Câmara discute blitz contra flanelinhas, canal de denúncias e ação da Guarda Municipal
Nesta quarta-feira (04), Renan Ceschin chama cobrança por vagas de “extorsão”, relata ameaças a motoristas e defende repressão à prática
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Arquivo/CMC
Depois de uma primeira parte da sessão marcada por cobranças sobre enchentes, a Câmara Municipal de Curitiba mudou completamente de tom no pequeno expediente desta quarta-feira (04). O debate saiu da drenagem urbana e entrou na segurança pública.
O vereador Renan Ceschin dedicou seus minutos de fala a defender medidas mais duras contra guardadores informais de veículos, conhecidos como flanelinhas. Para ele, a prática deixou de ser vista como informalidade e deve ser tratada como crime.
“Eu cresci vendo meu pai, minha mãe, meu avô pagando para um cidadão que diz que vai cuidar do carro em via pública e que, na verdade, não está cuidando porcaria nenhuma”, afirmou logo no início do discurso.
Segundo o parlamentar, há uma tolerância cultural com a atividade que precisa ser revista. “Isso é cultural a gente achar que aquela pessoa está ali trabalhando. Isso não é trabalho. Trabalho tem de sobra em Curitiba.”
Ceschin argumentou que a cobrança por vagas em ruas públicas configura constrangimento e intimidação. “Está ali praticando um crime. Está praticando algo ilegal.”
O vereador relatou que a situação se agrava em dias de maior movimento, como jogos de futebol, shows e eventos. “Dia de show os caras estão querendo cobrar 150 reais para parar perto da pedreira. Onde já se viu uma coisa dessas?”
Durante a fala, ele anunciou apoio a um projeto chamado Blitz Antiflanelinha, que prevê ações conjuntas com a Guarda Municipal em pontos considerados críticos da cidade. “Foi criado o projeto Blitz Antiflanelinha, junto da Guarda Municipal, combatendo a prática ilegal de cobrar das pessoas para estacionar em via pública, que é extorsão.”
Além das operações presenciais, o vereador defendeu a criação de um canal direto para denúncias. “Também o Disque Antiflanelinha, para que as pessoas possam denunciar via aplicativo ou via contato direto para a Guarda Municipal os abusos que essas pessoas cometem nas ruas de Curitiba.”
Ceschin afirmou ainda que recebe relatos frequentes pelas redes sociais, principalmente de mulheres que se sentem ameaçadas ao estacionar. “A grande maioria das mensagens são de mulheres que são ameaçadas, coagidas. Se não pagar, dizem que vão riscar o carro ou fazer alguma coisa.”
Para ele, o poder público não pode normalizar a situação. “Flanelinha é prática ilegal. A gente não pode normalizar isso.”
O projeto deve seguir tramitação nas comissões da Casa antes de eventual votação em plenário.
Créditos: Redação
