Oeste do Paraná registra 1,35 milhão de trocas de emprego em seis anos e acende alerta sobre rotatividade
Estudo aponta crescimento da região, mas destaca custo bilionário para empresas e desafio na retenção de trabalhadores
Créditos: Gabriel Rosa/AEN
O Oeste do Paraná registrou 1.350.183 trocas de emprego entre janeiro de 2020 e janeiro de 2026, segundo levantamento da Câmara de Empregabilidade do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD). O dado evidencia a alta rotatividade no mercado de trabalho e reforça um dos principais desafios enfrentados pelas empresas da região.
Apesar do volume elevado de movimentações, o estudo também confirma o crescimento econômico regional. No período, a população passou de 1,4 milhão para 1,5 milhão de habitantes, enquanto o número de empregos formais saltou de 341.878 para 435.039, com saldo positivo de mais de 93 mil novas vagas com carteira assinada.
Cidades como Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo e Marechal Cândido Rondon concentram parte significativa desses empregos, consolidando o Oeste como a segunda região do Paraná em geração de postos de trabalho, atrás apenas da Região Metropolitana de Curitiba.
O custo elevado
Apesar dos indicadores positivos, o levantamento evidencia pontos críticos, principalmente o custo da rotatividade. Com base em entrevistas com seis grandes empresas da região, a Câmara de Empregabilidade estimou em cerca de R$ 2 mil o custo médio por desligamento e reposição de trabalhador, considerando processos administrativos, recrutamento, exames e integração.
Com isso, o impacto financeiro das 1,35 milhão de movimentações chega a aproximadamente R$ 2,7 bilhões ao longo dos seis anos. “Não estamos falando de salários ou indenizações, mas de todo o custo operacional envolvido na troca de um colaborador”, explica Sérgio Marcucci.
Outro fator apontado é o curto tempo de permanência dos trabalhadores nas empresas. Segundo a secretária da Câmara de Empregabilidade, Andréia Altran, a alta rotatividade impede que os profissionais se desenvolvam plenamente nas funções, reduzindo a produtividade e gerando prejuízos indiretos. “Muitos ainda estão em fase de aprendizado, o que impacta diretamente na entrega de resultados”, afirma.
Diante desse cenário, a redução do turnover passou a integrar o planejamento estratégico regional. A meta é diminuir esse índice em 20% até 2028, o que pode representar uma economia de cerca de R$ 540 milhões para as empresas.
Para alcançar o objetivo, a estratégia envolve ações integradas com o setor produtivo, especialmente nas áreas de recursos humanos, além da promoção de eventos e capacitações voltadas à retenção de talentos.
Paralelamente, municípios do Oeste têm intensificado iniciativas para ampliar a base de trabalhadores disponíveis. Em parceria com entidades como o Sistema S e a Fiep, programas buscam inserir no mercado formal pessoas que hoje estão fora da atividade econômica.
A qualificação profissional também é apontada como eixo central. Um dos exemplos citados é o de Marechal Cândido Rondon, que investe cerca de R$ 1 milhão por ano em capacitação. A tendência é que outras cidades ampliem parcerias com instituições como Senai e Senac para formação de mão de obra.
O diagnóstico reforça que, além de gerar empregos, o desafio agora é garantir a permanência dos trabalhadores nas vagas, fortalecendo o vínculo entre empresas e colaboradores.
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