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Merenda escolar vira alvo de embate na Alep após denúncias de falta de alimentos em escolas estaduais

Após denúncias de falta de merenda em mais de 25 escolas e críticas ao afastamento da direção do Colégio Roberto Langer, o líder do governo na Alep, Hussein Bakri, reagiu: “Diretor que não tem capacidade não merece continuar”

Por Gazeta do Paraná

Merenda escolar vira alvo de embate na Alep após denúncias de falta de alimentos em escolas estaduais Créditos: AEN

A denúncia de falta de alimentos em escolas estaduais do Paraná provocou um duro embate entre governo e oposição durante a sessão desta segunda-feira (8) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Enquanto a deputada estadual Ana Júlia (PT) afirmou que ao menos 25 escolas enfrentam escassez de itens básicos da merenda escolar e criticou o afastamento da direção do Colégio Estadual Roberto Langer, em Curitiba, o líder do governo na Casa, deputado Hussein Bakri (PSD), atribuiu o problema à gestão da unidade e disparou: “Diretor que não tem capacidade não merece continuar”.

O debate ocorreu após a parlamentar apresentar denúncias sobre a falta de carne, arroz, feijão, macarrão, açúcar e outros produtos em escolas da rede estadual, especialmente em Curitiba, Região Metropolitana, litoral e região de Londrina.

Segundo Ana Júlia, a situação ganhou repercussão após estudantes do Colégio Estadual Roberto Langer divulgarem imagens de geladeiras, freezers e prateleiras vazias. A deputada afirmou que, após a divulgação do caso, a direção da unidade acabou sendo afastada, o que motivou protestos dos próprios alunos.

“Os estudantes estão protestando porque exerceram o seu direito de manifestação e a escola foi punida”, afirmou.

“Problema sistêmico”, diz deputada

Durante o pronunciamento, Ana Júlia rejeitou a versão de que a falta de alimentos seria resultado de falhas administrativas isoladas e sustentou que o problema atinge diversas unidades da rede estadual.

A parlamentar citou mensagens trocadas em grupos internos do Núcleo Regional de Educação nas quais servidores buscariam remanejar alimentos entre escolas para suprir a falta de proteínas em determinadas unidades. Ela também apresentou uma lista de escolas que, segundo informou, teriam relatado escassez de produtos.

“É um problema sistêmico. Não é só do Colégio Roberto Langer”, declarou.

Entre as unidades mencionadas pela deputada estão o Colégio Estadual do Paraná, Instituto de Educação do Paraná, Jaime Canet, Nilo Brandão, Pio Lanteri, Monteiro Lobato, Gabriela Mistral, Getúlio Vargas e outras escolas de Curitiba e Região Metropolitana.

Ana Júlia afirmou ainda que uma visita técnica realizada pelo próprio Núcleo Regional de Educação teria constatado que o Colégio Roberto Langer estaria recebendo apenas 35% dos alimentos necessários para atender seus cerca de 1.360 estudantes.

“O próprio núcleo detectou que eles estão mandando só 35% da alimentação que aquela escola deveria receber”, disse.

Diante das denúncias, a deputada informou ter protocolado um requerimento solicitando esclarecimentos à Secretaria de Estado da Educação (Seed) sobre possíveis falhas na logística, distribuição ou aquisição dos alimentos.

Hussein Bakri defende governo

Ao responder às críticas, Hussein Bakri afirmou que o Paraná possui uma das políticas de alimentação escolar mais robustas do país e classificou os casos relatados como situações pontuais dentro de uma rede com aproximadamente 2.100 escolas.

“Se tem um estado na federação que cuidou da merenda escolar foi o Paraná”, afirmou.

O líder do governo destacou que, segundo ele, houve ampliação da oferta de refeições durante a gestão do governador Ratinho Junior.

“Antes do governo Ratinho Junior nós tínhamos duas refeições, nem sempre com proteína. Hoje nós temos três refeições por período e, nas escolas integrais, são cinco”, declarou.

Na sequência, Bakri rebateu diretamente as acusações da deputada e responsabilizou a direção da escola envolvida pela situação.

“Aí vem aquilo que eu discordo da deputada com o maior respeito. Na minha opinião, é falta de gestão do diretor. Diretor bom é aquele que vai atrás. Diretor bom é aquele que não espera dois, três, quatro dias. E diretor que não tem capacidade não merece continuar”, afirmou da tribuna.

O parlamentar ainda acrescentou que o Estado não tem como identificar imediatamente problemas específicos em cada uma das mais de duas mil escolas da rede sem que haja comunicação formal.

“Como é que o Estado, no meio de 2.100 escolas, vai saber que está faltando uma merenda lá?”, questionou.

Deputado confirma relatos

O debate ganhou um ingrediente adicional quando o deputado Mauro Moraes afirmou ter recebido denúncias semelhantes em escolas da região sul de Curitiba.

Segundo ele, as reclamações o levaram a visitar algumas unidades pessoalmente.

“Realmente está faltando em algumas escolas, principalmente na região sul de Curitiba”, declarou.

Moraes pediu providências ao presidente da Comissão de Educação da Assembleia e destacou que muitos estudantes dependem da alimentação escolar como principal refeição do dia.

“Não pode faltar merenda nas escolas”, afirmou.

Governo promete esclarecimentos

Ao final da discussão, Hussein Bakri afirmou que buscará informações junto à Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Educação do Paraná (Fundepar) e à Secretaria da Educação para esclarecer os fatos apontados pela oposição.

“Vou trazer aqui tudo aquilo que for necessário para que a senhora tenha as respostas que merece”, disse, dirigindo-se à deputada Ana Júlia.

O requerimento protocolado pela parlamentar deverá ser encaminhado à Secretaria da Educação nos próximos dias. A expectativa é que os esclarecimentos oficiais sobre o abastecimento das escolas estaduais sejam apresentados à Assembleia Legislativa após a resposta do governo estadual.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp