Renato Freitas dispara contra a Alep e relembra de assassinatos a rachadinhas
Deputado citou casos envolvendo assassinatos, mortes no trânsito, funcionários fantasmas, rachadinhas, lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha para questionar a seletividade das punições na Assembleia. Em discurso contundente, afirmou que sua possível cassação seria resultado de racismo e perseguição política
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Valdir Amaral
O avanço do processo de cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas transformou a sessão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) desta segunda-feira (8) em um duro embate político. Ao subir à tribuna, o parlamentar reagiu ao processo em andamento não apenas defendendo sua permanência no cargo, mas lançando uma série de acusações sobre a forma como a Casa tratou, ao longo dos anos, casos envolvendo outros deputados.
Em um dos discursos mais contundentes de sua trajetória parlamentar, Renato afirmou que crimes graves atribuídos a integrantes do Legislativo jamais resultaram em punições equivalentes às que agora são cogitadas contra ele.
A fala ocorreu dois dias após a manifestação realizada em Curitiba em defesa de seu mandato. O deputado abriu o pronunciamento agradecendo os apoiadores que, segundo ele, vieram de diversas regiões do Paraná e até de outros estados para participar do ato.
Segundo Renato, a mobilização teve como objetivo defender um princípio básico da democracia: o de que representantes eleitos pelo voto devem deixar seus cargos pelo voto ou em razão da prática comprovada de crimes.
Foi justamente nesse ponto que o parlamentar iniciou a comparação que marcou o discurso. “Quando deputados assassinam pessoas ajoelhadas, ao meu ver, devem ser cassados. Quando deputados assassinam jovens dirigindo bêbados a 200 por hora, têm que ser cassados”, afirmou.
Na sequência, ampliou a lista. “Quando deputados organizam esquemas de funcionários fantasmas e contaminam estruturalmente a Assembleia e o Poder Legislativo, eles devem ser cassados. Quando enriquecem ilicitamente a partir de rachadinhas, eles devem ser cassados. Quando praticam lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha, precisam ser cassados.”
“Todos esses crimes aconteceram aqui”
O tom do discurso subiu ainda mais quando Renato afirmou que todos os crimes mencionados por ele já teriam ocorrido no ambiente político paranaense sem que seus responsáveis fossem submetidos ao mesmo rigor agora direcionado ao seu caso.
“Todos esses crimes foram cometidos aqui nesta Casa. E aqueles que cometeram não foram sequer processados pela Comissão de Ética”, declarou.
Segundo o deputado, haveria uma proteção histórica concedida a determinados grupos políticos tradicionais.
Ele atribuiu essa suposta blindagem ao perfil social e econômico de parte da classe política paranaense, afirmando que parlamentares ligados às elites teriam recebido tratamento privilegiado dentro das instituições. “Brancos bem-nascidos, herdeiros, coronéis, que acreditam que a Assembleia Legislativa é um puxadinho de suas fazendas”, disse.
Ataque a acordos e sensação de impunidade
Renato também direcionou críticas ao que chamou de acordos de impunidade firmados em casos envolvendo agentes políticos.
Sem citar nominalmente o parlamentar, o deputado relembrou o caso de um ex-integrante da Mesa Diretora acusado de desviar respiradores durante a pandemia de Covid-19.
Segundo ele, os equipamentos teriam sido utilizados para fins políticos em vez de serem destinados a pacientes que necessitavam deles.
“Foi feito um acordo com um deputado que desviou aparelhos de respiração na época da Covid. Ao invés de entregar para quem precisava, entregou para cabos eleitorais para fazer capital político. E o que aconteceu com ele? Acordo de impunidade”, afirmou.
“O primeiro cassado em 171 anos”
O momento mais tenso do pronunciamento ocorreu quando Renato relacionou o processo que enfrenta à questão racial.
O parlamentar destacou que a Assembleia Legislativa do Paraná jamais cassou um deputado em seus 171 anos de história e questionou o fato de que justamente ele possa se tornar o primeiro.
“Agora alguém tem que ser o primeiro a ser cassado. E esse alguém, estranhamente, é um deputado negro de periferia que não nasceu nas fazendas e não virou doutor por força do dinheiro”, afirmou.
Em seguida, questionou os colegas parlamentares sobre qual legado pretendem deixar para a história da instituição.
“É nesse capítulo da história que os senhores querem assinar seus nomes? No capítulo do preconceito, do racismo, da violência política e da perseguição?”
Defesa da própria conduta
Renato também voltou a abordar o episódio que motivou o processo disciplinar.
Segundo ele, a situação teve início quando um motorista teria avançado com um veículo contra sua família enquanto sua companheira estava grávida.
“Um rapaz jogou o carro sobre minha família, com a mãe da minha filha grávida. A partir daí ele assumiu todos os riscos”, declarou.
O deputado encerrou o discurso afirmando que sua família também merece respeito e acusando adversários políticos de hipocrisia ao utilizarem discursos de defesa da família apenas quando lhes convém “Também somos seres humanos. Respeitem as nossas famílias também.”
A fala amplia a pressão sobre a Assembleia em meio à tramitação do processo disciplinar que pode resultar na perda do mandato de Renato Freitas. Enquanto apoiadores denunciam perseguição política e racismo institucional, parlamentares favoráveis à punição sustentam que a discussão envolve exclusivamente a conduta adotada pelo deputado no episódio investigado.
O caso promete manter elevada a temperatura política na Alep nas próximas semanas.
Créditos: Redação
