Temporal leva enchentes à tribuna e vereadores cobram soluções estruturais para drenagem em Curitiba
Nesta quarta-feira (04), Câmara registra relatos de famílias que perderam tudo, críticas à repetição anual dos alagamentos e anúncio de licitação para nova drenagem na trincheira do Sabará
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Rodrigo Fonseca/CMC
A sessão da Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta-feira (04) começou protocolar, com leitura de proposições e organização da pauta. Bastaram os primeiros inscritos no pequeno expediente para que o roteiro mudasse. A chuva forte que atingiu a capital na véspera dominou praticamente todas as falas e transformou a tribuna em espaço de relatos, cobranças e pedidos de providência.
Os alagamentos registrados em diferentes bairros deram o tom do debate. O primeiro a tratar do tema foi o vereador Lorenz Nogueira. Ele iniciou o discurso dizendo que subia à tribuna “com profunda tristeza” pelos acontecimentos do dia anterior. Logo no começo, antecipou que não pretendia procurar culpados. “O prefeito é o culpado? Não. A gestão é a culpada? Não. E eu também não estou aqui nessa tribuna para achar ou apontar o culpado”, afirmou.
Segundo o vereador, o objetivo era chamar atenção para as famílias atingidas. “Eu venho nesta tribuna para pedir ajuda, eu venho nesta tribuna para chamar a atenção destas regiões que sofreram fortemente. Famílias perderam tudo.”
Lorenz citou o bairro Xaxim, onde disse ter maior atuação política, e mencionou o Ribeirão dos Padilhas. De acordo com ele, equipes da prefeitura faziam limpeza no local antes mesmo da chuva, mas isso não foi suficiente para evitar novos transtornos. “O que mais precisamos fazer? Esta é a pergunta.”
Ele reconheceu o trabalho da Fundação de Ação Social, da Defesa Civil e de servidores regionais que atenderam a ocorrência, mas afirmou que preferia não precisar desse tipo de mobilização. “Eu gostaria de subir nessa tribuna não para agradecer por eles terem ido. Eu gostaria de agradecer se eles não tivessem que ir lá.”
Na sequência, o vereador Toninho da Farmácia trouxe um relato diferente, centrado em intervenções realizadas na Cidade Industrial de Curitiba. Ele recordou problemas antigos em bairros como Vitória Régia, Vila Verde e Vila Barigui, onde, segundo disse, centenas de casas alagavam em anos anteriores.
Toninho afirmou que, após identificação de pontos críticos e conversas com secretarias, obras de limpeza e desassoreamento foram executadas. “Ontem tivemos o maior volume de chuva dos últimos tempos aqui na cidade de Curitiba”, declarou. “E não teve uma casa alagada. A água não saiu para a rua.”
Ele atribuiu o resultado à manutenção periódica. “A Secretaria de Obras acabou de fazer a limpeza dos canais há poucos dias. Limparam os canais, desassorearam os rios. Nós cobramos periodicamente.”
Para o vereador, o caminho é localizar o problema e cobrar solução do Executivo. “Temos que correr atrás, ver onde está o problema, apontar e ajudar a solucionar.”
A fala mais crítica da manhã veio da vereadora Laís Leão. Logo no início, adotou tom irônico. “Confesso para vocês que me sinto em 2025. Parece que eu estou tendo um déjà vu aqui, porque subi exatamente nesta tribuna, mais ou menos nessa mesma época do ano, para falar exatamente da mesma coisa.”
Ela relatou receber diariamente vídeos e mensagens de moradores com casas invadidas pela água e questionou o argumento recorrente de que as chuvas seriam excepcionais. “Todo mundo sabe que janeiro e fevereiro chove muito. Só que o normal de janeiro e fevereiro é o normal todo ano.” “Todo ano alaga. Todo ano a população tem que ouvir uma desculpinha esfarrapada de que é porque choveu demais.”
Em seguida, listou propostas. Defendeu soluções de curto prazo, como limpeza constante de bueiros e galerias, e medidas estruturais, como jardins de chuva, aumento da permeabilidade do solo, fiscalização de obras privadas e intervenções de microdrenagem. “A água não tem para onde ir. Vai alagar. É inevitável que vá alagar.”
Também cobrou a conclusão de obras que, segundo ela, se arrastam há anos. “Tem obra que começa, que começa, que começa e nada acaba nessa cidade.”
Laís afirmou que pretende cobrar semanalmente informações da Prefeitura sobre o andamento dessas intervenções.
Encerrado o pequeno expediente, no momento destinado às lideranças, Toninho da Farmácia voltou à tribuna para trazer um informe específico sobre um dos pontos mais citados quando o assunto é alagamento, a trincheira do Sabará.
“Estivemos conversando com o secretário de Obras da cidade de Curitiba, estivemos conversando na prefeitura. Está em licitação porque terá que fazer uma nova drenagem ali. Será feita uma nova drenagem ali, por esses dias estará acontecendo e não haverá mais alagamento na entrada do Sabará”, declarou.
A sessão terminou sem votação de medidas emergenciais, mas com o tema das enchentes dominando o debate político do dia. Entre pedidos de ajuda, relatos de manutenção e anúncios de licitação, o problema voltou a ocupar a tribuna como um assunto recorrente do calendário curitibano.
Créditos: Redação
