Deputados cobram transparência e critérios no pedágio Free Flow no Paraná
Fabio Oliveira exige análise rigorosa do modelo eletrônico, enquanto Gilson de Souza pressiona governo e órgãos federais por garantias contra cobranças consideradas injustas
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O sistema de pedágio eletrônico Free Flow voltou a ser alvo de cobranças na Assembleia Legislativa do Paraná nesta semana. Durante sessão realizada na última terça-feira (3), os deputados estaduais Fabio Oliveira (Podemos) e Gilson de Souza (PL) defenderam maior transparência e critérios técnicos na implantação do modelo, temendo impactos financeiros aos usuários das rodovias.
Coordenador da Frente Parlamentar das Engenharias e Infraestrutura da Assembleia, Fabio Oliveira utilizou a tribuna para defender uma análise detalhada do sistema, especialmente em relação ao Lote 4 das concessões rodoviárias. O parlamentar destacou um dos pontos do requerimento apresentado pelo presidente da Casa, deputado Alexandre Curi, que questiona se o Free Flow garantirá cobrança proporcional ao uso das rodovias ou se será apenas uma substituição das praças físicas por pórticos eletrônicos, mantendo tarifas integrais.
Segundo Oliveira, o histórico das concessões rodoviárias no Paraná exige atenção redobrada por parte do Legislativo. “Não podemos esquecer nosso papel como deputados. Precisamos agir”, afirmou. O parlamentar lembrou problemas registrados em contratos anteriores, marcados por obras não concluídas, falhas na fiscalização e denúncias de corrupção. “Foram anos de obras inacabadas, concessões mal fiscalizadas e, infelizmente, vidas ceifadas nas rodovias. Isso não pode ser esquecido”, acrescentou.
O deputado reconheceu que o modelo Free Flow já é adotado em países da Europa e nos Estados Unidos, mas ressaltou que a aplicação precisa ocorrer com regras claras e transparência. Como encaminhamento, informou que agendou reunião com representantes da concessionária EPR Paraná e pretende levar o debate à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília.
Mudança em Rolândia gera debate
O tema também ganhou repercussão após o Governo do Paraná anunciar que o pórtico eletrônico previsto para o perímetro urbano de Rolândia será reposicionado para a antiga praça de pedágio. A decisão foi tomada após diálogo técnico envolvendo a Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL), o Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR) e a concessionária responsável pelo trecho.
Para o deputado Gilson de Souza, a alteração representa um avanço, mas não encerra as preocupações sobre a implantação do sistema no Estado. O parlamentar classificou a decisão como resultado da mobilização política e cobrou que o modelo seja aplicado de forma justa em todas as regiões.
“Não sou contra tecnologia. Sou contra injustiça. Do jeito que está, o Free Flow pode virar tarifa cheia para trajeto curto. Precisamos de critérios técnicos, transparência e garantias para a população paranaense”, afirmou.
Requerimento pede esclarecimentos
Gilson de Souza é um dos signatários do Requerimento nº 151/2026, que solicita esclarecimentos ao Ministério dos Transportes, à ANTT e ao Tribunal de Contas da União sobre a implantação do sistema. O documento questiona, entre outros pontos, o impacto do modelo na tarifa, a possibilidade de redução de custos operacionais para o usuário e a garantia de meios de pagamento acessíveis para motoristas que não utilizam TAG, cartão ou smartphone.
O texto também cobra regras claras para notificação de inadimplência e critérios técnicos para instalação e eventual deslocamento dos pórticos de cobrança. Os parlamentares ainda manifestaram preocupação com possíveis impactos em municípios como Marialva, Mauá da Serra, Mandaguaçu, Ampére e Lindoeste, onde a instalação inadequada pode atingir deslocamentos curtos e rotineiros da população.
Sistema sem cancela
O Free Flow é um sistema de cobrança automática por meio de pórticos eletrônicos, sem cancelas, que identifica veículos por TAG ou leitura de placas. Apesar de representar avanço tecnológico, deputados defendem que a implantação precisa ser acompanhada de ampla divulgação, regras transparentes e garantias de justiça tarifária.
Para Gilson de Souza, a mudança em Rolândia demonstra que ajustes são possíveis, mas o monitoramento deve continuar. “A mobilização trouxe resultado, mas precisamos garantir que o pedágio eletrônico seja implantado com responsabilidade e respeito ao cidadão em todo o Paraná”, concluiu.
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