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Bia Alcantara relembra trajetória marcada pela violência doméstica e projeta eleição em 2026

Vereadora mais jovem e única mulher da Câmara de Cascavel fez balanço do primeiro mandato, destacou projetos voltados às mulheres e confirmou conversas para disputar vaga na Assembleia Legislativa

Por Eliane Alexandrino

Bia Alcantara relembra trajetória marcada pela violência doméstica e projeta eleição em 2026 Créditos: Papinha

A vereadora Bia Alcantara (PT), a mais jovem parlamentar e única mulher da Câmara de Vereadores de Cascavel, participou nesta semana do GCast, podcast da Gazeta do Paraná, onde fez um balanço do primeiro mandato e comentou os planos políticos para as eleições de 2026.

Durante a entrevista, Bia relembrou a trajetória pessoal marcada por episódios de violência doméstica vivenciados ainda na infância. Nascida em Curitiba, ela contou que a família precisou deixar a cidade após a mãe sofrer agressões do companheiro, pai da vereadora.

“A violência começa com pequenos sinais e, se não for interrompida, avança. Minha mãe percebeu que a vida dela e a minha estavam em risco. Na época, eu tinha seis anos e ainda não existia a Lei Maria da Penha. A proteção às mulheres era muito precária”, afirmou.

Segundo a parlamentar, a família se mudou inicialmente para Ouro Verde do Oeste e, posteriormente, para Cascavel, onde encontrou apoio de amigos e familiares. A experiência, conforme relatou, influenciou diretamente sua atuação política e o engajamento em pautas ligadas à igualdade de gênero.“Eu sempre tive esse entendimento de que homens e mulheres devem ser tratados de forma igual. Hoje percebo que minha militância nasceu dessas vivências”, destacou.

Bia Alcantara também falou sobre a formação acadêmica e o ingresso na política. Atualmente, ela cursa Ciências Sociais na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo. A vereadora foi eleita com quase 1.700 votos e destacou que a decisão de disputar o cargo surgiu após discussões dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) sobre a necessidade de ampliar a participação da juventude na política.

“Eu sempre fui militante e participava das atividades do partido. Quando começaram as conversas sobre a chapa, percebi que faltava representatividade jovem. Defendi que era importante ocupar esse espaço, mesmo que fosse apenas para pautar temas da juventude”, afirmou.

Desafios e episódios de enfrentamento

Ao relembrar o primeiro ano de mandato, a vereadora citou episódios de enfrentamento político e situações que classificou como reflexo das dificuldades enfrentadas por mulheres na política. Entre eles, mencionou um episódio em que teve o microfone cortado durante sessão plenária.
“Foi a constatação de algo que muitas mulheres relatam. Eu tive o direito de fala cerceado, mas também recebi muito apoio da sociedade e isso fortaleceu a continuidade do trabalho”, disse.

Atuação e projetos aprovados
Entre as propostas apresentadas, Bia destacou o programa “Mulher Protegida – Informação e Acolhimento”, que busca mapear a rede de proteção às mulheres em Cascavel e ampliar o acesso à informação, principalmente nos bairros.
A vereadora também citou o projeto que incentiva cursinhos populares, permitindo que o município ofereça estrutura física e apoio para iniciativas voltadas à preparação de estudantes para vestibulares e concursos.
Antes de assumir o mandato, Bia atuou como estagiária na Câmara e participou da criação de um protocolo para denúncias de assédio moral e sexual envolvendo servidoras e funcionárias do Legislativo.

Eleições 2026
Durante a entrevista, a parlamentar confirmou que mantém conversas dentro do partido para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná nas eleições de 2026. Segundo ela, a candidatura ainda depende de definições partidárias, mas há alinhamento interno para fortalecer a representatividade regional e feminina.
“Cascavel nunca teve uma deputada estadual. Existe esse debate dentro do partido e, caso isso avance, será uma oportunidade de ampliar a representação do município e da região”, afirmou.

Posição sobre IPTU e transporte coletivo

A vereadora também comentou o voto favorável à readequação do IPTU em Cascavel, medida que gerou críticas de parte da população. Segundo Bia, a decisão foi tomada após consultas a sindicatos e lideranças partidárias, com o argumento de que a arrecadação é necessária para manutenção dos serviços públicos.

Ela também defendeu o debate sobre a implantação da tarifa zero no transporte coletivo, tema que pretende discutir ao longo do mandato por meio de audiências públicas e estudos técnicos.
“Existem cidades com porte semelhante ao de Cascavel que adotaram o modelo. Precisamos discutir alternativas que beneficiem diretamente a população”, concluiu.

Foto: Papinha

VEJA TAMBÉM A ENTREVISTA COMPLETA NO YOUTUBE DA GAZETA DO PARANÁ

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