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Olho Vivo Paraná: TCE-PR designa comissão para auditar licitação e sistemas de segurança Créditos: Jonathan Campos/AEN

Olho Vivo Paraná: TCE-PR designa comissão para auditar licitação e sistemas de segurança

Sob coordenação da inspetoria do conselheiro Ivan Bonilha, auditoria de quatro meses analisará conformidade de contratos geridos pela Casa Civil

Uma portaria publicada no Diário Eletrônico do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou a abertura de auditoria sobre o programa Olho Vivo Paraná. O trabalho será conduzido pela Inspetoria de Controle Externo, sob supervisão do conselheiro Ivan Bonilha, e terá prazo inicial de quatro meses.

De acordo com a publicação, o objetivo é analisar a conformidade do procedimento licitatório para aquisição de equipamentos e sistemas de segurança vinculados ao programa, conduzido pela Superintendência Geral de Governança de Serviço de Dados, ligada à Casa Civil.

A auditoria marca uma nova etapa na apuração sobre o Olho Vivo, que já havia sido alvo de medida cautelar do próprio TCE. Em decisão anterior, o conselheiro Fernando Guimarães determinou a suspensão do Pregão Eletrônico nº 203/2026, que previa a contratação de uma plataforma de videomonitoramento inteligente com valor estimado em R$ 580,9 milhões.

Na ocasião, o Tribunal apontou indícios de falhas no processo, incluindo risco de sobrepreço, inconsistências na definição do objeto, fragilidades na governança do projeto e possíveis irregularidades no tratamento de dados sensíveis, com questionamentos sobre adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Também foram citados problemas na metodologia de preços, ausência de estudos técnicos mais robustos e risco de sobreposição com sistemas já existentes.

Mesmo com a licitação suspensa, informações obtidas pela reportagem indicam que parte do programa já estava em execução. Dados de bastidores apontam que cerca de R$ 30 milhões teriam sido destinados à instalação de câmeras, com operacionalização por meio da Celepar e contratos relacionados à Google.

O modelo levanta questionamentos sobre a forma de contratação e a eventual execução de etapas do projeto antes da conclusão de um processo licitatório amplo. Como os recursos são públicos, especialistas apontam que a aplicação desses valores deve observar critérios de transparência, controle e justificativa técnica.

Nos bastidores do TCE, o caso também ocorre em meio a discussões internas sobre transparência e sigilo. Em sessão realizada anteriormente, o conselheiro Fábio Camargo questionou a existência de processos sob restrição de acesso envolvendo o colega Fernando Guimarães, defendendo maior publicidade em apurações que envolvem agentes públicos. Guimarães, por sua vez, afirmou que a adoção de sigilo segue previsões normativas e não depende de decisão individual.

A nova auditoria ocorre justamente em um contexto em que o processo relacionado ao Olho Vivo também tramita com restrições de acesso, o que amplia a pressão por esclarecimentos sobre contratos, fornecedores e escopo técnico do programa.

Outro ponto que deve entrar no radar da fiscalização é o funcionamento do sistema. Documentos técnicos que embasam questionamentos sobre o programa indicam que a estrutura permite o cruzamento de dados sensíveis, como informações de veículos, mandados de prisão e registros ligados à segurança pública, a partir de imagens captadas por câmeras.

Esse tipo de tecnologia depende de regras claras de governança, controle de acesso e armazenamento de dados. Segundo análises técnicas, ainda não há detalhamento público suficiente sobre quem pode acessar essas informações, por quanto tempo os dados são mantidos e quais mecanismos de auditoria garantem o uso adequado.

Especialistas apontam que, em sistemas desse tipo, falhas podem resultar em identificação equivocada, abordagens indevidas e uso incorreto de informações. Experiências semelhantes em outros estados também já levantaram questionamentos sobre eficácia e riscos. Em São Paulo, por exemplo, avaliações sobre programas de monitoramento indicaram limitações nos resultados e registros de inconsistências operacionais.

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