as suspeitas de direcionamento e superfaturamento nos contratos.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, computadores, documentos e outros materiais que agora passarão por perícia. A expectativa é que a análise dos equipamentos e arquivos permita identificar a participação de outros envolvidos e ampliar o alcance das investigações.
O delegado Rogerson Salgado também destacou a importância das denúncias para o combate à corrupção e afirmou que a DECCOR atua na apuração de todas as informações recebidas.
“Hoje as pessoas têm muito medo de fazer denúncias relacionadas à corrupção. E muitos, porque têm medo desses agentes envolvidos nos esquemas, não fazem as denúncias pensando que não vai ter investigação, mas nós aqui da DECCOR, de todas as denúncias nós trabalhamos em cima, para entender os elementos e as medidas cautelares cabíveis, para apurar a criminalidade e os crimes atribuídos a esses agentes”, afirmou.
A investigação segue em andamento e, segundo a Polícia Civil, novas diligências não estão descartadas. Os suspeitos poderão responder por crimes relacionados a fraude em licitação, associação criminosa, falsidade ideológica e outros delitos que venham a ser identificados ao longo da apuração.
