Créditos: Luiz Baltar
Ato em defesa de Renato Freitas reúne apoiadores em Curitiba
Mobilização na Praça Santos Andrade ocorre após decisão da CCJ da Alep; processo que analisa recomendação do Conselho de Ética segue para as próximas etapas regimentais
Apoiadores do deputado estadual Renato Freitas (PT) realizaram uma manifestação na Praça Santos Andrade, em Curitiba, contra o processo que pode resultar na cassação do mandato do parlamentar. O caso ainda depende de votação em plenário na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Durante o ato, Renato Freitas fez críticas ao processo disciplinar e afirmou ser alvo de perseguição política. Em seu discurso, o deputado comparou sua situação a episódios que marcaram a história da Assembleia Legislativa, citando casos de corrupção que tiveram ampla repercussão no estado.
"Ali teve o caso dos Diários Secretos, 250 milhões de reais estimados e sabidos. Algum deputado foi cassado?", questionou o parlamentar diante dos manifestantes.
Freitas também mencionou investigações e denúncias envolvendo antigos integrantes da Assembleia e relembrou o episódio relacionado ao ex-presidente da Casa, Ademar Traiano. O deputado afirmou que foi responsável por divulgar informações sobre o caso, que posteriormente resultou em um acordo firmado entre Traiano e o Ministério Público do Paraná.
"Lá existem 54 deputados e apenas um que enfrenta os coronéis", declarou o petista durante o evento.
Apoio de movimentos sociais
A manifestação reuniu integrantes de movimentos populares, lideranças comunitárias e apoiadores do parlamentar. Durante o ato, participantes relataram ações do mandato de Renato Freitas em pautas relacionadas à segurança pública, moradia e direitos sociais.
Eliane Pereira, moradora da favela da Bratac, em Londrina, afirmou que o deputado tem atuado em defesa das comunidades periféricas.
"O Renato é uma benção de Deus nas nossas vidas porque ele é o único deputado que entra na favela para nos ajudar. Pedindo câmeras nas fardas e contra a letalidade policial", declarou.
Representantes de movimentos de moradia também participaram da mobilização. Um dos discursos destacou a atuação do parlamentar junto a comunidades populares e questionou a representatividade desses grupos na Assembleia Legislativa.
Histórico de representações
Em sua fala, Renato Freitas relembrou episódios anteriores em que enfrentou pedidos de cassação ou representações disciplinares, tanto no período em que foi vereador de Curitiba quanto no atual mandato de deputado estadual.
Segundo o parlamentar, uma das representações ocorreu após declarações feitas durante a pandemia de Covid-19. Outra teve relação com sua participação em manifestações realizadas após a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro morto por seguranças de uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre, em 2020.
Freitas também recordou o episódio envolvendo a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, em Curitiba. Na ocasião, ele teve o mandato de vereador cassado pela Câmara Municipal, decisão posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou sua recondução ao cargo.
"A igreja esteve do nosso lado e o povo também porque tivemos quase 60 mil votos dos paranaenses e fomos eleitos deputado estadual pela vontade de Deus e pela força do povo", afirmou.
O processo envolvendo o mandato de Renato Freitas segue em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná e ainda depende de deliberação dos deputados em plenário.
O ato ocorreu poucos dias após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa rejeitar os recursos apresentados pela defesa de Renato Freitas contra a decisão do Conselho de Ética que recomendou a cassação do mandato.
Durante a sessão, deputados da oposição argumentaram que o processo teria falhas procedimentais, incluindo questionamentos sobre prazos e sobre a competência da Assembleia para julgar fatos que, segundo a defesa, ocorreram fora do exercício do mandato parlamentar. A maioria da comissão, porém, acompanhou o parecer do relator Luiz Fernando Guerra e manteve a tramitação do processo.
Com a decisão da CCJ, o caso retorna ao Conselho de Ética para os encaminhamentos regimentais antes de seguir para votação em plenário, onde os 54 deputados estaduais deverão decidir sobre a cassação ou manutenção do mandato.
Apoio Nacional
A manifestação contou com a presença de parlamentares e grupos de outros estados brasileiros, entre eles: os deputados federais Glauber Braga, Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna. “Vocês têm uma enorme sorte de ter esse camarada lado a lado fazendo a luta diariamente. Para além do Paraná, o Renato hoje tem a solidariedade de todo Brasil”, afirmou Glauber durante seu pronunciamento.
A deputado federal Gleisi Hoffman também participou da manifestação e comparou a história de Renato Freitas com a do presidente Lula. “Essa luta, Renato, não é só por você. Porque você representa uma causa”, disse a ex-ministra e pré-candidata ao Senado.
Freitas contou também com o apoio de grandes nomes do rap nacional. Estiveram presentes na manifestação os rappers Thaíde, Preto Aplick, Renan Inquérito, Mano Fler, Dow Raiz, Liah Vitoria, Marinho do rap e Erisow Bagstar. O Dj C-Roock, Dj Jamaica, o Bloco Afropretinhosidade e os cantores Wes Ventura e Dailson Santos também marcaram presença.
O movimento negro estava representado pela Educafro, de São Paulo, o Movimento Negro Maria Laura, de Santa Catarina, a União de Negras e Negros pela Igualdade, de Curitiba, e o Secretário Nacional de Combate ao Racismo do PT, Thiago Soares. A manifestação teve a presença das vereadoras Vanda de Assis, professora Angela, Giorgia Prates, e o vereador Angelo Vanhoni, de Curitiba; a vereadora Miss Preta de Pinhais, Anderson Prego de Colombo, e as vereadoras Vanessa da Rosa de Joinville e Guida Calixto, de Campinas. O deputado federal Zeca Dirceu, e os deputados estaduais Arilson Chiorato, Ana Julia e professor Lemos também participaram.
