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Omã propõe gestão conjunta do Estreito de Ormuz em meio a negociações com o Irã

Proposta prevê administração compartilhada da principal rota de transporte de petróleo do mundo e criação de fundo financiado por contribuições voluntárias dos usuários

Omã propõe gestão conjunta do Estreito de Ormuz em meio a negociações com o Irã Créditos: Reprodução Redes Sociais

Omã apresentou ao Irã uma proposta para criar um mecanismo regional de gestão compartilhada do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito no mundo. A informação foi divulgada nesta terça-feira (28) por uma fonte do Golfo Pérsico à agência Reuters.

Segundo a proposta, apresentada às autoridades iranianas no fim de semana, em Teerã, o Irã deixaria de exercer controle exclusivo sobre a via marítima, que tem sido um dos principais pontos de tensão nas negociações para encerrar o conflito envolvendo o país, Israel e os Estados Unidos.

Modelo segue exemplo do Estreito de Malaca

O plano apresentado por Omã é inspirado no modelo de administração do Estreito de Malaca, localizado entre os oceanos Índico e Pacífico.

Atualmente, a gestão dessa rota é compartilhada entre Indonésia, Malásia e Cingapura, países que dividem a responsabilidade pela segurança da navegação e pela preservação ambiental na região.

A proposta para o Estreito de Ormuz prevê um modelo semelhante, com participação conjunta dos países da região.

Fundo financiaria serviços de navegação

Pela proposta, embarcações que utilizarem o Estreito de Ormuz fariam contribuições voluntárias para um fundo destinado ao financiamento de serviços relacionados à navegação.

Os recursos seriam utilizados para custear ações como gerenciamento do tráfego marítimo, proteção ambiental, operações de busca e resgate e outras atividades ligadas à segurança da rota.

O texto também busca atender à posição dos países do Golfo Pérsico, que rejeitam a cobrança obrigatória de taxas pelo Irã para a passagem de navios.

Estreito é ponto central das negociações

Antes da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito, a administração da passagem tornou-se um dos principais entraves nas negociações diplomáticas e um fator recorrente de tensão na região.

O governo iraniano sustenta que o estreito não pode voltar às condições anteriores ao conflito, quando a navegação ocorria livremente.

Chanceleres discutiram proposta

Na segunda-feira (27), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, discutiu o tema com os chanceleres de Omã e da Arábia Saudita.

Segundo comunicado divulgado pelo governo iraniano, Araqchi defendeu o fortalecimento da cooperação regional e dos esforços diplomáticos para promover a estabilidade e reduzir a insegurança no Estreito de Ormuz, atribuída pelo Irã às ações militares dos Estados Unidos.

Trump diz que negociações avançam

Também na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington mantém "boas conversas" com o Irã e que existe a possibilidade de um acordo.

Apesar da sinalização positiva, Trump advertiu que ataques norte-americanos poderão ser retomados caso as negociações não avancem ou deixem de produzir resultados.

O futuro da administração do Estreito de Ormuz continua sendo um dos temas centrais das negociações diplomáticas e pode influenciar diretamente a estabilidade do mercado internacional de energia e do comércio marítimo mundial.

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