Narcisismo na liderança afeta a saúde mental no trabalho
Especialistas alertam que liderança narcisista reflete cultura organizacional adoecida e amplia riscos à saúde mental no ambiente de trabalho
Créditos: Getty Images
O crescimento do narcisismo na liderança tem sido apontado como um dos fatores que mais impactam negativamente a saúde mental no trabalho. Especialistas alertam que esse perfil de liderança não surge de forma isolada, mas está ligado a culturas organizacionais que valorizam controle excessivo, competição interna e resultados a qualquer custo, criando ambientes emocionalmente adoecedores.
Segundo a especialista em liderança e comportamento humano Luciane Botto, líderes com traços narcisistas costumam ascender rapidamente por demonstrarem autoconfiança, carisma e discurso persuasivo, características valorizadas em ambientes altamente competitivos.
O problema, explica, é que esse perfil tende a apresentar baixa empatia, dificuldade de escuta e necessidade constante de validação. “Essas lideranças priorizam a própria imagem e o controle, transformando relações humanas em instrumentos de poder”, afirma.
Nesse contexto, o narcisismo deixa de ser apenas uma característica individual e passa a indicar um adoecimento da cultura organizacional, sustentado por modelos de gestão autoritários.
LEIA TAMBÉM:
>Colombo abre 59ª Festa da Uva nesta quinta-feira
>Chuva extrema em curto intervalo explica transtornos registrados em Curitiba
>Prefeitura intensifica ações após temporal com 55 mm de chuva em Curitiba
Liderança tóxica gera medo, conflitos e adoecimento
No dia a dia, os efeitos da liderança narcisista aparecem em forma de comunicação agressiva, vigilância constante e baixa tolerância ao erro. O medo passa a ser utilizado como ferramenta de gestão, afetando diretamente a saúde emocional dos trabalhadores.
Esse cenário favorece conflitos internos, disputas entre colegas e enfraquecimento do trabalho em equipe. A cooperação dá lugar à competição permanente, estimulada por metas rígidas e comparações contínuas.
Com o tempo, surgem sintomas como ansiedade, esgotamento emocional e sensação de desvalorização profissional. A alta rotatividade se torna comum, gerando prejuízos humanos e organizacionais.
Mudança na cultura organizacional é essencial
Para Luciane Botto, enfrentar os impactos do narcisismo na liderança exige mais do que treinamentos pontuais. É necessário revisar a lógica organizacional que sustenta esse modelo, incluindo critérios de promoção e avaliação de desempenho.
A especialista defende ambientes baseados em segurança psicológica, escuta ativa e cooperação. Organizações saudáveis são aquelas que tratam o erro como aprendizado e priorizam relações humanas equilibradas.
No livro Liderança Integral: a evolução do ser humano e das organizações, ela destaca que resultados sustentáveis dependem de vínculos saudáveis. “Não há desempenho duradouro sem cuidado com as pessoas. Liderar é criar contextos onde o trabalho não adoeça”, conclui.
Créditos: Assessoria
