Organização alerta para avanço do sarampo nas Américas após aumento expressivo de casos
Região registrou salto nas infecções entre 2024 e 2026; Brasil mantém status de país livre da doença, mas especialistas defendem vigilância
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil
O crescimento acelerado dos casos de sarampo nas Américas levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a emitir um alerta para os países do continente. Dados do órgão mostram que os registros da doença saltaram de 446 casos em 2024 para 14.891 ocorrências em 2025, com 29 mortes confirmadas.
O avanço segue em 2026. Apenas em janeiro, a Opas contabilizou 1.031 casos, número cerca de 45 vezes maior que os 23 registros no mesmo período do ano passado. Até o momento, não há confirmação de mortes neste ano.
A maior concentração da doença ocorre na América do Norte. Em 2025, México, Canadá e Estados Unidos responderam por quase 95% dos casos do continente. Neste ano, os três países concentram mais de 90% das notificações registradas até agora.
Segundo a Opas, a maioria das pessoas infectadas não possuía histórico de vacinação. Nos Estados Unidos, 93% dos pacientes não estavam imunizados ou tinham situação vacinal desconhecida. No México, o índice chegou a 91,2%, enquanto no Canadá atingiu 89%.
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Diante do avanço da doença, o órgão internacional classificou o cenário como preocupante e defendeu ações rápidas e coordenadas para evitar novos surtos. Em novembro do ano passado, a Opas retirou das Américas o certificado de região livre da transmissão do sarampo.
Situação no Brasil
Mesmo com o aumento de notificações, o Brasil mantém o status de país livre da doença. Em 2025, foram confirmados 38 casos, contra quatro registros em 2024. Neste ano, não há ocorrências confirmadas.
A maioria dos casos registrados no país no ano passado ocorreu em pessoas sem vacinação. Segundo a Opas, dez infecções foram importadas, quando o contágio ocorre no exterior. Outros 25 casos tiveram relação com transmissão associada à importação e três não tiveram origem identificada.
Os registros foram confirmados no Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Tocantins.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, avalia que o surto em países vizinhos representa risco permanente ao Brasil por causa do intenso fluxo internacional de pessoas.
Ele destaca que a principal estratégia para manter o país protegido é ampliar a cobertura vacinal e manter a vigilância epidemiológica ativa, com identificação rápida de casos suspeitos.
Doença e prevenção
O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa e pode provocar complicações graves. Entre os sintomas estão febre, tosse, coriza, irritação nos olhos, perda de apetite e manchas vermelhas na pele que começam no rosto e se espalham pelo corpo.
A doença pode evoluir para quadros mais severos, como pneumonia, inflamação cerebral e até cegueira.
A vacinação é considerada a principal forma de prevenção e faz parte do calendário nacional de imunização. A primeira dose da vacina tríplice viral é aplicada aos 12 meses de idade, com reforço aos 15 meses. O imunizante também protege contra caxumba e rubéola.
O Ministério da Saúde informou que houve avanço na cobertura vacinal nos últimos anos. Dados preliminares indicam que a aplicação da primeira dose passou de 80,7% em 2022 para 93,78% em 2025. Já a dose de reforço aumentou de 57,6% para 78,9%.
Especialistas alertam que o índice ideal para evitar surtos é de 95% da população vacinada.
Medidas de prevenção
A Opas recomenda que os países reforcem campanhas de vacinação, ampliem a busca ativa por casos suspeitos e mantenham monitoramento constante da circulação do vírus.
O Ministério da Saúde informou que orienta estados e municípios a intensificar ações de vigilância e imunização. Em 2025, o Brasil reforçou a vacinação em regiões de fronteira, principalmente próximas à Bolívia, além de doar mais de 640 mil doses do imunizante ao país vizinho.
Campanhas também foram ampliadas em cidades turísticas e em municípios localizados nas fronteiras com Argentina e Uruguai.
